Médio Oriente/Violência sexual e tortura marcam guerra entre Israel e Hamas, apontam relatórios
Bissau, 20 Mai 26 (ANG) - A ONU acusa Israel de torturar e violentar sexualmente prisioneiros palestinos detidos no país após os ataques do Hamas em 7 de Outubro de 2023.
Já uma comissão civil de investigação israelense acusa o Hamas de ter praticado crimes e torturas sexuais durante os ataques contra as comunidades do sul de Israel.Alice Jill Edwards, Relatora Especial da
ONU sobre tortura, divulgou um relatório em que responsabiliza as autoridades
israelenses por 52 episódios de tortura ou maus-tratos contra prisioneiros
palestinos. Ela também relatou outros 33 casos de tortura sexual e maus-tratos
de cunho sexual, com pessoas tendo relatado múltiplas formas de abuso.
A investigação orientou Israel a “rever
e reformular suas leis, políticas e práticas de detenção” a partir de uma
comunicação que “reúne um conjunto substancial de alegações de tortura,
violência sexual e outros abusos graves” nas prisões israelenses.
“Na minha opinião, o número e a
crueldade das alegações compiladas demonstram um grave desrespeito por parte de
Israel ao seu dever de tratar todos os detidos com humanidade e sem
discriminação, o que encorajou, tolerou e acatou a tortura e os maus-tratos,
por vezes com apoio em níveis ministeriais e funcionais”, declarou a
especialista por meio de comunicado emitido pela ONU.
As
alegações de tortura sexual incluem um caso de estupro anal e vaginal repetido
e dois casos de estupro com objeto. Onze détentes do sexo masculino relataram
espancamentos, agarrões, choques eléctricos e ataques de cães aos seus
órgãos genitais.
Procurado pela RFI, o governo de Israel
respondeu que “após as atrocidades de 7 de Outubro, há uma campanha maliciosa
para absolver o Hamas do uso sistemático e premeditado de violência sexual,
promovendo uma narrativa inversa na qual Israel é o autor de tais crimes.
Israel repudia categoricamente essa campanha e tais acusações”.
Sobre as acusações, Israel afirma que
“qualquer denúncia apresentada às autoridades competentes será investigada com
a máxima seriedade”.
O ponto de partida para a investigação e
para a coleta dos relatos dos prisioneiros foi o registo, segundo a relatora da
ONU, de pelo menos 94 mortes sob custódia israelense desde Outubro de
2023.
Exames nos corpos em vários dos casos
mostraram múltiplas fraturas de costelas, hemorragias na pele e em órgãos
internos, além de lacerações em órgãos abdominais internos.
Essas denúncias da relatora da ONU são
resultado de uma investigação realizada após os ataques do Hamas a Israel, em 7
de Outubro de 2023, que marcam o início do atual ciclo de violência que ainda
prossegue.
Um amplo relatório pela Comissão Civil
que investiga os ataques de 7 de Outubro de 2023 realizados pelo Hamas mostra
que os extremistas palestinos não “apenas” assassinaram mulheres israelenses,
mas as profanaram de forma “deliberada e sistemática”.
O relatório intitulado “Silenciados
Nunca Mais” reúne evidências apontando que as mulheres foram brutalizadas como
"instrumento deliberado de terror, humilhação e controle". Homens
também foram abusados sexualmente e, em pelo menos um caso registado,
estuprados coletivamente.
Ao longo de mais de dois anos, mais de
430 testemunhas, sobreviventes, especialistas e profissionais da saúde
prestaram depoimento à Comissão Civil, uma ONG israelense independente de
direitos das mulheres criada após os ataques de 7 de Outubro de 2023, em
resposta ao que a organização chama de “omissão das instituições internacionais
em lidar com a violência sexual cometida naquele dia”.
Foram examinados testemunhos, imagens de
geolocalização, mensagens de texto, reportagens e informações de fontes
abertas.
O relatório mostra que havia um padrão
recorrente de estupro e estupro coletivo; tortura sexual; mutilação; tiros
direcionados ao rosto, cabeça e região genital; nudez forçada; amarras e
imobilização; queimaduras genitais; objetos inseridos em áreas íntimas;
humilhação sexual pós-morte; e execução durante ou após agressão sexual.
A Comissão Civil examinou mais de dez
mil fotografias e vídeos dos ataques liderados pelo Hamas, totalizando mais de
1.800 horas de análise visual.
Mulheres
israelenses fpram despidas, amaradas, esfaqueadas, baleadas e queimadas.
Foram
executadas durante e após o estupro, em meio a uma orgia de violência na qual
1.200 pessoas foram mortas e 250 feitas reféns.
Cabeças foram decapitadas. Ossos
pélvicos, quebrados. Mesmo após a morte, os abusos sexuais continuaram.
No Kibutz Be'eri, no sul de Israel,
pregos, objetos cortantes e pedaços de metal e plástico foram encontrados
incrustados no corpo de uma mulher que foi descoberta nua e amarrada. Em outra
vítima, foram usadas granadas.
Os extremistas do Hamas atiraram em seus
olhos, rostos e seios, e até mesmo em suas partes mais íntimas.
"O objetivo era a humilhação, não a
vitória", disse Eran Masas à Comissão Civil. Ele foi um dos primeiros a
responder a uma dessas situações.
Darin Komarov, sobrevivente do ataque do
Hamas à festa Nova, escondeu-se em um trailer, onde ouviu pelo menos três
estupros distintos.
"Ouvi um estupro em que a passavam
de mão em mão. Ela provavelmente estava ferida, a julgar pelos gritos – gritos
que você nunca ouviu em lugar nenhum. É uma alternância entre silêncio e
gritos, entre dor e o desejo de morrer. E depois que terminaram, atiraram nela.
Você ouve um estrondo – e silêncio”, relatou.
“Havia risos. Havia piadas. Eles a
passavam de mão em mão... Era feito por diversão”, contou.
Repetidamente, desde os primeiros
relatos, o Hamas nega que tenha cometido qualquer crime sexual. ANG/RFI

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