EUA/ “Trump prepara saída da
guerra pressionado pela retaliação e falhas operacionais”, diz
analista
Bissau, 01 Abr 26 (ANG) - As bolsas europeias abriram
em forte alta nesta quarta-feira (1º), após o presidente dos Estados Unidos ter
dito, na véspera, que a retirada das tropas americanas da guerra contra o Irã
poderá ocorrer brevemente.
A expectativa é grande para o pronunciamento de Donald
Trump, nesta quarta-feira (1), em que o líder americano promete “novas e
importantes informações” sobre o conflito no Oriente Médio.
Segundo analistas, a mudança de rumo ocorre porque
Washington teria subestimado a capacidade de retaliação do Irã e enfrenta
falhas operacionais que expuseram a vulnerabilidade das forças americanas na
região.
Em conversa com jornalistas na Casa
Branca na terça-feira (31), o republicano afirmou que os Estados
Unidos se retirarão da guerra em breve, "em duas ou três semanas",
segundo suas palavras, e mesmo sem acordo.
Donald
Trump fará um pronunciamento á nação na noite de quarta-feira às 21h,
horário local (quinta-feira, 1h da manhã, horário de Brasília). O presidente
irá "fornecer novas informações importantes sobre o Irã", anunciou a
porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
O jornalista especializado em defesa
da RFI, Franck Alexandre, aponta contradições nas
declarações de Trump, que evita mostrar que estaria jogando a toalha. As
últimas declarações do republicano contrastam fortemente com as do secretário
da Defesa, Pete Hegseth, que, por sua vez, afirma não descartar a
possibilidade de enviar tropas para solo iraniano.
Com 50.000 soldados, um destacamento
terrestre seria limitado. Acima de tudo, os militares americanos parecem ter
subestimado a capacidade de retaliação do Irã.
Autoridades sauditas e americanas
confirmaram ao Wall Street Journal que a Base Aérea
Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, foi alvo de um míssil iraniano na sexta-feira (27) e
que várias aeronaves de reabastecimento da Força Aérea dos EUA foram
danificadas.
"Um equipamento ainda mais
valioso, um avião radar AWACS" também. Para Franck
Alexandre, o fato de os EUA não terem conseguido
protegê-los demonstra uma falta de controle
operacional e que "o aventureirismo de Washington está
começando a custar caro às suas Forças Armadas".
A autoridade de aviação civil do Kuwait
informou que o aeroporto internacional do país foi atacado, nesta quarta-feira
(1º), por drones iranianos pertencentes a fações armadas apoiadas por
Teerã, que causaram "um grande incêndio" em tanques de combustível.
Não houve relatos de vítimas.
No Bahrein, o Ministério do Interior
declarou no portal X que "a Defesa Civil está trabalhando para extinguir
um incêndio que começou nas instalações de uma empresa após a agressão
iraniana".
Um navio-tanque da Qatar Energy foi
atingido por um míssil em águas territoriais do Catar, disseram as autoridades,
responsabilizando o Irã pelo ataque. O Catar foi alvo de três mísseis
"lançados do Irã", escreveu o Ministério da Defesa no portal X,
observando que dois deles foram interceptados.
Os houthis no Iêmen, aliados do Irã,
reivindicaram nesta quarta-feira a responsabilidade por seu terceiro
ataque com mísseis contra Israel, afirmando terem como alvo "locais
sensíveis" no sul do país.
O exército israelense informou ter
detectado o lançamento de um míssil vindo do Iêmen. Segundo a mídia israelense,
o projétil foi interceptado e não houve relatos de feridos.
Nos
últimos dias, o presidente americano multiplicou as declarações sobre o fim da
guerra, alegando que os objectivos foram atingidos e que teria havido até
mesmo uma mudança no regime iraniano.
Ao contrário de seu aliado Donald Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "a campanha não acabou". O exército israelense anunciou ter realizado uma "onda de ataques em larga escala" contra infraestruturas do governo iraniano "em Teerã".
A televisão estatal iraniana noticiou
explosões no norte, leste e centro da capital, referindo-se a
"ataques contra Teerã".
No
Líbano, sete pessoas morreram em ataques israelenses contra o movimento pró-Irã
Hezbollah no sul de Beirute, informou o Ministério da Saúde libanês. O
Exército de Israel havia anunciado o lançamento de dois ataques na região
contra líderes do Hezbollah.
Quatorze pessoas ficaram feridas em Israel, incluindo uma menina de 11 anos que está em estado grave, segundo os serviços de resgate israelenses, após novos ataques com mísseis iranianos contra o país. ANG/ RFI e agências

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