quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Côté D`Ivoire/ Lançamento do Relógio do Emprego Juvenil em África para orientação de políticas de integração profissional

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) - O World Data Lab (WDL), em parceria com a Fundação Mastercard, lançou na terça-feira, no Planalto de Abidjan, o Relógio do Emprego da Juventude Africana (AYEC), uma plataforma digital criada para fornecer dados e projeções que orientem melhor as políticas de emprego e integração profissional para jovens.

Fayelle Ouane, Diretora de Desenvolvimento de Empreendedorismo para a região da UEMOA na Fundação Mastercard, destacou a importância de tornar a informação acessível a diferentes partes interessadas.

“A estratégia Young Africa Works da Fundação Mastercard visa possibilitar que 30 milhões de jovens africanos tenham acesso a trabalho digno e gratificante até 2030. Na Costa do Marfim, a organização pretende apoiar 620 mil jovens, como parte de uma meta regional de 1,7 milhão de beneficiários com idades entre 18 e 35 anos, dos quais 70% são mulheres”, explicou Fayelle Ouane.

A Dra. Reshma Sheoraj, Vice-Presidente Sênior de Engajamento Estratégico do World Data Lab, observou que as mulheres jovens enfrentam maiores barreiras no acesso a oportunidades económicas.

 Ela argumentou que as políticas de emprego devem ir além da simples criação de vagas, abordando as condições de acesso a essas oportunidades, a qualidade delas e a capacidade das mulheres jovens de participar e progredir em igualdade de condições.

A diretora interina da Fundação Mastercard para a UEMOA, Elisée Kamanzi, indicou que a plataforma permitirá que os decisores políticos e os parceiros de desenvolvimento tenham elementos confiáveis ​​para orientar as suas intervenções.

“O Relógio do Emprego da Juventude Africana torna os dados mais acessíveis e permite que os formuladores de políticas e os parceiros de desenvolvimento direcionem melhor seus investimentos e ações. Na Fundação Mastercard, acreditamos que os jovens, especialmente as mulheres jovens, devem estar no centro dos esforços para garantir que tenham trabalho digno e gratificante”, disse ele.

A plataforma oferece estimativas e projeções até 2040, com dados desagregados por gênero, idade, local de residência, nível de escolaridade, setor de atividade e tipo de emprego. Também fornece informações sobre renda, pobreza entre trabalhadores, formalidade do emprego e motivos de inatividade.

A ferramenta é baseada em dados de institutos nacionais de estatística, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA).

Acessível ao público em www.africayouthjobs.io, a ferramenta abrange todos os 54 países africanos. A Costa do Marfim junta-se, assim, à Etiópia, Gana, Quénia, Ruanda, Nigéria, Uganda e Senegal, onde a plataforma já foi implementada.

De acordo com a definição da União Africana, a plataforma considera jovens as pessoas entre 15 e 35 anos, embora permita aos usuários selecionar outras faixas etárias.

A cerimônia de lançamento foi enriquecida por uma mesa-redonda sobre o tema "O paradoxo do crescimento: a economia da Costa do Marfim está crescendo, mas as mulheres jovens estão compartilhando as oportunidades que esse crescimento representa de forma igualitária?". ANG/Faapa

 

  Energia / ACOBES pede redução das tarifas de eletricidade e água no país

Bissau,05 Nov 26 (ANG) – O Presidente da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços (ACOBES) solicitou ao Presidente da República de Transição,   Governo, na pessoa de Primeiro-ministro  e ao Conselho Nacional de Transição (CNT)  a adopção de medidas para baixar a tarifa de eletricidade e água,  para aliviar os encargos financeiros dos consumidores.


O pedido foi feito hoje em conferência de imprensa realizada pelo Presidente da organização Bambo Sanhá, na qual foram  abordadas  várias  questões relacionadas com as tarifas praticadas no mercado nacional.

Bambo Sanhá justificou o pedido de redução das taxas de luz e água com a redução dos custos de produção da Empresa de Electricidade e Água da Guiné-Bissau (EAGB), que segundo diz, terão  permitido a recuperação de  cerca de 90 por cento do défice financeiro anteriormente registado pela empresa.

De acordo com o presidente da ACOBES, a EAGB tinha um défice de mil milhões de francos CFA, tendo conseguido recuperar aproximadamente 900 milhões de francos CFA, graças à diminuição dos custos de produção em comparação com o período em que utilizava a energia da empresa turca Karpower.

Bambo Sanhá disse que os actuais custos de produção de energia eléctrica não justificam a manutenção das tarifas em vigor, que, na sua opinião, continuam a sufocar o poder de compra dos consumidores.

Sanhá criticou igualmente os cortes sistemáticos no fornecimento de electricidade e a falta de água em alguns bairros de Bissau, considerando injusto que os consumidores paguem pelos serviços sem terem acesso regular aos mesmos.

Relativamente à energia fornecida no âmbito  da Organização para o Aproveitamento do Rio Gâmbia (OMVG), Bambo recordou que um dos objectivos fundamentais desta organização  é garantir o acesso da população guineense à energia, sem dificuldades.

Considera que o elevado preço da electricidade continua a constituir um obstáculo ao desenvolvimento económico e social do país, bem como à instalação de grandes empresas e fábricas capazes de promover o emprego juvenil.

No setor das telecomunicações, o Presidente da ACOBES manifestou preocupação com as constantes reclamações dos consumidores sobre a fraca qualidade das redes, os problemas de acesso à Internet e os atrasos na recepção de mensagens de carregamento de saldo.

Por outro lado, Bambo Sanhá denunciou  a existência de publicidades que considera enganosas por parte de empresas de telecomunicações e apelou à intervenção da Autoridade Reguladora Nacional das Telecomunicações (ARN), criticando a alegada passividade da instituição perante os problemas apresentados pelos consumidores.

Outro aspecto destacado pelo Presidente da ACOBES tem a ver com o elevado preço do cimento produzido localmente, considerando injustificável que o produto fabricado em Bissau, seja comercializado à preços elevados no mercado nacional, quando, segundo afirma, devia ser comprado á preço mais baixo, tal como acontece noutros países da sub-região.

Por isso, apela às autoridades para intervirem para a redução do preço de sacos de cimento, de forma a facilitar o acesso dos consumidores, incluindo os que vivem nas localidades mais distantes da capital.

O Presidente da ACOBES chamou também a atenção para a falta de calibragem das balanças utilizadas na comercialização de produtos alimentares e nas bombas de combustível.

Segundo Bambo Sanhá esta situação impede os consumidores de terem a certeza de que recebem exactamente as quantidades pelas quais pagam.

Solicitou à Direção Geral da Indústria para reforçar a fiscalização e o controlo das balanças, como forma de garantir maior justiça nas relações comerciais entre vendedores e compradores.

O Presidente da ACOBES pediu ao Ministério da Energia e à Autoridade de Regulação do Sector de Combustível (ARSECO) para  tomarem  medidas corretivas junto das bombas de combustíveis, com vista a impedir a utilização desses espaços como locais de estacionamento de viaturas durante a noite.

Considera que esta prática representa um risco de incêndio, sobretudo, porque muitas bombas de combustível estão situadas no interior de bairros residenciais ou nas proximidades de habitações. ANG/LPG/ÂC//SG

 


Desporto-futebol/Presidente da FFGB agradece o Governo pelo apoio prestado para melhoramento do relvado do Estádio 24 de Setembro

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) - O Presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), agradeceu hoje ao Governo, pelo apoio prestado para melhoramento do relvado do Estádio Nacional 24 de Setembro.

Carlos Alberto Mendes Teixeira disse que espera receber outro apoio para a conclusão do cumprimento das exigências da  CAF sobre o mesmo estádio.

Em declarações à imprensa após  uma visita conjunta efetuada ao Estádio Nacional 24 de Setembro, por uma delegação da FFGB o Inspector Técnico do Estádio Nacional 24 de Setembro, Carlos  Teixeira (Caíto), agradeceu à todos os funcionários pelo desempenho e esforço demostrado no trabalho de renovação de relvado do complexo 24 de Setembro.

Acrescentou que após o jogo  com o Madagáscar, os restantes trabalhos no Estádio Nacional 24 de Setembro serão retomados, e que devem contar com o apoio do Governo.

“O Governo tem demonstrado  sempre a sua disponibilidade e prontidão em apoiar a FFGB, porque o Primeiro-ministro Ilídio Vieira Té é uma pessoa muito sensível ao futebol. Por isso, acredito que vai disponibilizar verbas para a conclusão das obras, antes do fim, do prazo dado pela CAF”, assegurou Caíto.

Por seu lado, Abubacar Fati, um dos Inspetor Técnico do Estádio Nacional 24 de Setembro felicitou o  esforço de todos os intervenientes do setor, que permitiu uma melhoria do relvado do Estádio Nacional 24 de Setembro, e merecer a aprovação temporária da CAF, para acolhimento do  jogo contra o Madagáscar em casa.

Fati disse que, para a conclusão dos trabalhos no Estádio Nacional 24 de Setembro, a FFGB precisa de reforçar a equipa para  um total de 50 homens.

“A máquina de corte de relvado está danificada neste preciso momento, e o DG do Estádio se encontra de viagem de momento. Por isso, somos obrigados a aguardar o seu regresso, para diligenciar a sua recuperação, a fim de procedermos  os trabalhos de corte e nivelamento  do relvado”, disse Fati.ANG/LLA/ÂC//SG

  

   

China/ Governo destaca cooperação com África e reafirma tarifa zero para importações dos países africanos menos desenvolvidos

Bissau, 05 Nov 26(ANG) – A China reafirmou hoje o compromisso de aplicar tarifas zero às importações provenientes dos países africanos menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas e destacou o reforço da cooperação com África nas áreas do investimento, industrialização e comércio.

A posição foi defendida pelo vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, durante o seu discurso na abertura da 9.ª Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), que decorre em Xangai até o dia 10 e conta com a participação de vários países africanos, entre os quais Cabo Verde, Tanzânia e Maurícias.

 A presença cabo-verdiana na exposição é marcada por um stand cujo conceito visual apresenta diferentes elementos de promoção do país, incluindo a prestação de Cabo Verde no Campeonato do Mundo, as suas praias e os vinhos produzidos na ilha do Fogo.

 Ao abordar a cooperação com os países em desenvolvimento, Ding Xuexiang afirmou que a China partilha experiências e apoia a construção de parques industriais em África, no Sudeste Asiático e noutras regiões, com o objectivo de promover o emprego local, a industrialização e as condições comerciais.

 «Partilhamos experiências com os países em desenvolvimento e apoiamos a construção de diversos parques industriais no Sudeste Asiático, em África e noutras regiões, impulsionando o emprego local, a industrialização e as condições comerciais», declarou.

 O governante defendeu igualmente o reforço da integração dos países em desenvolvimento nas cadeias industriais globais, considerando a cooperação no investimento um elemento importante para promover o desenvolvimento económico.

 Ding Xuexiang salientou que a China continuará a criar um ambiente favorável às empresas estrangeiras que operam no país, ao mesmo tempo que apoiará a expansão internacional das empresas chinesas, através da utilização de produtos e tecnologias chineses nos países de acolhimento.

No domínio comercial, o vice-primeiro-ministro indicou que as importações chinesas cresceram 22,3% nos primeiros três trimestres do ano, quase seis pontos percentuais acima do crescimento das exportações, reafirmando a intenção do país de importar mais bens e serviços de qualidade.

Segundo Ding Xuexiang, a China não procura deliberadamente acumular excedentes comerciais, defende um desenvolvimento global mais equilibrado, coordenado e inclusivo.

A CIIE constitui uma plataforma para compras internacionais, promoção do investimento, intercâmbios interpessoais e culturais e cooperação internacional.  ANG/Inforpress

 

Ébola em África/ OMS elogia respostas do Quénia e da Nigéria e pede maior cooperação na área da saúde

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) – A Organização Mundial da Saúde (OMS) elogiou na quarta-feira a rápida resposta do Quénia e da Nigéria ao surgimento de casos importados de Ébola, e pediu o fortalecimento da cooperação regional em saúde para conter a propagação da epidemia na República Democrática do Congo (RDC).

Durante uma coletiva de imprensa em Genebra, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou a importância de uma resposta coordenada entre os países africanos, visto que nove casos, incluindo duas mortes, foram relatados no Quénia e um caso foi confirmado na Nigéria.

O representante da ONU também pediu aos Estados que impuseram restrições de viagem que suspendam essas medidas, argumentando que elas penalizam os países que relatam as infecções de forma transparente e podem dificultar os esforços para combater a epidemia.

Na República Democrática do Congo, a situação continua preocupante, com mais de 10.000 casos e 5.000 mortes relatadas, de acordo com dados apresentados pela OMS.

Embora a transmissão esteja diminuindo em algumas regiões do Congo, novos surtos continuam a surgir, enquanto os deslocamentos populacionais e as fortes chuvas complicam as intervenções de saúde.

Os ataques a instalações de saúde e as dificuldades de acesso a áreas remotas também constituem obstáculos à vigilância epidemiológica e ao atendimento de pacientes.

Diante desses desafios, a OMS continua a apoiar os países vizinhos da RDC, a fim de fortalecer suas capacidades de preparação, detecção e resposta a possíveis novos casos importados.

Ao mesmo tempo, a organização pretende fortalecer a pesquisa de vacinas, recomendando a integração de duas novas vacinas candidatas direcionadas especificamente à cepa Bundibugyo do vírus Ebola em um ensaio clínico em andamento na República Democrática do Congo.

Essas são as vacinas candidatas ChAdOx1 BDBV, desenvolvida pela Universidade de Oxford em colaboração com o Serum Institute of India, e mRNA-1469, projetada pelo laboratório americano Moderna.

Esses dois candidatos devem complementar o ensaio clínico iniciado em Outubro com a vacina Ervebo, aprovada contra a cepa Zaire do vírus Ébola, mas não contra a cepa Bundibugyo, responsável pela epidemia atual. ANG/Faapa

O ensaio clínico está sendo conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da RDC, com o apoio de parceiros nacionais e internacionais, incluindo a OMS.

O Sr. Tedros, no entanto, reiterou que as vacinas não podem substituir medidas de saúde comprovadas, incluindo a detecção e o tratamento precoces dos doentes, o rastreamento de contactos e o isolamento dos indivíduos infetados.

Ele também enfatizou a importância de sepultamentos seguros e dignos e da mobilização das comunidades para quebrar as cadeias de transmissão.ANG/Faapa

 

 

COP31/Financiamento para adaptação climática segue muito abaixo das necessidades, aponta ONU

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) - O financiamento internacional destinado à adaptação às mudanças climáticas permanece muito aquém do necessário para proteger os países mais vulneráveis dos impactos do aquecimento global.

É o que conclui o Relatório sobre a Lacuna de Adaptação (Adaptation Gap Report) da ONU, publicado nesta quarta-feira (4), a poucos dias da abertura da COP31, na Turquia. Segundo a edição de 2026, mesmo no cenário mais otimista, apenas cerca de 30% das necessidades atuais estariam sendo atendidas.

Entre 2023 e 2024, cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) adicional em financiamento público global foi destinado à adaptação nos países em desenvolvimento. Com isso, o volume total de recursos alcançou entre US$ 28 bilhões e US$ 31 bilhões (entre R$ 154 bilhões e R$ 170,5 bilhões) em 2024.

O valor, contudo, está longe do necessário. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), seriam precisos US$ 305 bilhões anuais (R$ 1,68 trilhão) até 2035 para responder adequadamente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Para chegar a essa estimativa, os autores do relatório analisaram as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e os planos nacionais de adaptação de 155 países em desenvolvimento.

O estudo aponta uma necessidade anual entre US$ 255 bilhões e US$ 328 bilhões (entre R$ 1,4 trilhão e R$ 1,8 trilhão) na próxima década. Em seguida, os pesquisadores realizaram projeções baseadas em modelos computacionais que corroboram esse diagnóstico.

Corrigido pela inflação, o montante chega a US$ 420 bilhões por ano (R$ 2,31 trilhões) e pode dobrar caso sejam consideradas também as necessidades do setor privado.

A questão agora é saber se a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), marcada para ocorrer entre 9 e 20 de Novembro, será capaz de produzir avanços concretos para reduzir essa lacuna. A resposta, por enquanto, permanece incerta.

No ano passado, no Brasil, a COP30 foi apresentada como a “COP da adaptação”, mas terminou deixando uma sensação de oportunidade perdida, sobretudo em relação ao financiamento climático.

A sensação de inacabado decorre do fato de que o acordo firmado em Belém prevê, de fato, a “triplicação” dos recursos destinados à adaptação. No entanto, o texto final não especifica qual é a base de cálculo nem qual o ano de referência. Na prática, não há um valor concreto estabelecido.

Do ponto de vista diplomático, a indefinição permitiu adiar debates considerados espinhosos, para frustração dos países menos desenvolvidos, cujos representantes expressaram indignação ao fim das negociações.

A ambiguidade também favorece as nações desenvolvidas, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa, mas relutantes em ampliar suas contribuições financeiras, conforme previsto no Acordo de Paris.

Para os países que defendem a interpretação mais conservadora, a triplicação corresponderia a US$ 60 bilhões (R$ 330 bilhões), tomando como base os US$ 20 bilhões anuais (R$ 110 bilhões) previstos em 2019.

“A França faz parte desse grupo”, afirma Marta La Place, especialista em justiça internacional da ONG Secours Catholique.

Essa estimativa mais baixa, porém, é contestada por especialistas e instituições como o World Resources Institute.Isso porque o Pacto Climático de Glasgow, adotado em 2021, já previa a duplicação dos recursos para adaptação, elevando-os para US$ 40 bilhões (R$ 220 bilhões) em 2025.

 

 Como o acordo de Belém faz referência a esse compromisso, muitos observadores consideram que a triplicação deveria partir desse novo patamar, resultando em US$ 120 bilhões (R$ 660 bilhões).

 

Ainda assim, o valor está longe de responder às necessidades atuais. Além disso, o prazo previsto para atingir a meta é de dez anos, enquanto os custos gerados pelos eventos climáticos extremos aumentam de forma acelerada.

Em seu relatório divulgado nesta quarta-feira, a ONU evita tomar posição sobre a controvérsia em torno da base de cálculo, por se tratar de uma questão em negociação.

O documento, porém, deixa claro que, mesmo se os aportes chegarem a US$ 120 bilhões anuais (R$ 660 bilhões), isso representaria apenas cerca de 30% dos US$ 420 bilhões anuais (R$ 2,31 trilhões) considerados necessários.

Os debates financeiros parecem cada vez mais desconectados da realidade económica da crise climática.

Os custos acumulados por eventos extremos já atingem níveis que desafiam a capacidade de resposta até mesmo de economias desenvolvidas.

Na França, por exemplo, as perdas do setor agrícola apósum verão marcado por calor extremo e seca são estimadas em até € 10 bilhões (R$ 63 bilhões). O valor ilustra o grau de vulnerabilidade de atividades consideradas estratégicas para a economia.

 

De forma mais ampla, uma comissão parlamentar estimou em € 16 bilhões (R$ 100,8 bilhões) os prejuízos gerados pela temporada de eventos climáticos extremos.

Em países insulares do Caribe, os impactos podem ser ainda mais devastadores. A Jamaica, atingida pelo ciclone Melissa há um ano, viu parte de sua infraestrutura ser destruída em apenas uma noite.

 Investimentos em adaptação poderiam reduzir esses danos por meio do replantio de manguezais, da construção de diques e do reforço estrutural das habitações.

 “O mundo não está preparado para se adaptar às condições climáticas atuais, sem falar naas consequências de ultrapassar o limite de 1,5ºC”, afirmou Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA, referindo-se ao Relatório sobre a Lacuna de Emissões publicado em 21 de Outubro.

 

O documento confirmou que o mundo já ultrapassou o marco de 1,5°C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais, objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris.

Cada décimo de grau adicional amplia a frequência, a intensidade, a duração e a abrangência dos fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor, tempestades, ciclones, secas, inundações e perda de biodiversidade.

“Durante a COP31 e além dela, os países devem intensificar seus esforços para concretizar a ambição do ‘mutirão mundial’ lançado na COP30, que prevê triplicar o financiamento para adaptação até 2035, reconhecendo ao mesmo tempo que será necessário ir ainda mais longe para salvar vidas, evitar perdas e danos e proteger as economias”, acrescentou Andersen.

Apesar dessa urgência, os grandes fundos climáticos continuam subfinanciados. O Fundo de Adaptação, por exemplo, desembolsou apenas US$ 1,6 bilhão (R$ 8,8 bilhões) desde 2010.

A adaptação continua sendo o “parente pobre” do financiamento climático, especialmente quando comparada aos investimentos direcionados à transição energética, classificados como ações de mitigação.

O Fundo para Perdas e Danos, voltado à reparação dosimpactos provocados por desastres climáticos, enfrenta dificuldades ainda maiores.

 

A primeira chamada de projetos recebeu solicitações que somavam US$ 2,8 bilhões (R$ 15,4 bilhões), valor muito superior aos US$ 342 milhões (R$ 1,88 bilhão) inicialmente disponíveis.

 

“Isso evidencia uma demanda reprimida significativa. No entanto, ainda não conhecemos a verdadeira dimensão do déficit global de financiamento para perdas e danos”, observa o relatório.

Após a catástrofe provocada peo colapso de uma geleira no Nepal, no fim de agosto, que deixou 1.400 mortos, 6 mil desaparecidos e prejuízos estimados entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões (entre R$ 22 bilhões e R$ 27,5 bilhões), o primeiro-ministro Balendra Shah apelou à comunidade internacional para ampliar o financiamento destinado à adaptação.

 

Embora suas emissões de gases de efeito estufa sejam insignificantes em escala global, o país himalaio está entre os mais expostos aos efeitos do aquecimento global.

Os países do Sul Global continuam insistindo na necessidade de ampliar o financiamento público.

“O financiamento privado concentra-se em projetos rentáveis. As necessidades mais urgentes, como adaptação, saúde, prevenção de desastres e proteção social, são justamente aquelas com menor retorno financeiro”, argumenta a Oxfam.

A organização acrescenta que os países mais pobres continuam atraindo poucos investimentos privados.

O próprio relatório da ONU reconhece que “o financiamento privado para adaptação cobriria apenas entre 15% e 20% das necessidades totais de recursos para adaptação”. Em outras palavras, ele não pode substituir o financiamento público.

Outro problema é a natureza dos recursos disponibilizados aos países em desenvolvimento. Grande parte do financiamento continua chegando na forma de empréstimos, muitas vezes destinados a governos já altamente endividados.

Durante a COP30, os países menos desenvolvidos chegaram a propor a inclusão explícita do termo “subvenções” em uma versão preliminar do texto de negociação. A referência acabou retirada da versão final.

Ainda assim, a ONU aponta alguns avanços. Segundo o relatório, em 2024 cerca de 90% do apoio fornecido aos países menos desenvolvidos ocorreu na forma de doações ou empréstimos altamente concessionais. Nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, essa proporção chegou a 80%.

Outro aspecto positivo destacado pelo PNUMA é o crescimento da cooperação Sul-Sul e da atuação de bancos multilaterais de desenvolvimento. Os recursos mobilizados por esses mecanismos passaram de US$ 3,8 bilhões (R$ 20,9 bilhões) em 2019 para US$ 9,6 bilhões (R$ 52,8 bilhões) em 2026.

Enquanto os recursos permanecem insuficientes, o PNUMA ressalta que o avanço da adaptação também depende de fatores institucionais. Segundo a agência, os governos vêm fortalecendo mecanismos de governança por meio da adoção de leis climáticas, da criação de plataformas de aprendizagem, da melhoria da coordenação entre órgãos públicos e da implementação de instrumentos específicos para mobilizar e administrar recursos climáticos.

O Objetivo Coletivo Quantificado de Financiamento Climático (NCQG), aprovado na COP29, prevê a mobilização de US$ 300 bilhões anuais (R$ 1,65 trilhão) para apoiar países em desenvolvimento até 2035. Os países desenvolvidos já indicaram que qualquer aumento dos recursos destinados à adaptação deverá ocorrer dentro desse teto.

Diante de um cenário econômico global ainda marcado por desaceleração fiscal e restrições orçamentárias, diplomatas e especialistas avaliam que é pouco provável que essa posição mude significativamente na COP31, salvo uma reviravolta de última hora nas negociações. ANG/RFI


            Israel/Sem vencedor claro, presidente Herzog busca acordo

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) - O presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciou  quarta-feira (4) consultas com os partidos eleitos e pediu compromisso das lideranças políticas para evitar um novo período de paralisia institucional.

As eleições legislativas de 27 de Outubro deixaram o país sem maioria clara no Parlamento e abriram uma disputa entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o líder centrista Gadi Eisenkot.

As conversas ocorrem em meio a acusações de fraude eleitoral e ataques contra partidos árabes.

O pleito realizado em 27 de Outubro em Israel não produziu um vencedor incontestável.

 O campo liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento israelense, a Knesset. Já o principal bloco de oposição, liderado pelo ex-chefe militar e dirigente centrista Gadi Eisenkot, obteve 48 assentos. Nenhum dos dois alcançou os 61 deputados necessários para governar sozinho.

O principal rival do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Gadi Eisenkot, comprometeu-se nesta quarta-feira (4) a "renovar e fortalecer as relações" com os Estados Unidos caso consiga formar governo após as negociações abertas na sequência das eleições legislativas em Israel.

"Sob minha liderança, renovaremos e fortaleceremos essa parceria e consolidaremos as bases bipartidárias que durante muito tempo a sustentaram", escreveu Eisenkot na rede X, após a derrota dos republicanos nas eleições legislativas norte-americanas.

O líder centrista acrescentou que está "ansioso para trabalhar de maneira construtiva com o presidente Donald Trump" para "reforçar a estabilidade regional". Mas o impasse continua.

O problema surge num contexto sensível para Israel. Além das divisões internas, o país continua envolvido em uma região marcada por forte instabilidade ligada aos conflitos no Oriente Médio e às discussões sobre uma possível ampliação das operações militares contra o Irã, defendidas por Netanyahu.

 

Ao iniciar as consultas com os dirigentes partidários, Herzog fez um apelo público para que as lideranças abandonem parte das promessas de campanha e busquem uma solução negociada.

 "Na realidade atual, sem um vencedor evidente depois das eleições, peço originalidade e criatividade, coragem e boa vontade", afirmou o presidente.

As reuniões começaram nesta quarta-feira e serão retomadas na quinta-feira (5). Ao final do processo, Herzog terá até 11 de Novembro para escolher o parlamentar que receberá a missão de tentar formar uma coalizão de governo.

O presidente também advertiu que os líderes políticos "devem compreender que não poderão cumprir todos os seus compromissos e todas as suas promessas" eleitorais.

Os resultados transformaram os partidos árabes em peças centrais para qualquer tentativa de formação de maioria parlamentar. Juntas, estas siglascon quistaram 19 cadeiras, seu melhor desempenho em anos, tornando-se potenciais fiadoras de uma coalizão alternativa ao governo de Netanyahu.

No papel, a matemática parlamentar parece favorecer uma solução. Somados, os partidos do bloco de Gadi Eisenkot e as legendas árabes alcançariam 67 deputados, número confortável para controlar a Knesset.

Um dos principais partidos árabes, o Raam, que conquistou oito cadeiras, anunciou ainda nesta quarta-feira que recomendará Eisenkot para o cargo de primeiro-ministro durante as consultas com Herzog.

Na prática, porém, a construção dessa maioria está longe de ser simples.

Diversos líderes do bloco oposicionista resistem à perspectiva de trabalhar diretamente com partidos árabes, reflexo das profundas divisões da sociedade israelense desde o ataque do Hamas em 7 de Outubro de 2023.

Os cidadãos árabes de Israel representam cerca de 20% da população do país. Embora possuam cidadania israelense e representação parlamentar, frequentemente ocupam posição delicada no debate político nacional, especialmente em períodos de conflito.

Para parte do eleitorado judeu, uma aproximação com legendas árabes continua sendo um tema sensível.

Benjamin Netanyahu tem explorado esse tema desde a divulgação dos resultados eleitorais. Em sucessivas publicações nas redes sociais, o primeiro-ministro passou a acusar os partidos árabes de representarem uma ameaça ao país, classificando essas legendas como "apoiantes de terroristas" e afirmando que elas buscariam "islamizar Israel".

Os partidos árabes rejeitam as acusações e respondem classificando o discurso do premiê como racista.O confronto político ganhou intensidade com a multiplicação de denúncias de fraude eleitoral feitas pelo campo de Netanyahu.

Aliados do primeiro-ministro afirmam, sem apresentar provas, que partidos árabes teriam comprado votos com recursos provenientes do Catar.

 As acusações provocaram forte reação entre autoridades responsáveis pelo processo eleitoral.

Nesta quarta-feira, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, uma das principais figuras da extrema direita israelense, elevou ainda mais o tom ao defender que o serviço de segurança interna do país, o Shin Bet, interrogue dirigentes dos partidos árabes. Ben Gvir chegou a pedir a prisão dos líderes dessas legendas para interrogatórios conduzidos pelo órgão de inteligência.

As denúncias apresentadas pelo campo governista foram contestadas pelas autoridades eleitorais. O presidente da Comissão Eleitoral israelense, o juiz Noam Sohlberg, alertou para o "perigo real" representado pelas tentativas de lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral.

Após uma série de verificações, a comissão anunciou nesta quarta-feira que não encontrou irregularidades capazes de comprometer o resultado da votação.

Segundo o órgão, as auditorias realizadas não identificaram "nenhuma irregularidade ou prova indicando que a integridade das eleições tenha sido comprometida ou que os resultados tenham sido alterados".

Isaac Herzog também se manifestou contra os ataques dirigidos à minoria árabe israelense. O presidente condenou o que classificou como "comportamentos grosseiros e declarações racistas" contra a comunidade. As declarações refletem a preocupação crescente das instituições israelenses com o aumento da polarização política desde a divulgação dos resultados.

Enquanto as negociações avançam, a oposição procura transformar o resultado eleitoral em um debate mais amplo sobre o futuro político do país.

O líder de centro-esquerda Yaïr Golan, dirigente do partido Os Democratas e integrante do bloco liderado por Gadi Eisenkot, afirmou que chegou o momento de encerrar a era Netanyahu. Segundo ele, a permanência do primeiro-ministro no poder tornou-se "perigosa para Israel".

Golan argumenta que a continuidade do atual governo pode aumentar o isolamento internacional do país e expor Israel a futuras sanções externas. O dirigente relacionou essa preocupação ao resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos, nas quais os democratas conquistaram o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado.

A vitória democrata é observada com atenção em Israel porque parte do partido passou a adotar posições mais críticas à condução da guerra na Faixa de Gaza e ao elevado número de vítimas civis registadas no conflito.

Durante décadas, o apoio norte-americano a Israel foi um dos poucos temas capazes de reunir amplo consenso entre democratas e republicanos. Nos últimos anos, porém, esse consenso passou a apresentar fissuras, especialmente entre setores progressistas do Partido Democrata.

ANG/RFI/AFP

 

Regiões/ Movimento Juvenil de Apoio ao Governo de Transição do setor de Prábis homenageia Administrador local

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) – O Movimento Juvenil  de Apoio ao Governo de Transição, homenageou , quarta-feira, o administrador de setor de Prábis, Região de Biombo,  Mamadu Turé, vulgo Baba com um pano de Pente e diploma de Mérito pelo trabalho feito durante o seu mandato.

Em declarações a imprensa, o Coordenador do Movimento Domingos Incanha disse que o objetivo da criação do referido Movimento é de apoiar o Governo de Transição pelo seu “bom trabalho” ao nível do país.

Incanha referiu que não se trata da primeira homenagem, porque já homenagearam muitos, e pediu ao Administrador para reforçar sua dinâmica e  empenho no desenvolvimento do setor.

Por sua vez, o homenageado, Mamadú Turé, agradeceu o gesto e o Movimento por acreditar nele, e diz que  apesar de ter feito muito, falta muito ainda para fazer não só para o setor de Prábis mas para toda a Região de Biombo.

Pediu à todos para fazerem um trabalho de equipa, e agradeceu a Corporação Policial de Prábis  pelo apoio a vedação  do Hospital sem pedir qualquer contrapartida.

O Movimento Juvenil de  Apoio ao Governo de Transição foi criado a 13 de Janeiro deste ano com objetivo de apoiar Governo de Transição.ANG/MN/JD/ÂC//SG

 

 


      Regiões
/ Bolama acolhe formação sobre participação cidadã e transparência

Bolama, 05 Nov 26 (ANG) – A cidade de Bolama acolhe, desde quarta-feira, uma formação de dois dias sobre Participação Cidadã e Transparência, destinada aos membros dos Grupos de Ação Local (GAL) dos setores de Buba e Bolama, com o objetivo de reforçar as suas capacidades em matéria de boa governação e desenvolvimento local.

Segundo o Correspondente da ANG na Região de Quinará, a iniciativa enquadra-se no Projeto de Fortalecimento das Organizações da Sociedade Civil para a Boa Governação e Desenvolvimento na Guiné-Bissau, financiado pela União Europeia.

A formação reúne 20 participantes, dos quais cinco mulheres  e é facilitada pelo Mestre  sociólogo, Tamilton Teixeira.

Durante os dois dias, os participantes vão abordar temas relacionados com os fundamentos da participação cidadã, consulta pública, controlo social, inclusão e igualdade de género, transparência e acesso à informação, prestação de contas e fiscalização social.

O programa contempla igualmente matérias sobre reclamação, denúncia, diálogo institucional e ferramentas práticas para o funcionamento dos Grupos de Ação Local.

O GAL foi criado  para apoiar a implementação das atividades no terreno.do projecto de Fortalecimento das Organizações da Sociedade civil para a boa Governação e Desenvolvimento  e integra jovens, representantes de organizações da sociedade civil, forças de segurança e autoridades administrativas regionais.

No setor de Buba, região de Quinará, o grupo, inicialmente constituído por 12 elementos, conta atualmente com seis membros ativos, cuja intervenção está direcionada para o setor da água. Já em Bolama, o grupo desenvolve atividades na área do saneamento.

O projeto abrange cinco cidades, nomeadamente Bolama, Buba, Gabu, Bafatá e Canchungo, e cada  cidade beneficiou de um financiamento inicial de 32 milhões de francos CFA, acrescido de um fundo complementar de 17 milhões de francos CFA, destinado ao apoio à iniciativas de desenvolvimento local.

Iniciado em 2024, o projeto tem a sua conclusão prevista para Fevereiro de 2027, a formação pretende promover uma participação cidadã mais ativa, reforçar a transparência na gestão dos recursos e melhorar o acompanhamento das ações de desenvolvimento local.ANG/RC/MI/ÂC//SG

Comércio /Produtores pedem alargamento do prazo  imposto pelo Governo para se pôr fim a venda de água em sacos de plástico

Bissau, 05 Nov 26 (ANG) - A Associação dos Produtores de Água Empacotada da Guiné-Bissau (APA) pediu,  quarta-feira, ao Governo para alargar  para 60 dias o prazo para pôr fim a comercialização da água em sacos de plástico.


O pedido foi feito pelo porta-voz da APA Ibraima Dahaba em conferência de Imprensa, na qual alegou que a aplicação da medida nos moldes previstos poderá provocar graves consequências económicas e sociais no país.

“O encerramento de cerca de 200 empresas dedicadas à produção de água empacotada poderá deixar milhares de famílias em situação de vulnerabilidade, além de provocar o desemprego de centenas de jovens e mulheres”, disse Dahaba.

Sublinhou que a proibição da comercialização da água empacotada em sacos de plástico poderá também dificultar o acesso da população à água potável, tendo em conta o baixo poder de compra de uma parte significativa dos consumidores.

O porta-voz destacou ainda que a medida terá um impacto particular sobre os jovens que trabalham nas unidades de produção e nas mulheres que se dedicam à venda ambulante de água em sacos de plástico, atividade que sugundo ele, constitui uma importante fonte de rendimento para muitas famílias.

A associação revelou que, desde o anúncio da decisão governamental, tentou, por várias vezes, estabelecer contacto com as autoridades competentes, mas não obteve resposta.

Perante a situação, a APA solicita um encontro urgente com o Primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, com o objetivo de apresentar as suas preocupações e encontrar uma solução consensual.

Apesar de contestar o prazo estabelecido, a Associação assegura que não está contra a decisão do Governo, reconhecendo as preocupações ambientais relacionadas com a utilização de embalagens plásticas.

Defende, contudo, que a implementação da medida deve ser acompanhada por um período de transição que permita aos produtores adaptar-se à nova situação.

Nesse sentido, Ibraima Dahaba manifestou a disponibilidade dos associados  colaborarem na recolha dos sacos de plásticos utilizados, enquanto se procura uma alternativa de embalagem, nomeadamente garrafas ou copos.

O Ministério dos Recursos Naturais(MRN) através da sua página de Facebook, visita da pela ANG, informa que a Comissão instituída pelo Governo para o acompanhamento da aplicação da lei que proíbe a produção, importação e comercialização de sacos de plásticos seguiu com atenção a conferência de imprensa realizada pela APA e que  reitera o seu compromisso com o diálogo, transparência e respeito pelo Estado de Direito.

“Neste sentido, a Comissão informa a opinião pública nacional de que, no momento oportuno, irá reagir com factos e provas reais sobre o processo de encerramento destas pequenas indústrias, apresentando toda a documentação oficial, as notificações, os autos de fiscalização e as evidências que sustentam cada decisão tomada no terreno”, refere o MRN.

A Comissão reafirma ainda que todas as ações de fiscalização foram realizadas em estrito cumprimento da lei, respeitando os procedimentos legais e com o único objectivo de proteger o ambiente, a saúde pública e o futuro das gerações vindouras. ANG/AALS/ÂC//SG