quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Política



Bissau,19 Dez 18 (ANG) – O partido político, Movimento para Alternância Democrática (Madem-G15), ameaça pôr na rua centenas de guineenses para protestar a decisão do governo de terminar hoje, 19 de dezembro,o recenseamente eleitoral.

Em declarações a rádio Voz de Alemanha, Djibril Baldé, dirigentes deste partido disse que o Movimento vai mostrar com esses protestos  que uma boa parte de potenciais eleitores não foi recenseada, e diz  que, “se o Governo anunciar o fim do processo irá criar mais  problemas no país”.

Djibril Baldé, disse à DW África que o recenseamento está longe de atingir o número de pessoas com condições para adquirir a capacidade eleitoral ativa tanto no país, como no estrangeiro e acusa o primeiro-ministro Aristides Gomes de estar a conduzir o país para um grande problema com  tentativa de fraude eleitoral:

Contestado desde o início, em setembro do corrente ano, o processo de recenseamento até chegou a ser interrompido pelo Ministério Público por alegadas irregularidades denunciadas por um grupo de partidos políticos que insistia na nulidade do mesmo e na demissão da ministra de Administração Territorial, Ester Fernandes, que coordena o departamento que se ocupa do recenseamento eleitoral.

"Nós temos a consciência de que temos defendido a verdade e que o primeiro-ministro e a ministra da Administração Territorial estão a empurrar o país para uma situação complicada. O recenseamento eleitoral não tem condições de terminar na quarta-feira (19.12.). Pelo que sabemos muita gente ainda está por recensear e muitos dos que já se encontram recenseados foram mal recenseados. Há cartões com dupla identidade, tripla identidade, muitas irregularidades que nos indicam que estamos perante uma gigantesca tentativa de fraude eleitoral”, disse Baldé.

Segundo os dados do Governo avançados na segunda-feira (17.12.) à imprensa pelo primeiro-ministro, Aristides Gomes, o recenseamento atingiu 95% dos 900 mil potenciais eleitores previstos.
No entender do Madem g-15, partido formado essencialmente por militantes dissidentes do PAIGC, os recenseados não chegam a metade dos números que o Governo tem anunciado. Madem alega que as máquinas estão a duplicar os dados e questiona como é que são divulgados números sem que se tenha feito a sincronização dos mesmos.

"Estamos numa situação gravíssima que o Madem-G15 não vai deixar passar. Terminar na quarta-feira o recenseamento vai trazer grandes problemas para o país, porque vão sair para as ruas todos aqueles que não foram recenseados. Nós vamos apelar aos nossos militantes e ao povo para saírem à rua e mostrar que não foram recenseados e estão descontentes com a atual situação”, disse.

O partido recentemente fundando em Bissau, já não pede a nulidade do processo mas exige que seja feita uma auditoria independente ao processo de recenseamento e que sejam corrigidos todos os erros detectados, tudo isto sob fiscalização do Ministério Público, e com a presença de informáticos, representantes  de  partidos políticos.

Para o analista político guineense, Luís Petit, não é surpresa que haja contestações ao processo, tendo em conta o nível de desconfiança política que tem reinado na Guiné-Bissau durante a atual legislatura. E lembra que a lei guineense é muita clara nesta matéria:

"Desde que o recenseamento atingisse o número superior ao recenseamento precedente aí já existem condições para o processo de votação decorrer normalmente. Se realmente foram atingidos 95% dos potenciais eleitores é um dado importante e isso vai permitir a participação de grande maioria dos guineenses no processo” explica o analista.

À DW África, Luís Petit, lembra que muitos guineenses devido às querelas políticas e as constantes instabilidade que o país tem vivido nos últimos tempos, recusaram comparecer nos postos de recenseamento em protesto à forma como a política é feita na Guiné-Bissau.

"Há uma grande parte de população guineense que tem levantado a voz e que ainda não se recenseou porque está cansada de todo este processo que começou bem mas não chega ao fim. Na minha opinião, é essa massa eleitoral que está a demonstrar a sua revolta quanto ao exercício do poder por parte das autoridades guineenses. Não propriamente porque alguma parte ficou de fora devido à inúmeras falhas no processo, mas porque está contra as crises políticas cíclicas que têm fustigado o nosso país", sustentou.

O Governo guineense fixou o dia 19 de Dezembro de 2018 como data limite do recenseamento eleitoral no território nacional e na diáspora, e o chefe do executivo Aristides Gomes já propôs a realização do pleito a 17 de Fevereiro.

Cabe agora ao Presidente guineense, José Mário Vaz, fixar, através de um decreto, uma nova data para as legislativas, que ao que tudo indica será anunciada oficialmente durante a cimeira da CEDEAO-Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, a ter lugar em Abuja, na Nigéria no próximo sábado 22 do corrente.ANG/DW

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