Caso Campo Rádio/”Pretendemos vender parte do terreno para satisfazer parte da dívida social que a empresa tem com os trabalhadores”, diz PCA da Guiné Telecom
Bissau,
17 Abr 26(ANG) – O Presidente do Conselho de Administração da Guiné Telecom disse
que estão em curso o processo de venda
de parte do terreno do Campo Rádio, sito no Bairro Militar, que constitui o seu
património, para satisfazer parte de dívida social que a empresa tem com os
trabalhadores.
João António Mendes falava hoje, em conferência de imprensa, de esclarecimento à opinião pública sobre as ondas de reivindicações dos moradores do Bairro Militar, que alegam estarem a ser desprovidos de um espaço onde os jovens praticam o futebol.
“É
de conhecimento público que a empresa Guiné Telecom entrou em falência técnica
desde 2014”,disse João António Mendes.
Acrescentou
que, em 2019, depois de um estudo realizado com financiamento do Banco Mundial
foram produzidas recomendações que aconselham ao Governo a proceder a
rescisão de contrato com os trabalhadores de forma a evitar a acumulação contínua
de dívidas relativas a salários.
“O
Governo chegou a um acordo com a administração da Guiné Telecom e posteriormente
com os Sindicatos, tanto da Guiné Telecom como da Guiné Tel visando proceder a
rescisão de contratos, através de um processo de despedimentos”, disse.
Segundo
aquele responsável, o processo foi levado a cabo a partir de Dezembro de 2019 e
na altura o Executivo não tinha
condições financeiras para pagar a totalidade das dívidas que a empresa
contraiu com os trabalhadores, nomeadamente uma parte de dívida salarial,
segurança social, indemnização de despedimentos de trabalhadores entre outras.
“Iniciamos
as negociações em 2019 e tendo em conta as dificuldades financeiras do Governo
so se conseguiu o pagamento de uma parte da dívida salarial e o remanescente da dívida ficou por pagar
posteriormente, mas até hoje o Governo
não conseguiu honrar essa promessa”, frisou.
O
PCA da Guiné Telecom disse que a situação terá provocado o agravamento da situação dos trabalhadores, em
termos de saúde e relações familiares,
devido a falta de rendimento económico.
“Entretanto,
o Conselho de Administração juntamente com sucessivos Governos tentou buscar várias
soluções para a resolução do problema, dentre os quais crédito junto de bancos
comerciais, infelizmente não foi possível e entabulamos contactos junto dos
Governos para ver a possibilidade de desbloquear outros fundos, mas, também não
foi possível”, sublinhou.
Em
2024, de acordo com João António Mendes, a administração da empresa fez uma
sugestão ao Governo para lhe deixar vender uma parte do terreno, seu património,
para a resolução dos problemas dos trabalhadores, visto que as suas situações estão a tornar cada vez mais
difíceis.
“Foi
realizada uma Assembleia Geral da empresa em Março de 2024, em que o Governo esteve representado e foi nesse reunião que se tomou a decisão de
venda da parte desse terreno ”, afirmou.
Acrescentou que em 2025, o Governo reunido em Conselho de
Ministros deu anuência à Administração da Guiné Telecom para a venda de parte
do referido terreno.
Aquela
responsável disse que a administração da Guiné-Telecom decide reservar parte do terreno para a prática de desporto(futebol) desde 2025.
“E a
partir daí a Administração tem toda a liberdade e legitimidade de proceder com
as orientações que recebeu. E dai contactou a Câmara Municipal de Bissau (CMB)
para lhe apresentar os trabalhos topográficos que pretende fazer dentre os
quais a salvaguarda de um espaço para a prática desportiva concretamente
futebol 11.
António
Mendes disse que os trabalhos da CMB ,
em curso, apesar de dificuldades impostas pelos moradores que deitaram lixos no
espaço, se encontram na fase de implementação do plano urbanístico.
“Foi
daí que surgiram as revindicações dos moradores
com alegações de que l o terreno onde os jovens praticam futebol está
a ser vendido”, disse o PCA da Guiné-Telecom João António Mendes.ANG/ÂC//SG

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