Fórum Macau
aberto à adesão de São Tomé e Príncipe
Bissau, 29 Dez (ANG) - O Fórum para a Cooperação Económica e
Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) tem uma
“atitude aberta” à entrada de São Tomé e Príncipe, que restabeleceu esta semana
relações diplomáticas com Pequim.

“São Tomé e Príncipe é um dos membros familiares da lusofonia, pelo que o
Secretariado Permanente tem uma atitude aberta quanto à sua participação no
Fórum de Macau.
Caso a parte santomense apresente o pedido, o Secretariado
Permanente está disposto em submeter aos países participantes do Fórum para
efeitos de discussão”, indicou hoje à Lusa o Gabinete de Apoio ao Secretariado
Permanente do Fórum Macau.
No dia 20 deste mês, São Tomé e Príncipe cortou relações diplomáticas com
Taiwan e reconheceu a República Popular da China. Seis dias depois, na
segunda-feira, a China anunciou o restabelecimento dos laços diplomáticos com o
país.
São Tomé e Príncipe encontrava-se, até agora, excluído do Fórum Macau devido
às relações com Taiwan.
Criado em 2003 por Pequim, o Fórum Macau tem um Secretariado Permanente e
reúne a nível ministerial a cada três anos.
Na V Conferência Ministerial, em Outubro, não esteve qualquer representante
de São Tomé, apesar de o país ter participado como observador nas reuniões do
Fórum e de em 2013 ter enviado, pela primeira vez, um representante com a
categoria de ministro.
São Tomé e Príncipe suspendeu relações com Pequim em 1997, reconhecendo
Taiwan. No entanto, o presidente Manuel Pinto da Costa visitou a China em pelo
menos duas ocasiões.
Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a "reunificação
pacífica", mas ameaça "usar a força" caso a ilha declare
independência.
Já Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o
Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como
República da China.
Pequim e Taipé afirmam que existe uma só China.
Quando São Tomé decidiu reconhecer Taiwan, a ilha era um dos quatro
"tigres asiáticos", ao lado da Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura.
Apoiada numa pujante economia, Taiwan investia muito dinheiro na expansão do
seu espaço político internacional.
Entretanto, a República Popular da China tornou-se a segunda maior economia
mundial, com as maiores reservas cambiais do planeta, no valor de 3,44 biliões
de dólares.
ANG/Lusa/Inforpress