Espanha/Crise migratória em Ceuta
leva Itália e Espanha a prolongar controlos nas fronteiras do Espaço Schengen
Bissau, 01 Set 26 (ANG) - A Espanha e a Itália decidiram, segunda-feira (31), prolongar por mais 15 dias os controles instaurados entre os dois países, suspendendo parcialmente as regras de livre circulação do Espaço Schengen, em meio às consequências da crise migratória em Ceuta.
Ao mesmo tempo, o governo espanhol investiga uma campanha de desinformação que poderia ter sido amplificada por redes russas e israelenses e contribuído para incentivar a chegada em massa de migrantes ao enclave espanhol no norte da África.O governo italiano informou que a
decisão foi tomada devido à permanência das condições que motivaram a reintrodução
dos controles em 1º de Agosto. Em resposta, Madri anunciou a extensão dos
controles para passageiros que chegam da Itália por via marítima e aérea.
Embora a maior parte dos migrantes tenha
deixado Ceuta nas semanas seguintes à crise, milhares de pessoas continuam
concentradas no pequeno território espanhol, que faz fronteira com o
Marrocos.
Os
enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla formam as únicas fronteiras terrestres da
União Europeia com o continente africano. As duas cidades têm umregime especial
dentro do Espaço Schengen, que impede automaticamente que os migrantes que
chegam à região se desloquem livremente para a Espanha continental.
Segundo as autoridades espanholas, mais de72 mil migrantes tentaram entrar em Ceuta a partir do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho. A travessia deixou ao menos cem mortos.
A crise provocou repercussões políticas na Europa. Diante da chegada em massa de migrantes, o governo da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni chegou a defender o fechamento do Espaço Schengen para a Espanha.
O prolongamento dos controles
fronteiriços também contribuiu para aumentar as tensões diplomáticas entre Roma
e Madri. Críticos do governo italiano afirmam que a medida tem efeito
principalmente simbólico e responde à pressão interna sobre Meloni na questão
migratória.
A
coalizão conservadora no poder enfrenta ainda a concorrência do partido de
extrema direita Futuro Nazionale, liderado pelo ex-general Roberto
Vannacci, que tem conquistado apoio com um discurso mais duro contra a
imigração irregular.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou nesta segunda-feira que uma campanha de desinformação contribuiu para agravar a crise em Ceuta.
Segundo o chefe de governo,
investigações baseadas em análises do Serviço Europeu para a Ação Externa
(SEAE), braço diplomático da União Europeia, indicam que redes russas e
israelenses teriam ajudado a difundir conteúdos falsos sobre a situação no
enclave espanhol.
Vídeos publicados nas redes sociais
afirmavam, de forma enganosa, que os migrantes que chegassem a Ceuta poderiam
permanecer na Espanha, incentivando novas travessias.
Sánchez declarou ser
"evidente" que Moscou e Tel Aviv aproveitaram a situação para tentar
enfraquecer o governo espanhol por causa das posições adotadas por Madri em
relação às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
O premiê, porém, não apresentou provas
públicas da participação dos dois países.
O governo espanhol também descartou, por
ora, qualquer evidência que comprove envolvimento das autoridades marroquinas
na chegada em massa de migrantes, apesar das acusações feitas por setores da
oposição e por organizações de defesa dos direitos humanos.
Israel acusa Pedro Sanchéz de “mentira
descarada” após as declarações do premiê sobre Ceuta.
Cerca
de 5 mil migrantes continuam em Ceuta, incluindo pessoas que solicitaram asilo.
A permanência dessas pessoas tem provocado protestos frequentes de
moradores, que criticam a gestão da crise pelo governo central.
A polícia local relatou ataques esporádicos contra um acampamento improvisado instalado na praia de El Trampolín. No domingo, três cidadãos marroquinos foram presos sob suspeita de lançar garrafas contendo líquido corrosivo contra agentes de segurança. Ninguém ficou ferido.
Para tentar aliviar a situação, Pedro
Sánchez anunciou um fundo emergencial de € 168 milhões para apoiar a economia
local. O valor se soma aos 180 milhões de euros anunciados pelo governo
espanhol na semana passada.
ANG/RFI/Com agências





