Médio
Oriente/Guerra no Irã
testa a supremacia do dólar e reconfigura o sistema financeiro internacional
Bissau, 14 Abr 26 (ANG) - Nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial — realizadas entre Abril e Maio, no calendário do hemisfério norte —, a guerra no Irã emergiu como um tema central.
Além das
tensões geopolíticas, o conflito revela um fenómeno importante: o
enfraquecimento gradual do papel do dólar no sistema financeiro internacional.
Um evento crucial está em curso em
Washington: as reuniões do FMI e do Banco Mundial. Neste ano, porém, o contexto
é particularmente tenso em razão da guerra no Oriente Médio. Uma questão domina
as discussões: estamos testemunhando uma mudança no sistema financeiro
internacional?
Isso ocorre porque o dólar não é uma
moeda como qualquer outra. Trata-se da moeda dominante em todo o mundo. Ele é
usado para liquidar grande parte do comércio internacional, especialmente nas
transações de petróleo, e funciona como referência para os mercados. Bancos
centrais de todo o mundo também o utilizam como reserva de valor.
Essa posição confere aos Estados Unidos
um poder considerável, especialmente no setor financeiro. Graças ao dólar,
Washington pode excluir certos países do sistema financeiro internacional, por
exemplo, por meio de sanções. Por muito tempo, essa ferramenta foi eficiente.
Ser privado do dólar significava ficar economicamente isolado.
Mas
hoje esse mecanismo mostra suas limitações. A guerra no Irã é uma ilustração
expressiva desse processo. Apesar das sanções extremamente severas, o país
continuou vendendo seu petróleo. Mais importante ainda, com as tensões no
Estreito de Ormuz Teerã conseguiu impor suas condições para a passagem
pela área estratégica.
Em outras palavras, mesmo excluído do sistema dominado pelo dólar, um país pode continuar funcionando. Isso revela uma mudança significativa: a aparente onipotência do dólar está se desgastando gradualmente.
Por quê? Porque os países sancionados aprenderam a se adaptar e estão desenvolvendo alternativas.
O
Irã, por exemplo, vende parte de seu petróleo em yuans, a moeda chinesa. Ao
mesmo tempo, redes financeiras alternativas passaram a se expandir — menos
visíveis, às vezes ilegais, mas eficazes.
Acima de tudo, uma nova tendência está
ganhando força: a ascensão das criptomoedas. Elas permitem que o dinheiro seja
transferido sem passar pelos canais tradicionais, sem um banco central e,
portanto, sem depender diretamente do dólar dos Estados Unidos.
Essa situação pode ter consequências
duradouras. Ao usar o dólar como instrumento de pressão, os Estados Unidos
desencadearam um efeito inesperado: incentivaram outros países a se afastarem
dele. Esse processo é conhecido como desdolarização. Não se trata de um colapso
repentino do dólar, mas de uma transformação gradual do sistema.
O mundo financeiro está se tornando mais
fragmentado. De um lado, há um sistema ocidental centrado no dólar; de outro,
circuitos alternativos, muitas vezes ligados à China. Outras soluções também
estão surgindo, como as criptomoedas. O resultado é um cenário com menos regras
comuns, mais tensões e maior incerteza — um ambiente que enfraquece a estabilidade
da economia global. ANG/RFI

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