Venezuela/ Presos políticos fazem greve
de fome em protesto contra alcance limitado da nova lei de amnistia
Bissau, 23 Fev 6 (ANG) - Mais de 200 presos políticos
iniciaram uma greve de fome na Venezuela no domingo (22), sendo que no sábado,
80 pessoas foram libertadas, após a entrada em vigor de uma ampla lei de
anistia.
“Cerca
de 214 pessoas no total, incluindo venezuelanos e estrangeiros, estão em greve
de fome”, explicou Yalitza García, madrasta de Nahuel Agustín Gallo, policial
argentino preso na Venezuela sob acusação de terrorismo.
O movimento começou na prisão Rodeo I,
nos arredores de Caracas. Familiares explicam que os presos protestam contra o
alcance da lei de anistia, que não beneficia muitos dos detentos dessa unidade.
O sistema judiciário venezuelano
concedeu liberdade a 379 presos políticos após a aprovação da lei. Oitenta
deles foram libertados no sábado.
O texto, aprovado e promulgado na quinta-feira,
concedeu a anistia prometida — sob pressão dos Estados Unidos — pela presidente
interina Delcy Rodríguez. A nova chefe de Estado venezuelana iniciou a
normalização das relações com Washington, rompidas desde 2019, após assumir o
poder na sequência da prisão do presidente Nicolás Maduro durante uma operação
militar dos EUA em 3 de janeiro.
Além das libertações já anunciadas, a
Assembleia Nacional criou, na sexta-feira, uma comissão especial encarregada de
revisar os casos de presos políticos excluídos da amnistia. Um total de 1.557
detidos solicitou libertação com base na lei, segundo Rodríguez em coletiva de
imprensa.
No
entanto diversos especialistas questionam o alcance da medida: centenas de
presos, como policiais e militares envolvidos em atividades consideradas
“terroristas”, podem ser excluídos.
Além disso, o texto não abrange
integralmente o período de 1999 a 2026, referente às presidências de Hugo
Chávez (1999–2013) e de seu sucessor, Nicolás Maduro.
Muitas
famílias de presos políticos aguardam há dias pela libertação de parentes. Frustradas
com a demora, dez mulheres iniciaram uma greve de fome. Uma delas resistiu por
mais de cinco dias, até a aprovação da lei na quinta-feira.
Na sexta-feira, o diretor da ONG
venezuelana Foro Penal, Alfredo Romero, enfatizou que a anistia “não era
automática”, criticando os procedimentos legais necessários para que os
detentos pudessem se beneficiar dela.
A lei de anistia na Venezuela também concederá
liberdade plena a 11 mil presos políticos que passaram quase trinta anos na
prisão e foram posteriormente colocados em liberdade condicional, explicou
Rodríguez no sábado.
O líder
da oposição Juan Pablo Guanipa, libertado em 8 de Fevereiro, após nove
meses de detenção por “conspiração” e preso novamente poucas horas depois,
anunciou na sexta-feira que estava completamente livre, pois sua prisão
domiciliar havia sido suspensa.
“Vamos todos lutar”, declarou o aliado
da líder da oposição e ganhadora do Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado,
diante de seus apoiantes reunidos em
Maracaibo, a segunda maior cidade do país, exigindo eleições.
ANG/RFI/AFP

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