Bélgica/Mais de 70 ONG pedem à UE que suspenda estratégia para aumentar repatriamentos
Bissau,
16 Fev 26 8ANG) – Mais de 70 organizações não governamentais (ONG) solicitaram
às instituições da União Europeia (UE) a suspensão da implementação de uma
estratégia para aumentar os repatriamentos e reduzir o número de imigrantes
ilegais.
Numa
declaração conjunta, os signatários alertam que o texto alarga as operações de
busca e apreensão de migrantes em espaços públicos e privados e intensifica o
uso de tecnologias de vigilância.
O
documento, promovido pela Plataforma para a Cooperação Internacional sobre
Migrantes Indocumentados (PICUM, na sigla em inglês) e pela Médicos do Mundo,
avisa ainda que o pacto pode obrigar os serviços públicos a colaborar com as
forças policiais.
"As
rusgas policiais aos imigrantes não são novidade na Europa, mas este
regulamento vai expandir e normalizar o perfilamento racial, a vigilância nos
serviços públicos e operações semelhantes às realizadas pelo ICE nos Estados
Unidos, incluindo em casas particulares", alertou a diretora da PICUM.
Michele
LeVoy defendeu a coerência entre o discurso europeu sobre direitos humanos e as
políticas internas de controlo da imigração.
No
início de março, a Comissão das Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu votará
o projeto deste regulamento que, segundo as ONG, inclui "medidas para
detetar e deter pessoas sem documentos em espaços públicos".
A
representante da Médicos do Mundo junto da UE, salientou que "as leis
focadas na deteção e deportação com base no estatuto de imigração têm um
impacto direto na saúde".
Isto
porque desencorajam as grávidas, os menores e as pessoas com doenças crónicas a
procurarem cuidados médicos, "o que é inaceitável e representa também um
risco para a saúde pública", alertou Andrea Soler Eslava.
Em
29 de janeiro, a Comissão Europeia apresentou a Estratégia Europeia de Gestão
do Asilo e da Migração, que vigorará durante cinco anos.
"A
prioridade é clara: reduzir o número de chegadas ilegais e mantê-las num nível
baixo", assegurou o comissário europeu para a Administração Interna e
Migração, Magnus Brunner.
Brunner
salientou ainda que para se poder proteger quem realmente precisa, o bloco
europeu tem de controlar as fronteiras "de forma eficaz",
"limitar a migração ilegal" e "evitar abusos dos sistemas".
Também
a comissária para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna
Virkkunen, referiu que o bloco dos 27 deve manter "a redução das chegadas
ilegais e, ao mesmo tempo, incentivar as vias legais de entrada na UE".
A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) divulgou, em 15 de janeiro, que as deteções de passagens irregulares nas fronteiras externas da UE atingiram em 2025 o valor mais baixo desde 2021, com 177.781 pessoas identificadas.
De
acordo com os dados divulgados pela agência, as deteções em 2025 desceram 26%
face ao ano anterior e somaram menos de metade do total registado em 2023. ANG/Inforpress/Lusa

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