Médio Oriente/Irã anuncia rotas
alternativas no Estreito de Ormuz e avalia criar 'pedágio' com aval de Trump
Bissau, 09 Abr 26 (ANG) - A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta quinta‑feira (9) que navios que atravessam o Estreito de Ormuz devem utilizar duas rotas alternativas, próximas à costa iraniana, para evitar a presença de possíveis minas no trajeto habitual.
“Para proteção contra eventuais colisões com
minas, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária, até nova
ordem os navios deverão adotar rotas alternativas para a navegação no Estreito
de Ormuz”, informaram meios de comunicação estatais iranianos.
A imprensa oficial
citou um comunicado militar acompanhado de um mapa náutico que indica novos
itinerários ao sul e ao norte da ilha de Larak. Para entrar no golfo
a partir do mar de Omã, as embarcações devem passar entre a costa iraniana e a
ilha de Larak.
A rota de saída do
golfo contorna o sul da ilha e evita o trajeto tradicional, mais próximo da
costa de Omã. Passagens recentes indicam o uso desse itinerário alternativo
dentro das águas territoriais iranianas.
Teerã avalia a criação de um mecanismo semelhante a um pedágio para a
travessia do Estreito de Ormuz . “Há e haverá uma
taxa de passagem”, afirmou ao jornal francês Le Monde uma
fonte diplomática iraniana, em reportagem publicada nesta quinta‑feira.
Segundo o Financial
Times, o governo iraniano pretende cobrar US$ 1 (0,86 euro) por barril
transportado por Ormuz, com pagamento em criptomoeda. Questionado na
quarta‑feira (8) por um jornalista da rede ABC sobre
a cobrança, o presidente americano, Donald Trump, disse concordar com a
ideia e chegou a sugerir a criação de uma empresa comum para repartir
os dividendos com o Irã.
“É algo bonito”,
afirmou. Segundo ele, a iniciativa poderia “proteger” o Estreito, em provável
referência à China, grande compradora de petróleo iraniano.
De acordo com o Le Monde, Teerã teria negociado a proposta com
o sultanato de Omã. “Mascate informou que manteve conversas com o Irã sobre
‘opções possíveis para garantir uma passagem fluida’ e que as propostas serão
analisadas”, declarou Abdullah Baabood, professor omanense
especializado em relações internacionais ao Le Monde.
Segundo ele, isso não
significa a “aprovação de uma reformulação permanente do Estreito
pelo Irã” e a criação de um pedágio formal e permanente seria inviável.
Mas o Irã poderia impor, no curto prazo, uma forma de controle de
fato da passagem.
Entre 1º de março e 7
de abril, foram registrados 307 trânsitos de navios transportando commodities,
segundo dados da Kpler, empresa proprietária do
site MarineTraffic — queda de cerca de 95% em comparação com períodos
de normalidade.
Em condições habituais, aproximadamente 20% do petróleo bruto e do gás
natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo passam pelo Estreito, que liga o
Golfo Pérsico às principais rotas marítimas globais. Os Estados Unidos e o
Irã chegaram a um acordo de cessar‑fogo na noite de terça para quarta‑feira que
para a reabertura do Estreito
A criação de um pedágio no Estreito de Ormuz seria “inaceitável”, declarou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores da França, Jean‑Noël Barrot, ao afirmar que a medida violaria o direito internacional.
“A liberdade de
navegação em águas internacionais é um bem comum da humanidade, que não pode
ser submetido a obstáculos ou taxas de passagem”, disse. “Ninguém
aceitaria isso, simplesmente porque é ilegal. As águas internacionais são
livres para a circulação de navios”, acrescentou o ministro.
A ministra britânica
das Relações Exteriores, Yvette Cooper, também reafirmou a necessidade de livre
circulação na passagem em seu discurso anual de política externa, previsto para
esta quinta na Mansion House, em Londres.
“As liberdades
fundamentais dos mares não podem ser retiradas unilateralmente nem negociadas.
Não pode haver pedágio em uma via marítima internacional”, afirmou a chefe da
diplomacia britânica, segundo trechos divulgados por sua assessoria.
A União Europeia
rejeita qualquer ideia de “pedágio” para a travessia do Estreito de Ormuz, onde
a liberdade de navegação deve ser mantida, também reagiu um dos porta‑vozes do
bloco. “O direito internacional consagra a liberdade de navegação, o que
significa exatamente isso: nenhum pagamento nem pedágio, qualquer que seja”,
declarou o porta‑voz, Anouar El Anouni.
ANG/RFI/Com agências

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