Cultura/ Artistas nacionais e estrangeiros dão com pinturas outro rosto ao murro do Estádio Lino Correia em Bissau
Bissau,24 Abr
26 (ANG) – Artistas plástico de
diferentes nacionalidades embelezam o murro do Estádio de Futebol Lino Correia,
em Bissau com pinturas diversas, transmitindo ideais de Amílcar Cabral e da
luta armada de libertação nacional da Guiné-Bissau.
O evento conta com a participação de artistas
provenientes do Senegal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Brasil, e foi financiado pela Fundação Calouste
Gulbenkian, após candidatura do grupo cultural Netos de Bandim, com o apoio do
Centro Cultural Franco-Bissau Guineense.
Segundo
Djata, as pinturas funcionam como uma forma de comunicação silenciosa,
convidando o público a se refletir sobre os ideais de Amílcar Cabral e o
significado da independência, tanto no passado como na atualidade.
“O mural
transforma-se, assim, num museu a céu aberto, acessível aos guineenses e, em particular,
aos residentes da capital”, disse Hipólito Djata.
O artista
destacou que os trabalhos decorrem com normalidade e com “forte interacção” do
público, e criticou a prática de urinar nas ruas, sobretudo junto ao murro
objecto de obras de pintura, e diz que tal comportamento prejudica a imagem do país.
Nesse
sentido, Ismael Hipólito Djata apela às autoridades, nomeadamente o Ministério
da Juventude ,Cultura e Desportos e a Câmara Municipal de Bissau , a criação de
mecanismos de proteção do mural.
Ismael Djata
lamentou a escassez de murais no país, e
sustenta que a arte urbana pode
estimular maior participação do público. ”O setor cultural tende a priorizar a
música, enquanto a pintura incentiva a reflexão e a harmonia social”, disse.
Questionado
sobre o impacto da arte na mudança de mentalidades, Ismael Hipólito Djata
afirmou que os murais podem contribuir para comportamentos mais cívicos,
apontando como exemplos, os países : México e a França, onde, diz, a arte urbana tem desempenhado um papel
relevante no desenvolvimento.
O artista diz
existir na Guiné-Bissau um potencial de
jovens guineenses no domínio artístico. “ o país é “uma mina de talentos”,
disse.
Djata
destacou a necessidade de criação de
escolas de arte e de um plano cultural estruturado, incluindo o mapeamento das
expressões culturais dos diferentes grupos étnicos nacionais.
Ismael
Hipólito Djata pede maior colaboração entre os Ministérios da
Cultura, Juventude e Desporto e da Educação para a introdução de oficinas artísticas
nas escolas, e lamenta a falta de
espaços de exposição e de materiais para a produção artística.
Para a artista moçambicana, Sandra Pizura , para
além do tema da independência, o projeto reforça os laços de irmandade entre
países africanos.
“Cada
artista contribui com a sua identidade e linguagem artística, resultando num
mural que integra diferentes estilos, desde o realismo ao abstrato
”, disse
Pizura.
Ela destacou
que o mural pretende comunicar e transmitir uma mensagem, tanto para os
residentes como para os visitantes, promovendo a reflexão sobre a história.
Acrescentou
que iniciativas deste tipo representam uma oportunidade de intercâmbio e
crescimento artístico.
Sandra
Pizura agradeceu ao grupo cultural Netos de Bandim e ao Centro Cultural Franco-Bissau-Guineense
, e manifesta o desejo de participar em futuras residências artísticas com
maior envolvimento internacional.
Tal como
Hipólito Djata, Sandra criticou igualmente a atitude de alguns cidadãos que não
se hesitam em urinar no mural ainda em obras de pintura.
Bissau com
os seus mais 500 mil habitantes dispõe apenas de um urinol público, situado na
praça dos heróis nacionais. ANG/LPG/ÂC//SG

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