ONU/Começa sabatina dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres
Bissau, 21 Abr 26 (ANG) - O segundo mandato de António
Guterres como secretário-geral da ONU termina no fim deste ano, mas a corrida
por sua sucessão já começou.
As audiências públicas com os quatro candidatos têm
início nesta terça-feira (21), em Nova York, e acontecerão ao longo de dois
dias.
Esta é a segunda vez que a ONU organiza
uma sabatina dos candidatos ao cargo de secretário-geral. As audiências
públicas foram implementadas em 2016 com o objetivo de dar mais transparência
ao processo.
Cada
candidato terá três horas para responder às perguntas de representantes dos 193
Estados-membros das Nações Unidas e da sociedade civil. Até o momento,
quatro concorrentes já se declararam: a chilena Michelle Bachelet, o argentino
Rafael Grossi, a costarriquenha Rebecca Grynspan e o senegalês Macky Sall.
Eles têm em comum a ambição de reformar a estrutura da ONU, que atravessa um período de crise do multilateralismo, com a confiança abalada e à beira de dificuldades financeiras.
Muitos Estados defendem que, pela primeira vez, uma mulher assuma o comando da ONU, e a América Latina reivindica o cargo com base na tradição de rotação geográfica, que nem sempre é respeitada.
No entanto, são os integrantes do
Conselho de Segurança, mais precisamente os cinco membros permanentes com poder
de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França), que realmente
detêm o futuro dos candidatos em suas mãos.
O próximo secretário-geral deverá estar
alinhado com “os valores e os interesses americanos”, advertiu o embaixador dos
Estados Unidos, Mike Waltz.
Michele Bachelet é uma das candidatas favoritas.. A ex-presidente socialista do Chile tem ampla
experiência no sistema das Nações Unidas. Ela foi a primeira diretora-executiva
da ONU Mulheres entre 2010 e 2013 e, posteriormente, atuou como alta-comissária
das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 2018 a 2022.
No entanto, essa experiência pode ser tanto uma vantagem quanto um obstáculo. A atuação de Bachelet à frente do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos foi alvo de críticas.
A China reagiu duramente à publicação de
um relatório contundente sobre a situação da minoria uigur e poderia vetar sua
nomeação.
A candidatura de Bachelet conta com o
apoio do México e do Brasil, mas seu próprio país, o Chile, retirou o apoio
após a posse do novo presidente de extrema direita, José Antonio Kast.
Em
seguida, aparece o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA), um dos principais especialistas do
dossiê sobre o programa nuclear iraniano. Ele também se destacou durante a
guerra na Ucrânia ao lidar com questões de segurança relacionadas à usina
nuclear de Zaporizhzhia.
Aos 65 anos, o diretor-geral da AIEA afirma ter a ambição de reformar a ONU. “As Nações Unidas perderam sua razão de existir”, lamenta. Para ele, a instituição tornou-se “invisível” em muitos conflitos.
A segunda mulher na disputa, Rebecca Grynspan, afirma conhecer bem as crises, inclusive as financeiras. A economista de 70 anos, ex-ministra da Fazenda e ex-vice-presidente da Costa Rica, dirige desde 2021 a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.
Ao citar sua história pessoal, como
filha de pais judeus sobreviventes do Holocausto que emigraram para a América
Central, ela destaca seu apego à Carta da ONU, fundada após a Segunda Guerra
Mundial. Segundo Grynspan, o documento é “um alerta permanente contra os
perigos da desumanização, da desconfiança e da fragmentação”.
Por fim, Macky Sall, de 64 anos, será o
último a ser sabatinado. O ex-presidente do Senegal é o único candidato que não
vem do sistema das Nações Unidas. Em termos de experiência, ele
ocupou, durante seu mandato, a presidência rotativa da União Africana.
Sall afirma manter contatos com líderes
dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. No entanto, não é
unanimidade dentro do continente africano. O ex-presidente senegalês não conta
com o apoio da União Africana nem de seu próprio país.
O
vencedor irá assumir o comando da ONU em 1º de Janeiro de 2027,no lugar do
português António Guterres.ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário