Chile/Kast endurece política
migratória e interrompe processo que beneficiaria 182 mil imigrantes no Chile
Bissau,01 Abr 26 (ANG) - O presidente do Chile, José Antonio Kast, ordenou a suspensão da regularização de 182 mil imigrantes, interrompendo um processo iniciado por seu antecessor, o esquerdista Gabriel Boric.
Uma das principais promessas de campanha de Kast era
justamente expulsar imigrantes irregulares, em sua maioria venezuelanos, que
viviam no país.
Essa
era uma de suas bandeiras eleitorais e uma das reformas consideradas mais
urgentes pelo novo governo.
A chegada de José António Kast ao poder ocorre em um contexto de forte insatisfação popular com a criminalidade, percepções de insegurança e preocupações com a imigração irregular, temas que dominaram a campanha presidencial e que agora vão orientar as políticas do novo governo.
“Há 338 mil pessoas que sabemos estar em situação irregular. Dessas, 182 mil se registaram, fornecendo endereço e dados biométricos. Muitos de nós agora nos perguntamos o que acontecerá com essas informações se essas pessoas não tiverem sua situação legal regularizada”, afirma, em entrevista à RFI, Eduardo Cardoza, secretário-geral do Movimento de Ação Migrante.
“Isso traz consequências enormes. A migração contribui com 10% do Produto Interno Bruto do país, e essa decisão provoca danos significativos, porque estamos falando de pessoas trabalhadoras que, em 99,9% dos casos, vêm ao Chile para trabalhar e que, por estarem com a documentação irregular, acabam privadas de direitos básicos”, destaca Cardoza.
A questão migratória no Chile se tornou central no debate nacional. Dados de instituições regionais mostram que a população nascida no exterior cresceu significativamente nos últimos anos, impulsionada principalmente por fluxos vindos da Venezuela e de outros países da América Latina.
Além de suspender a regularização dos
182 mil migrantes, José Antonio Kast apresentará ao Congresso dois projetos de
lei para restringir a entrada de imigrantes sem documentos: um para punir quem
facilite a entrada irregular no país e outro que transformaria a entrada ilegal
em crime.
“Está acontecendo um fenómeno muito
particular: as pessoas manifestam preocupação com essa situação, mas muitos
imigrantes sem documentos, que trabalham e já criaram raízes no país, não
querem — e não irão — embora. Isso pode gerar um cenário complexo, no qual se
torna impossível deportar 338 mil pessoas em quatro anos”, observa Cardoza.
“O máximo que qualquer governo conseguiu
deportar foram 8 mil pessoas por ano, somando expulsões administrativas e
judiciais. Portanto, ou implementamos políticas realistas, ou continuaremos
alimentando uma situação que condena essas pessoas à pobreza. Esse é o desafio
que o novo governo terá de enfrentar”, conclui.
Apenas cinco dias após assumir o cargo,
Kast lançou o chamado “Plano Escudo de Fronteira”, uma das iniciativas mais
emblemáticas de seu programa. O plano prevê a construção de barreiras físicas,
trincheiras, sistemas de vigilância por câmaras e o envio permanente de forças
de segurança para a fronteira com o Peru e para trechos considerados críticos
na divisa com a Bolívia. ANG/RFI

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