França/Deputados franceses negros da esquerda radical recebem mensagens racistas
Bissau, 02 Abr 26 (ANG) - Vários deputados negros do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI) receberam uma carta anônima de conteúdo racista, que retrata “pessoas negras de maneira desumanizada e primitiva”, denunciou a legenda em um comunicado nesta quinta-feira (2).
A carta
foi enviada aos parlamentares Nadège Abomangoli, Danièle Obono, Aly Diouara e
Carlos Martens Bilongo.
O
texto menciona, além de seus nomes, os do novo prefeito de Saint-Denis, na
região parisiense, Bally Bagayoko, e o do líder do partido, Jean-Luc Mélenchon,
e traz a frase “fugitivos do zoológico de Beauval”, segundo um comunicado.
A carta ainda traz uma imagem deturpada de
uma página da história em quadrinhos Tintin
au Congo (Tintin
no Congo em tradução livre).
As tirinhas foram publicadas no início dos
anos 1930 no jornal belga Le
Petit Vingtième, e o álbum foi lançado nos anos 1940.
A obra de Hergé, que vendeu cerca de 10
milhões de exemplares no mundo, reproduz estereótipos colonialistas, ilustrando
personagens africanos como infantilizados, submissos ou caricaturados
fisicamente, e já foi alvo de ações judiciais na Bélgica.
“Um ataque racista desse tipo é absolutamente
inaceitável e exige uma condenação unânime de toda a classe política”, afirma o
LFI, que denuncia um contexto de “campanha racista persistente desde a eleição
de Bally Bagayoko à prefeitura de Saint-Denis”.
Bally Bagayoko, 52, nascido na região
parisiense e filho de malineses, é alvo de uma campanha de ódio propagada pela
extrema direita na rede social X, além de comentários polémicos no canal CNews, denunciados por
vários parlamentares e associações antirracistas à Arcom, órgão regulador do
audiovisual e do digital.
Em
entrevista à agência AFP nesta quarta-feira (1°), Bagayoko
denunciou “uma sociedade cada vez mais racista” e pediu o fechamento do
canal CNews. Diante de um “racismo que está mais afirmado e praticamente sem
freios”, o prefeito da segunda maior cidade da Île-de-France (região
metropolitana de Paris) considera que “a Arcom deve ser muito mais severa” em
relação e que a Justiça deve ser “muito mais firme”. Ele registou queixa,
convocou uma grande “mobilização cidadã” contra o racismo e a discriminação
para sábado (4), na esplanada da prefeitura de Saint-Denis, ao norte da
capital.
“Os clichês coloniais difundidos por alguns
meios de comunicação e responsáveis políticos, que replicam de forma
complacente as informações falsas divulgadas pela extrema direita, contribuem
diretamente para o clima de ódio e para o assédio do qual nossos eleitos são
vítimas”, afirma a LFI, que denuncia a “omissão do governo”.
Para o partido de
esquerda radical, essas mensagens não são “atos isolados”, mas “fazem parte de
um conjunto de agressões (simbólicas e físicas) e discriminações das quais
pessoas negras e racializadas são vítimas diariamente – algo que o governo se
recusa a reconhecer e combater”.
O ministro do
Interior, Laurent Nuñez, anunciou na terça-feira, na Assembleia Nacional, que o
governo “estuda” a possibilidade de abrir “processos criminais” contra os
autores dos comentários polémicos na CNews dirigidos a Bagayoko,
classificando-os de “ignóbeis” e “absolutamente inaceitáveis”.
ANG/RFICom agências

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