sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Combate à malária/ UA alerta que metas para 2030 estão ameaçadas sem reforço financeiro

Bissau, 20 Fev 26 (ANG) – Cinco anos antes do prazo de 2030, o Relatório da União Africana (UA) para 2025 alerta para uma preocupante desaceleração na luta contra a malária na África.

Apresentado pelo Presidente do Botswana e Presidente da ALMA, Duma Gideon Boko, na 39ª Cimeira da UA, o documento sublinha que apenas cinco Estados-Membros estão no caminho certo para atingir os objetivos do Quadro Catalítico de 2025.

Desde 2015, a incidência e a mortalidade por malária estagnaram na maioria dos países endémicos. Em 2024, a África registou 270,8 milhões de casos (96% do total global) e 594.119 mortes (97%). Uma redução de 30% no financiamento poderia levar a um aumento de 146 milhões de casos e quase 400.000 mortes até 2030.

O relatório aponta para a diminuição da ajuda pública ao desenvolvimento, a reposição insuficiente do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, bem como a resistência a inseticidas e as mudanças climáticas como as principais ameaças.

Os chefes de Estado apelam a uma maior mobilização dos recursos nacionais, à implementação de ferramentas inovadoras (vacinas, redes mosquiteiras de nova geração, quimioprevenção) e ao reforço da produção local.

"Não podemos permitir que essas dificuldades apaguem décadas de progresso", disse Duma Gideon Boko, acreditando que uma liderança fortalecida e investimentos contínuos continuam sendo essenciais para reverter essa tendência.

O relatório também destaca a necessidade de fortalecer a produção local de medicamentos e mosquiteiros e de acelerar a harmonização regulatória por meio da Agência Africana de Medicamentos, a fim de reduzir a dependência de importações, visto que 99% das vacinas utilizadas no continente são importadas.

De acordo com as conclusões do documento, uma forte liderança política, apoiada por uma utilização rigorosa de dados e investimento sustentado, ainda pode "mudar a trajetória" e conduzir a África rumo a um continente livre da malária. ANG/Faapa

 

Sem comentários:

Enviar um comentário