Camarões/Papa Leão XIV pede para
multidão 'não se entregar ao desespero'
Bissau, 17 Abr 26 (ANG) - Uma multidão de cerca de 120 mil pessoas assistiu à missa do papa Leão XIV nesta sexta-feira (17) em Douala, capital económica dos Camarões, segundo o Vaticano.
Os fiéis
esperaram por horas sob um calor escaldante para a celebração da missa, muitos
vestindo roupas com a imagem do pontífice.
O governo local menciona um
número bastante superior de participantes, de cerca de um milhão de
pessoas. "Viva o papa!", cantava a multidão quando o pontífice
americano chegou no papamóvel à esplanada do Estádio Japoma. Leão
XIV acenou com ramos de oliveira, símbolo da paz, e bandeiras do
Vaticano.
Em sua homilia, proferida em francês, o
papa conclamou os camaroneses a serem "agentes do futuro" e a
"rejeitarem todas as formas de abuso e violência". "Não se
entreguem ao desespero ou ao desânimo", disse ele.
Referindo-se ao milagre da multiplicação
dos pães narrado nos Evangelhos, o papa afirmou: "Há pão para todos se for
dado a todos. Há pão para todos se for tomado, não com mão que arrebata, mas
com mão que dá".
Em meio a um forte esquema de
segurança, alguns camaroneses passaram a noite no estádio para conseguir um
lugar na primeira fila durante a missa. “Ver o papa me deu uma sensação de
libertação. Fiquei profundamente comovida com sua mensagem, especialmente com
seu apelo à partilha”, confidenciou Edith Fifi, uma esteticista de 25 anos.
Desde sua chegada ao país, na
quinta-feira (16), os pronunciamentos do pontífice têm sido marcados por um
forte foco social: na quinta-feira, ele denunciou “o mal causado de fora, por
aqueles que, em nome do lucro, continuam a se apoderar do continente africano
para explorá-lo e saqueá-lo”.
“O
mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido
por uma multidão de irmãos e irmãs em solidariedade!”, reiterou o papa em
Bamenda, capital da região noroeste de língua inglesa, assolada por um conflito
entre as forças governamentais e grupos separatistas armados.
Diante das autoridades, principalmente de Paul Biya, de 93 anos, que está no poder desde 1982 e foi recentemente reeleito para um oitavo mandato, o pontífice proferiu um discurso firme, apelando para "quebrar as correntes da corrupção”.
A reeleição de Biya, em outubro,
desencadeou protestos, durante os quais 48 pessoas foram mortas pelas
forças de segurança, segundo fontes da ONU, quase metade delas na região de
Douala.
Após a missa, o papa visitará o Hospital
Católico de São Paulo, em Douala, e retornará a Yaoundé, onde discursará para a
comunidade académica. Ele concluirá sua visita com uma celebração
litúrgica privada na manhã de sábado.
"Nosso país precisa de uma poderosa
bênção para que a esperança renasça", declarou o bispo Léopold Bayemi
Matjei de Obala, a cerca de uma hora ao norte de Yaoundé.
O
pontífice continuará esta intensa viagem por Angola e Guiné Equatorial, até 23
de abril. A etapa inicial foi uma visita histórica á Argélia.
ANG/RFI/ AFP/Reuters

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