sexta-feira, 24 de abril de 2026

Cultura/ Artistas nacionais e estrangeiros dão com pinturas outro rosto ao  murro do Estádio Lino Correia em Bissau 

Bissau,24 Abr 26 (ANG) – Artistas plástico  de diferentes nacionalidades embelezam o murro do Estádio de Futebol Lino Correia, em Bissau com pinturas diversas, transmitindo ideais de Amílcar Cabral e da luta armada de libertação nacional da Guiné-Bissau.

Em declarações a ANG, o artista guineense, Ismael Hipólito Djata, apela a valorização da arte urbana, disse que a iniciativa é dedicada   à independência da Guiné-Bissau  e que reúne criadores nacionais e internacionais.

O evento  conta com a participação de artistas provenientes do Senegal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Brasil, e  foi financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, após candidatura do grupo cultural Netos de Bandim, com o apoio do Centro Cultural Franco-Bissau Guineense.

Segundo Djata, as pinturas funcionam como uma forma de comunicação silenciosa, convidando o público a se refletir sobre os ideais de Amílcar Cabral e o significado da independência, tanto no passado como na atualidade.

“O mural transforma-se, assim, num museu a céu aberto, acessível aos guineenses e, em particular, aos residentes da capital”, disse Hipólito Djata.

O artista destacou que os trabalhos decorrem com normalidade e com “forte interacção” do público, e criticou a prática de urinar nas ruas, sobretudo junto ao murro objecto de obras de pintura, e diz que  tal comportamento prejudica a imagem do país.

Nesse sentido, Ismael Hipólito Djata apela às autoridades, nomeadamente o Ministério da Juventude ,Cultura e Desportos e a Câmara Municipal de Bissau , a criação de mecanismos de proteção do mural.

Ismael Djata lamentou  a escassez de murais no país, e sustenta  que a arte urbana pode estimular maior participação do público. ”O setor cultural tende a priorizar a música, enquanto a pintura incentiva a reflexão e a harmonia social”, disse.

Questionado sobre o impacto da arte na mudança de mentalidades, Ismael Hipólito Djata afirmou que os murais podem contribuir para comportamentos mais cívicos, apontando como exemplos, os países : México e a França, onde, diz,  a arte urbana tem desempenhado um papel relevante no desenvolvimento.

O artista diz existir  na Guiné-Bissau um potencial de jovens guineenses no domínio artístico. “ o país é “uma mina de talentos”, disse.

Djata destacou a  necessidade de criação de escolas de arte e de um plano cultural estruturado, incluindo o mapeamento das expressões culturais dos diferentes grupos étnicos nacionais.

Ismael Hipólito Djata pede   maior colaboração entre os Ministérios da Cultura,  Juventude e Desporto e  da Educação para a introdução de oficinas artísticas nas escolas, e  lamenta a falta de espaços de exposição e de materiais para a produção artística.

Para  a artista moçambicana, Sandra Pizura , para além do tema da independência, o projeto reforça os laços de irmandade entre países africanos.

“Cada artista contribui com a sua identidade e linguagem artística, resultando num mural que integra diferentes estilos, desde o realismo ao abstrato
”, disse Pizura.

Ela destacou que o mural pretende comunicar e transmitir uma mensagem, tanto para os residentes como para os visitantes, promovendo a reflexão sobre a história.

Acrescentou que iniciativas deste tipo representam uma oportunidade de intercâmbio e crescimento artístico.

Sandra Pizura agradeceu ao grupo cultural Netos de Bandim e ao Centro Cultural Franco-Bissau-Guineense , e manifesta o desejo de participar em futuras residências artísticas com maior envolvimento internacional.

Tal como Hipólito Djata, Sandra criticou igualmente a atitude de alguns cidadãos que não se hesitam em urinar no mural ainda em obras de pintura.

Bissau com os seus mais 500 mil habitantes dispõe apenas de um urinol público, situado na praça dos heróis nacionais. ANG/LPG/ÂC//SG

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