Regiões/”Estudos sobre Situação das Mulheres apresentam indicadores preocupantes”, diz Coordenadora da AMPROCS
Quinará, 14 abr 26 (ANG) – A
Coordenadora da Associação das Mulheres Profissionais da Comunicação Social (AMPROCS), qualificou de “preocupantes”, os
dados apresentados no Estudo sobre Situação das Mulheres na Guiné-Bissau.
De acordo com o Correspondente
da ANG na região de Quinara, sul do país, Paula Melo falava , segunda-feira, no
sector Buba, na apresentação de resultados do inquérito sobre a situação das
mulheres na Guiné-Bissau, no quadro do Projeto
Observatório das Mulheres.
Na ocasião, aquela
responsável destacou diversas preocupações relacionadas com a realidade das
mulheres no país.
“A situação das mulheres
continua a apresentar indicadores preocupantes em vários aspetos, nomeadamente
na saúde, educação, ambiente, habitação, acesso à justiça e violência baseada
no género”, salientou.
Paula Melo disse que as
mulheres continuam a enfrentar múltiplos desafios, incluindo violência
doméstica, mutilação genital feminina (MGF), restrições nas atividades
económicas e riscos associados à desintegração familiar
Disse. que as mudanças
climáticas têm impacto direto na vida das mulheres, agravando dificuldades como
o acesso à alimentação, à educação dos filhos e às condições financeiras.
No plano político, denunciou
a persistência de discriminação contra as mulheres, sobretudo na constituição
de listas de candidatura à cargos de deputados e no acesso á posições de
decisão.
Segundo afirmou, muitas
mulheres são excluídas ou colocadas em posições não elegíveis, ficando
afastadas dos altos cargos do país, especialmente no governo.
Disse que, apesar dos
esforços de organizações da sociedade civil, que propuseram uma lei de paridade
com 40 por cento de representação feminina, o parlamento acabou por aprovar uma
percentagem de 36 porcento.
“Ainda assim, as mulheres continuam sub-representadas", disse Paula Melo, jornalista profissão.
A coordenadora de AMPROCS defendeu
que as mulheres devem ocupar cargos de maior responsabilidade, incluindo a
Presidência da República, argumentando que, ao longo de mais de 50 anos de
governação, os homens não conseguiram responder adequadamente aos desafios do
país.
Para concluir, a ativista
destacou a necessidade urgente de ouvir as mulheres e responder de forma eficaz
às suas preocupações.
O projeto Observatório das
Mulheres é promovido pela Casa dos Direitos, em parceria com várias
organizações, nomeadamente LGDH, AMPROCS, MIDJILAN e ACEP. No âmbito deste
estudo, foi também publicado um livro sobre a situação das mulheres na
Guiné-Bissau.
A apresentação do relatório contou
com a participação de mulheres e meninas da Região de Quinará, que manifestaram
preocupações sobre a fraca produção de
caju, a persistência da mutilação genital feminina e a elevada taxa de gravidez
precoce, que dizem ser fatores que contribuem para o abandono escolar.
Entre as recomendações deixadas pelas participantes, destaca-se a necessidade de maior representação feminina no parlamento e no governo, de forma a garantir que as vozes das mulheres sejam ouvidas. ANG/RC/JD/ÂC//SG

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