EUA/FMI considera corte na ajuda humanitária "o maior golpe macroeconómico" para África
Bissau,
17 Abr 26(ANG) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que o corte
na ajuda dos doadores aos países africanos pode reduzir o financiamento em até
sete mil milhões de dólares e é "o maior golpe macroeconómico" que
estes países enfrentam.
"Os
cortes na ajuda infligirão o maior golpe macroeconómico aos países de baixo
rendimento e aos países frágeis e em conflito” lê-se numa análise especial
distribuída em conjunto com o relatório económico sobre os países da África
subsaariana, no âmbito dos Encontros da Primavera, que decorrem esta semana em
Washington.
Nestes
países, “a incerteza acrescida em torno dos cortes, as restrições na
capacitação, o espaço orçamental limitado e as dolorosas escolhas políticas
significam que as reduções vão traduzir-se em ventos contrários ao crescimento
mais acentuados, condições humanitárias agravadas e pressões orçamentais mais
intensas do que em choques anteriores".
Na
análise, o FMI diz que já houve outras vagas de corte na ajuda externa aos
países africanos, mas avisa que "desta vez é diferente", salientando
que "mesmo os países com reservas suficientes para compensar os cortes
enfrentarão uma deterioração das suas posições orçamentais, € por isso não há
vencedores".
O
valor da ajuda bilateral aos países africanos caiu entre 16% e 28% no ano passado,
diz o FMI, citando os dados da OCDE, que colocam a queda num valor entre quatro
e sete mil milhões de dólares, ou seja, entre 3,3 e 5,9 mil milhões de euros
face aos níveis de 2024, principalmente devido ao encerramento da agência dos
Estados Unidos para a ajuda internacional, a USAID.
A
Etiópia, a República Democrática do Congo e a Nigéria são os países mais
afetados em termos do valor, mas o FMI diz que onde o corte se vai sentir mais
é nos países onde o valor, ainda que mais reduzido, significa uma maior
percentagem do financiamento internacional.
Assim,
o FMI refere por exemplo o Sudão do Sul e a República Centro-Africana, que
poderão perder ajuda superior ao equivalente a 10% das suas receitas públicas,
sendo a ajuda humanitária a mais afetada.
A
agravar a situação está o facto de as próprias agências internacionais de ajuda
humanitária enfrentarem cortes no seu financiamento, acrescenta o FMI.
A
Programa Alimentar Mundial, o Fundo das Nações Unidas para a Infância e a
Organização Mundial da Saúde projetam reduções de 34%, 27% e 39% no
financiamento nos próximos anos face aos anos de 2023 e 2024, refere.
A
diferença face aos cortes em anos anteriores tem a ver com a escala e
amplitude, a rapidez, simultaneidade e natureza inesperada, e a limitação das
fontes alternativas que possam compensar a redução, sustenta a instituição
financeira.
Neste
sentido, o FMI alerta ainda que os países africanos planeiam "aumentar o
endividamento para compensar parcialmente a ajuda perdida, o que, em alguns
casos, pode aumentar os riscos de sustentabilidade da dívida" e outros
pretendem aumentar a mobilização de receitas internas, diminuindo ainda mais o
rendimento dos cidadãos.
O
FMI prevê um crescimento de 4,3% este ano e 4,4% em 2027 para a África
subsaariana, num contexto de particular incerteza devido aos efeitos da guerra
no Médio Oriente. ANG/Inforpress/Lusa

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