Irão/Líder supremo pede demonstração de força nas ruas contra Estados Unidos
Bissau,
10 Fev 26 /ANG) - O líder do Irão apelou hoje aos iranianos para que usem
o 47.º aniversário da Revolução Islâmica na quarta-feira para uma demonstração
de força contra o inimigo, num contexto de tensões com os Estados Unidos.
Desde
1979, “as potências estrangeiras procuraram sempre restabelecer a situação
anterior”, declarou Ali Khamenei, numa referência à influência externa durante
a dinastia Pahlavi (1925-1979), aliada dos norte-americanos, que foi afastada
do poder pela revolução.
Liderados
pelo então ‘ayatollah’ Ruhollah Khomeini, fundamentalistas xiitas instauraram a
República Islâmica na sequência da revolução de 1979, que depôs Mohammad Reza
Pahlavi, o último xá do Irão, formalmente denominado Pérsia até 1935.
“A
potência de uma nação não reside tanto nos seus mísseis e aviões, mas na
vontade e na resiliência do seu povo”, disse Khamenei, citado pela agência de
notícias France-Presse (AFP).
“Mostrem-no
novamente e frustrem os planos do inimigo”, afirmou o líder supremo, ao apelar
à participação dos iranianos no aniversário da revolução.
“A
presença do povo na marcha e a expressão de lealdade à República Islâmica farão
com que o inimigo recue na ambição contra o Irão e os interesses nacionais”,
disse Khamenei, também citado pela agência espanhola EFE.
A
máxima autoridade política e religiosa do país assegurou que a demonstração de
“poder nacional” através da unidade levará ao “desânimo do inimigo”.
Khamenei
avisou que, enquanto o inimigo não estiver desalentado, “não deixará de causar
incómodos” aos iranianos.
Referiu
ainda que o povo iraniano alcançou em 11 de fevereiro de 1979 uma “grande
vitória ao libertar o país da intervenção estrangeira”.
Khamenei
não participou no domingo no encontro anual com os comandantes da Força Aérea,
o primeiro corpo militar a aderir à revolução de 1979.
O
discurso surge num dos momentos de maior fragilidade da República Islâmica,
após a repressão violenta de protestos contra o regime e perante a ameaça de
uma intervenção militar norte-americana caso não se alcance um acordo nuclear.
As
manifestações, iniciadas em 28 de dezembro devido à desvalorização da moeda em
Teerão, estenderam-se a todo o país e foram esmagadas em 08 e 09 de janeiro.
O
Governo iraniano admitiu a morte de 3.117 pessoas, atribuindo a violência aos
Estados Unidos e a Israel.
A
organização não-governamental HRANA, sediada em território norte-americano,
contabilizou 6.961 mortos, estando ainda a verificar mais de 11 mil possíveis
óbitos e 51 mil detenções.
A
relatora especial da ONU para o Irão, Mai Sato, disse que relatórios médicos
apontam para a possibilidade de terem ocorrido até 20 mil mortes, embora as
Nações Unidas sublinhem a dificuldade de corroborar os dados.
Após
a repressão, as autoridades lançaram uma vaga de detenções de figuras políticas
moderadas e ativistas.
Simultaneamente,
o Irão e os Estados Unidos retomaram na semana passada as negociações para um
acordo nuclear, no primeiro encontro após a guerra de 12 dias entre Teerão e
Telavive.
Os
Estados Unidos participaram no conflito com o bombardeamento de instalações
nucleares iranianas.
ANG/Inforpress/Lusa

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