Suíça/Diretor-geral da OMS alerta para propagação da epidemia de Ébola e justifica emergência
Bissau, 20 Mai 26(ANG) - O diretor-geral da OMS justificou terça-feira que declarou como emergência de saúde pública de importância internacional a atual epidemia de Ébola na África Central, antes de convocar o comité de emergência, pela escala e velocidade de propagação da doença.
Tedros
Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde
(OMS), falava perante o comité de emergência e, no seu
discurso, justificou que tomou a medida de declaração de emergência,
no domingo, "em conformidade com o Artigo 12.º do Regulamento Sanitário
Internacional, após consultar os ministros da Saúde" da República
Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda.
Após
as conversações, concluíram que "a escala e a velocidade da epidemia
exigiam uma ação urgente", acrescentou Ghebreyesus.
De
acordo com diretor-geral da OMS, até ao momento, foram confirmados 30 casos na
RDCongo - nação vizinha de Angola - na província de Ituri, no nordeste do
país, que enfrenta também um conflito com vários grupos rebeldes, nomeadamente
o Movimento 23 de Março (M23).
O
Uganda também informou a OMS de dois casos confirmados na capital, Kampala,
incluindo uma morte, entre dois indivíduos que viajaram a partir da RDCongo,
sua nação vizinha.
"Existem
vários fatores que justificam uma séria preocupação quanto ao potencial de
maior propagação e de mais mortes", alertou, enumerando esses fatores.
Primeiro,
além dos casos confirmados, existem mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes.
Segundo,
foram registados casos em áreas urbanas, incluindo Kampala, a cidade de Goma na
RDCongo e Bunia, que é uma grande cidade, prosseguiu.
Terceiro,
foram registadas mortes entre profissionais de saúde, o que indica uma
transmissão associada aos cuidados de saúde, alertou.
Quarto,
existe um movimento populacional significativo na área,
nomeadamente na província de Ituri, que é altamente insegura,
explicou.
Por
fim, disse ainda que esta epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo,
uma espécie de vírus Ébola para a qual não existem vacinas nem tratamentos
terapêuticos.
A
OMS tem uma equipa no terreno a apoiar as autoridades nacionais na resposta e
mobilizou pessoal, mantimentos, equipamentos e fundos, anunciou.
Para
sustentar tais ações, Ghebreyesus aprovou um valor adicional de 3,4
milhões de dólares (de cerca de 3,13 milhões de euros) do Fundo
de Contingência para Emergências (CFE), elevando o total para 3,9 milhões de
dólares (cerca de 3,36 milhões de euros).
O
Fundo de Contingência para Emergências da OMS é um mecanismo financeiro de
resposta rápida, e está desenhado para libertar uma primeira tranche de até
500.000 dólares em 24 horas ou menos, de forma a que as equipas da organização,
possam atuar como primeiros intervenientes imediatos.
O CFE disponibiliza capital imediato enquanto mecanismos mais lentos ou de maior dimensão --- como o Fundo Central das Nações Unidas para a Resposta a Emergências (CERF) --- são mobilizados.
Face
à propagação da doença, hoje o prémio Nobel da Paz Denis Mukwege apelou ao
movimento rebelde M23 que reabra o aeroporto de Goma, um polo
humanitário no leste da RDCongo, a fim de facilitar a resposta à epidemia de
Ébola.
A
RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite
através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas
infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores
musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos,
diarreia e hemorragias internas. ANG/Inforpress/Lusa

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