Economia/ Primeiro-ministro defende estabelecimento de Novo Programa Económico e
Financeiro com FMI
Bissau, 03 Nov 26 (ANG) – O Primeiro ministro de Transição, Ilídio
Vieira Té defendeu o início das discussões para a celebração de um novo
programa económico e financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para
consolidar os progressos alcançados, aprofundar as reformas e reforçar a
credibilidade internacional do país.
A posição foi manifestada hoje, em conferência de imprensa conjunta, no
âmbito da 12ª e última avaliação do programa económico e financeiro com o FMI,
iniciado em Janeiro de 2023.
O chefe do Governo disse que é positiva a avaliação do percurso do
programa, apesar das dificuldades políticas, institucionais e económicas
enfrentadas pelo país.
Destacou que os resultados alcançados constituem um mérito colectivo do
Estado guineense, das instituições e dos parceiros internacionais que acompanham
a execução do programa.
Relativamente as perspectivas económicas, o Primeiro-ministro indicou
que as projeções apontam para um aumento real do Produto Interno Bruto (PIB) de
5,2 por cento em 2026 para 5,8 por cento
em 2027.
Acrescentou que as receitas
fiscais deverão igualmente conhecer uma evolução, passando de 142,5 mil milhões
de francos CFA em 2026 para 164,7 mil milhões em 2027.
Quanto ao défice orçamental, incluindo donativos, Ilídio Vieira Té
afirmou que deverá diminuir de 7 por cento do PIB, em 2025, para 4,2 por cento
em 2026, com uma previsão de redução para 2,8 por cento em 2027.
Apesar das perspectivas encorajadoras, o chefe do Executivo reconheceu
que a dívida pública, estimada em 76, 9 por cento do PIB, continua elevada,
enquanto a pressão fiscal, situada em 9,1 por cento, permanece insuficiente,
exigindo prudência, disciplina financeira e continuidade das reformas.
Ilídio Vieira Té sublinhou que o crescimento económico só terá
significado quando se traduzir na criação de emprego, aumentando os
rendimentos, melhoria dos serviços públicos e das condições de vida da
população.
Neste quadro, o Primeiro-ministro reafirmou o compromisso do Governo com
a consolidação das finanças públicas, modernização fiscal e aduaneira, transparência na gestão pública e mobilização de financiamentos concessionais.
Disse que um eventual novo
programa com o FMI deverá estar alinhado com o Plano Nacional de
Desenvolvimento, incluindo investimentos prioritários nos sectores de educação,
saúde, infraestruturas, energia, agricultura e diversificação económica.
O chefe do Governo esclareceu que a intenção não é de estabelecer um programa orientado apenas para
o cumprimento de metas financeiras, mas sim, criar um instrumento capaz de
promover o crescimento produtivo, a criação de emprego e o desenvolvimento
social.
Destacou a importância da continuidade das políticas económicas, do
respeito pelos compromissos internacionais e da manutenção da confiança dos parceiros,
considerando que a credibilidade do país se conquista através de resultados, transparência
e cumprimento das responsabilidades assumidas.
Ilídio Vieira Té afirmou que o êxito do programa deverá ser medido pela
capacidade de transformar a estabilidade macroeconómica em estabilidade social
e o crescimento económico em melhores condições de vida para a população
guineense.
Segundo o chefe da missão do FMI, Nico Hobdar , a conclusão da última
avaliação do programa de crédito alargado(PCF) encerra assim os quatro anos de
acompanhamento económico e financeiro do país.
O chefe da missão esclareceu que a conclusão do processo vai agora ser
submetida a aprovação do Conselho da Administração do FMI.
Nico Hobdar referiu que antes deste programa, a Guiné- Bissau já tinha
beneficiado de um programa de curto prazo, iniciado na sequência da pandemia da
COVID-19.
O chefe da missão do FMI manifestou satisfação com os progressos
económicos registados durante o período de implementação do PCF, e destacou a
melhoria de vários indicadores macroeconómicos.
De acordo com o Nico Hobdar, no quadro desse programa, a Guiné-Bissau
melhorou significativamente o nível de inflação, o défice orçamental e a sua
dívida
pública, que apresentavam níveis elevados no início da implementação do
PCF.
Destacou que, a inflação situa atualmente em zero, com uma ligeira
tendência negativa, enquanto o crescimento económico mantém-se forte.
Acrescentou que, a evolução da conta corrente apresenta resultados muito
positivos, com benefícios para os agricultores e para o consumo no país.
Nico Hobdar destacou os progressos registados pela Guiné-Bissau no
domínio das infraestruturas, considerando que os resultados do programa económico
não se limitam à melhoria dos indicadores macroeconómicos.
Segundo o chefe da missão do FMI, para além do crescimento económico e a
redução da inflação, o país registou melhorias na construção e reabilitação de
estradas, na expansão da rede elétrica.
Sublinhou que a avaliação do desempenho económico deve igualmente ter em
conta os investimentos realizados nas infraestruturas e a melhoria do acesso ao
fornecimento de energia elétrica.
Nico Hobdar disse que a expansão da rede elétrica e o desenvolvimento
das infraestruturas rodoviárias e portuárias constituem progressos importantes
para o desenvolvimento do país. ANG/LPG/ÂC//SG