terça-feira, 1 de setembro de 2026

            Botsuana/ONG denuncia a “escravidão” de médicos cubanos

Bissau, 01 Set 26 (ANG) - Uma ONG acusou Botsuana de apoiar conscientemente um sistema de "escravidão moderna" envolvendo profissionais de saúde cubanos destacados para o exterior como parte de programas gerenciados pelo Estado cubano.

O Botswana paga quase 55.000 pula (US$ 4.000) por mês a cada um dos médicos especialistas cubanos que trabalham no país, enquanto esses profissionais recebem apenas cerca de 13.400 pula (menos de US$ 1.000), de acordo com um relatório publicado esta semana pela organização de direitos humanos "Prisoners Defenders".

Segundo a ONG, um acordo concluído em 2024 entre Botsuana e Cuba prevê que Gaborone pague US$ 4.094,65 por mês para cada médico especialista cubano, mas os médicos receberiam apenas US$ 1.000, sendo o restante pago ao governo cubano.

"O profissional cubano recebe apenas US$ 1.000 (24,42%)", enfatiza o relatório, que considera essa remuneração como prova da existência de "salários de escravidão".

A organização observa que esse mecanismo permite ao Estado cubano capturar a maior parte do valor económico gerado por esses profissionais de saúde.

Segundo ela, aproximadamente 75,6% do valor estipulado no contrato seria retido das quantias destinadas aos médicos.

A organização estima que um contingente de 90 profissionais de saúde cubanos custaria ao Botswana aproximadamente 350.500 dólares americanos por mês e 4,2 milhões de dólares americanos por ano.

O relatório considera que o Botswana não pode ignorar a forma como os fundos são alocados, uma vez que o acordo estipula que as faturas devem distinguir entre as quantias destinadas aos próprios profissionais e as transferidas para o Estado cubano.

Ele também cita documentos parlamentares de Abril de 2025, segundo os quais o Botswana pagava 3.500 euros por mês para cada médico especialista cubano e 2.800 euros para pessoal médico auxiliar.

No entanto, a organização acredita que as informações fornecidas ao Parlamento não esclareceram suficientemente que esses valores não constituíam salários pagos diretamente aos médicos.

O relatório indica que os médicos especialistas cubanos receberam aproximadamente US$ 800 por mês em 2020, em comparação com quase US$ 1.000 em 2026, enquanto Botsuana pagou mais de US$ 4.000 por especialista durante o último período.

Com base nesses números, a organização estima que o valor anual estipulado em contrato para cada médico seja de aproximadamente US$ 49.136, enquanto o profissional receberia apenas cerca de US$ 12.000.

A diferença, estimada em US$ 37.136 por médico por ano, seria retida pelo Estado cubano, observa o relatório, acrescentando que alguns médicos teriam declarado trabalhar entre 56 e 64 horas por semana, com uma média de 57,6 horas.ANG/Faapa

 

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