Rússia/Dependência de soldados norte-coreanos revela crise no recrutamento militar
Bissau, 11 Ago 26 (ANG) - O presidente ucraniano,
Volodymyr Zelensky, afirmou no domingo (9) que até 50 mil soldados
norte-coreanos teriam sido mobilizados para lutar ao lado da Rússia, aliada
histórica de Pyongyang.
Zelensky
não explicou como obteve esse número, muito superior à estimativa de 30 mil
feita em Julho.
No entanto, a revelação expõe os entraves que impedem o avanço do Exército russo na linha de frente, avalia Marie Mendras, professora de Relações Internacionais na universidade Sciences Po de Paris.
"As necessidades são crescentes, caso o Kremlin queira manter a guerra no terreno – ou seja, lançar novas ofensivas. O Exército russo não consegue mobilizar as centenas de milhares de homens de que precisaria para retomar uma ofensiva na Ucrânia", avalia.
O presidente russo, Vladimir Putin, e o
líder norte-coreano, Kim Jong-un, assinaram um tratado de parceria estratégica
em Junho de 2024. O pacto prevê uma cláusula de assistência mútua em caso de
agressão externa contra um ou outro dos dois países.
No mesmo ano, Pyongyang enviou cerca de
14 mil soldados para a região russa de Kursk, ajudando Moscou a repelir uma
importante incursão das forças ucranianas na área.
Dois anos depois, a situação é diferente
para a Rússia, avalia Mendras, com cerca de 1,5 milhão de soldados russos
mortos, feridos ou impossibilitados de continuar combatendo. "No leste e
no sudeste da Ucrânia o exército da Rússia não avança há vários meses e é até
obrigado a recuar em alguns pontos.
Assim, a prioridade das forças russas
parece ser manter as posições para evitar recuos maiores em território
ucraniano", avalia.
A professora
da Sciences Po também destaca as dificuldades da Rússia para recrutar
soldados.
Oficialmente,
uma mobilização lançada em Setembro de 2022 permite a Moscou manter uma
convocação permanente. No entanto, os métodos do governo russo são controversos.
"O que eles fazem é lançar ‘operações especiais’ – como gostam de chamar – para recrutar homens, muitas vezes à força ou ameaçando suas famílias. E não está claro como esses recrutas, que não estão preparados e não têm vontade de ir para a linha de frente, poderiam ser realmente eficazes", diz Mendras.
Além disso, a especialista destaca que o
exército russo enfrenta grandes problemas nos territórios ocupados, como a
península da Crimeia e o leste da Ucrânia. Segundo ela, a ocupação vai mal e,
diante das dificuldades, parte da população tenta deixar as zonas tomadas.
"As administrações desses
territórios são marcadas pela corrupção, e seus militares são enviados
sobretudo para a linha de frente. Isso significa que eles não estão mobilizados
para garantir a gestão administrativa dessas localidades", observa.
Por
isso, avalia Mendras, o futuro da guerra na Ucrânia se concentrará nas
trocas de mísseis, com uma possível multiplicação de lançamentos nas próximas
semanas.
Kiev sofre com a falta crítica de sistemas avançados de defesa aérea, e Moscou tentará explorar essa vulnerabilidade utilizando um número crescente de projéteis balísticos, particularmente difíceis de interceptar.
Nesta nova etapa do conflito, o exército russo dá sinais de que continuará contando com o apoio da Coreia do Norte.
Um responsável dos serviços de
inteligência militar ucranianos declarou recentemente à agência Reuters que
uma unidade de mísseis norte-coreana iniciou seu deslocamento para o oeste da
Rússia e poderia estar equipada com 120 mísseis balísticos e seis lançadores
para atingir a Ucrânia.
Segundo fontes ucranianas e
independentes, Pyongyang também teria fornecido a Moscou milhões de projéteis
de artilharia e morteiros, mísseis balísticos, artefatos de longo alcance e sistemas
de lançadores múltiplos de foguetes.
Nem o regime norte-coreano nem a Rússia
confirmaram essas informações até o momento. ANG/RFI

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