Irã/Repressão contra opositores
se intensifica e ONG aponta mais de 400
execuções em 2026
Bissau, 11 Ago 26 (ANG) - Desde o início dos ataques
dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de Fevereiro, as autoridades
iranianas intensificam a repressão.
Fortalecido por sua resistência militar e cada vez
mais inflexível, Teerã amplia o controle sobre a sociedade civil por meio de
prisões, execuções e restrições às liberdades individuais.
Ao mesmo tempo, o regime islâmico impõe condições para
a reabertura do Estreito de Ormuz, um dos requisitos impostos pelos Estados
Unidos para o fim do conflito.
A
população iraniana é a principal vítima de uma crise que parece longe de uma
solução.
O número de enforcamentos de opositores, manifestantes e presos políticos se multiplica.
A ONU denuncia 56 execuções desde o início do ano - uma situação que choca o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, que convocou, na semana passada, as autoridades iranianas a interromperem urgentemente todas as execuções e avançar rumo à abolição da pena de morte.
Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, em um balanço publicado no início deste mês, informa que o Irã executou pelo menos 444 prisioneiros entre Janeiro e o final de Julho.
A
entidade afirmou ainda ter recebido informações sobre mais de 400 execuções
adicionais, que não puderam ser incluídas nos números oficiais por falta de
verificação independente.
Encurralados entre pressão militar dos Estados
Unidos e a repressão cada vez mais dura, os
iranianos enfrentam um cotidiano marcado pelo medo dos bombardeios, pela
inflação descontrolada, pelo desemprego e pela sensação de viver em uma guerra
sem fim.
Embora parte da população tenha visto inicialmente os ataques americanos como uma oportunidade de enfraquecer a República Islâmica, muitos passaram a rejeitar o conflito à medida que os ataques atingiram a economia, a infraestrutura e a vida civil.
O país vive uma profunda crise social e psicológica.
Para especialistas, é inegável que o
regime iraniano saiu fortalecido no confronto com Washington e utiliza o
conflito para aprofundar ainda mais a repressão.
O Irã é cada vez mais agressivo no
exterior e mais autoritário internamente, enquanto cresce o descontentamento de
uma população que, segundo o jornal, não se sente representada pelo poder dos
aiatolás.
Os dirigentes iranianos conseguiram, até
agora, manter o presidente americano, Donald Trump, em xeque. No entanto, a
insatisfação popular cresce e focos de resistência e de desobediência civil
resistem.
Neste último balanço divulgado pela Iran
Human Rights, o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, faz um apelo para que
a comunidade internacional conteste de forma "forte e coordenada" o
uso da pena de morte pela República Islâmica.
"Estamos profundamente preocupados que o
conflito militar em curso entre a República Islâmica, os Estados Unidos e
Israel seja usado para intensificar execuções sob o pretexto de segurança
nacional", diz.
O caso mais simbólico do aumento da
repressão interna promovida pelo regime iraniano é o da fotojornalista Yalda
Moaiery, condenada a 15 anos de prisão. Sob a acusação de colaborar com
veículos estrangeiros, ela também foi proibida de exercer atividades
profissionais e de usar redes sociais.
"Não fui autorizada a consultar meu
dossiê para conhecer as peças processuais que fundamentam as acusações contra
mim, explica ela ao jornal francês Le Monde.
“Mas, quando os responsáveis do tribunal
o folhearam diante de mim, ele continha minhas fotografias e minhas entrevistas
concedidas a veículos estrangeiros", contou ela ao jornal.
Yalda Moaiery pretende recorrer de sua
condenação, embora não alimente esperanças. "Precisamos solicitar a
realização de um novo julgamento, já que o primeiro ocorreu na minha ausência.
Contudo, duvido que a condenação seja anulada.
Acho que, no fim das contas, eles provavelmente
vão me fazer cumprir três ou quatro anos de prisão", explicou ao Le
Monde.
Cerca
de 100 artistas, cineastas e intelectuais foram convocados pelos serviços de
segurança após criticarem a repressão. Em Teerã e em outras cidades, cafés,
restaurantes e espaços frequentados por jovens foram fechados pelas
autoridades, oficialmente por questões ligadas ao descumprimento das regras
sobre o uso do véu islâmico.
Para a Iran Rights Watch, em um momento de negociações paralisadas com Washington e crise económica, o regime iraniano reforça o controle sobre a sociedade, temendo uma nova onda de contestação popular no país. Segundo a ONG, centenas de opositores do regime estão atualmente no corredor da morte no Irã. ANG/RFI

Sem comentários:
Enviar um comentário