Cuba/Pela primeira vez em sua história, ONU importará combustível para distribuir ajuda humanitária
Bissau, 09 Abr 26 (ANG) - Cuba continua a enfrentar uma grave escassez de petróleo devido ao embargo dos Estados Unidos, em vigor há seis décadas, e que foi reforçado em Janeiro com a imposição de um bloqueio petrolífero.
Diante desse cenário,
a ONU — que não dispõe de insumos energéticos suficientes para distribuir ajuda
humanitária no país — prepara-se para importar combustível para Cuba pela
primeira vez.
Apesar
da recente chegada de quantidades limitadas de combustível, incluindo um
carregamento de petróleo enviado pela Rússia, autorizado pelos estados Unidos na
semana passada, não alterou a situação. Devido à falta de combustível, uma
parte significativa da ajuda humanitária da ONU permanece retida,
principalmente no sudeste do país.
"Neste momento, temos cerca de 200 contêineres
aguardando para sair dos portos", observa Étienne Labande, representante
do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Cuba. Ele explica que o material a
ser distribuídos inclui "kits de cozinha, painéis solares, sistemas de
purificação de água do UNICEF e ajuda alimentar do PMA".
Aproximadamente 20% dos cubanos dependem da
ajuda humanitária da ONU, que está angariando fundos para importar combustível
para a ilha, algo inédito em sua história em Cuba. "Temos um orçamento de
US$ 7,5 milhões, que cobre as necessidades de toda a comunidade humanitária
envolvida no plano [da ONU] para Cuba, até dezembro", continuou Étienne
Labande.
Assim que os fundos forem arrecadados, levará
pelo menos um mês e meio para o combustível chegar. Esta semana, a ONU também
está começando a usar transportadoras privadas para transportar parte de sua
ajuda humanitária.
O Coordenador Residente das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichon,
alertou na segunda-feira para a deterioração da situação humanitária no
pa+is agravada pela crise energética e pelos efeitos do furacão Melissa.
“A crise energética tem um impacto humanitário sistémico e crescente, afetando todos os aspectos da vida diária em Cuba: saúde, água e saneamento, sistemas alimentares, educação, transporte e telecomunicações. Além disso, o país está sem combustível suficiente há mais de três meses”, disse Pichon a jornalistas por videoconferência em Nova York.
Ele acrescentou que
“as consequências humanitárias, como esperado, continuam a piorar diariamente,
apesar dos recentes esforços da Federação Russa para fornecer combustível”.
Entre os números mais
preocupantes, segundo a ONU, estão mais de 96.000 procedimentos cirúrgicos
adiados, incluindo 11.000 em crianças.
Cerca de 32.000
mulheres grávidas estão em risco devido ao acesso instável a serviços
pré-natais, enquanto 3.000 crianças estão com a vacinação atrasada.
Além disso, a
população está sofrendo com apagões prolongados e um milhão de pessoas agora
dependem de entregas de água por caminhões-pipa.
Quase meio milhão de crianças
e adolescentes estão frequentando aulas em dias reduzidos.
Os idosos também
estão sofrendo os efeitos da crise, enfatizou Pichon, observando que Cuba tem a
população mais idosa da América Latina. "São pessoas que dependem de
serviços e precisam de médicos para conseguir chegar aos centros de
saúde", explicou. ANG/RFI/AFP

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