terça-feira, 29 de julho de 2014



Aviação

Retoma das ligações aéreas Lisboa-Bissau 

Bissau,29 Jul 14 (ANG) - Os governos da Guiné-Bissau e de Portugal firmaram segunda-feira um acordo para a retoma das ligações aéreas entre a capital Lisboa e Bissau, interrompidas desde Dezembro passado.

O protocolo foi firmado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete e pelo homólogo guineense, Mário Lopes da Rosa, em Lisboa, na presença dos primeiros-ministros dos dois países, Pedro Passos Coelho (Portugal) e Domingos Simões Pereira (Guiné-Bissau).

As ligações aéreas Lisboa-Bissau foram interrompidas em Dezembro passado, depois de as autoridades de transição guineenses terem forçado o embarque num avião da TAP, com destino à capital portuguesa, de 74 cidadãos sírios com passaportes ilegais.

Após a assinatura do acordo, Rui Machete sublinhou que a reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau permitiu resolver o reforço de segurança no país, dando garantias de que incidentes como o ocorrido em Dezembro passado não mais acontecerão.

“Esperamos que a TAP possa retomar os voos logo que tenha condições para o fazer”, acrescentou, sublinhando que este é um momento de esperança na Guiné-Bissau.

O governante sublinhou, ainda, que, em parceria com o Infarmed, foram recolhidas 15 toneladas de medicamentos, que deverão ser transportadas para a Guiné-Bissau para suprir as necessidades da população.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da TAP, Fernando Pinto, adiantou que a companhia aérea irá retomar os voos Lisboa-Bissau a 26 de Outubro próximo, com três ligações semanais.

“Acabámos de assistir à assinatura do protocolo, onde há uma cooperação no controlo de fronteiras e isso é fundamental”, sublinhou.

Fernando Pinto adiantou que os voos da TAP para Bissau passarão a ter «um agente português que fará a verificação dos passaportes dos passageiros.
ANG/Lusa



sexta-feira, 25 de julho de 2014

Função Publica


Novo ministro promete privilegiar diálogo com parceiros sociais

Bissau, 25 Jul 14 (ANG) – O Ministro da Função Pública e Reforma Administrativa, Admiro Nelson Belo, declarou hoje que vai dar prioridade ao diálogo com os parceiros sociais no exercício das suas novas funções.

Em declarações à imprensa após a visita que efectuou as sedes das duas Centrais sindicais, nomeadamente a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes da Guiné-Bissau (CGSI-GB), Nelson Belo anunciou que irá levar ao próximo Conselho de Ministros a proposta para a retoma da reunião do Conselho Permanente de Concertação Social.

O governante defende a retoma das reuniões com os parceiros sociais como vias para o alcance de resoluções de problemas relacionadas ao sector laboral.

“O Conselho Permanente de Concertação Social é um instrumento extremamente interessante, um espaço nobre para o diálogo que deve funcionar devidamente com objectivo de permitir o saneamento de situações que constituem obstáculos no relacionamento entre o Governo e as centrais sindicais”, disse o governante.

Por seu lado, o Secretário-Geral da UNTG, Estêvão Gomes Cò agradeceu o gesto do ministro e manifestou a disposição de colaborar com o novo executivo para o bem dos funcionários públicos em geral.

O Secretario Geral da CGSI-GB, Filomeno Cabral elogiou a iniciativa de visitar as duas centrais sindicais e disse esperar que traga resultados positivos.

Cabral acrescentando que a retoma das reuniões do Conselho Permanente da Concertação Social vai trazer oportunidades para se discutir vários assuntos com a finalidade de desenvolver o país.

“Fiquei um pouco surpreendido porque esta é a primeira vez que um ministro visita a nossa instituição, o que representa um bom sinal.

 “Afinal existe alguém com vontade de acompanhar de perto os problemas que ocorrem no nosso local de trabalho ”, exclamou Filomeno Cabral.


ANG/AALS/SG

Primeiro-Ministro condecora Secretario de Estado Timorense por apoio às eleições

Bissau,25 Jul 14 (ANG) - O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, condecorou o secretário de Estado da Administração Estatal de Timor-Leste com a Ordem de Mérito, Cooperação e Desenvolvimento pelo apoio dado para a realização de eleições no país.

"Através desta medalha posso dirigir-me a toda a Nação timorense. O que nós pretendemos dizer é um muito obrigado a Timor-Leste pela assistência e pelos apoios que nos têm disponibilizado", afirmou Domingos Simões Pereira.

Na sequência de um pedido solicitado pelo antigo Governo de transição guineense, Timor-Leste estabeleceu uma missão de apoio ao processo eleitoral na Guiné-Bissau em setembro de 2013.

A missão timorense, liderada pelo secretário de Estado da Administração Estatal, Tomás Cabral, apoiou as instituições eleitorais da Guiné-Bissau na preparação e realização do ato eleitoral, que culminou com a eleição de um novo Presidente e parlamento.

"Sabemos que têm um futuro difícil. Sabemos, calculamos e sentimos as vossas dificuldades, mas nós temos uma certeza, para a frente é o caminho", afirmou, por seu lado, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que também participou na cerimónia, juntamente com o Presidente do Parlamento nacional, Vicente Guterres, e o antigo representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau José Ramos-Horta.

Xanana Gusmão afirmou também que Timor-Leste não vai deixar no "esquecimento a solidariedade" sempre manifestada pela Guiné-Bissau durante a luta pela independência do país e pediu a Domingos Simões Pereira para aguentar com firmeza o cargo de primeiro-ministro.

Domingos Simões Pereira deslocou-se à Timor Leste para participar na X cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu na quarta-feira, e durante a qual Timor-Leste assumiu pela primeira vez a presidência da organização.

A cimeira também ficou marcada pela adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito à organização e pelo regresso da Guiné-Bissau à CPLP, depois de suspensa devido ao golpe de Estado de 2012.

ANG/Lusa

Ébola fora de controlo nos países vizinhos afectados, alerta UNICEF

Bissau, 25 Jul 14 (ANG) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), alertou quinta-feira que o vírus da ébola já matou 632 pessoas dos mais de mil infectados na Guiné-Conacri, Serra leoa e Libéria e a propagação da doença escapou o controlo das autoridades destes países.

Num encontro de sensibilização e informação mantido com os órgãos da comunicação social guineense, o representante residente do UNICEF indicou que as regiões da Guiné-Conacry que fazem fronteira com o país são das mais afectadas pela doença.

“Logicamente o país está numa zona de riscos”, prosseguiu Abubacar Sultan para de seguida informar que a organização que representa ira estar envolvida numa mega campanha para esclarecimento às populações sobre os riscos e formas de prevenir da doença.

“A Guiné-Bissau estando nesta zona, olhando para a tendência e as manifestações da doença nesses países, naturalmente isso constitui preocupação do UNICEF em garantir que o problema não afecte a população e preveni-las da eventual chegada da doença ”, proferiu o Abubacar Sultan.  

Sem essa prevenção, segundo o representante do UNICEF, será difícil estancar a propagação para o país, tendo depois destacado os esforços que feitos a nível clínico e o trabalho para a mudança de comportamentos pessoal e colectivo.

“Razão pela qual solicitou-se a comunicação social guineense no sentido de dar o seu apoio na divulgação das mensagens de prevenção”, lembrou. Frisou que a comunicação social tem um papel importante na transformação social ao nível de prevenção das doenças como a cólera e ébola.

Segundo os técnicos de saúde, a ébola é uma doença infecto-contagiosa grave, potencialmente fatal e que ainda não tem tratamento e nem vacina. Entretanto, a doença pode ser prevenida através da lavagem das mãos com água e sabão, antes e depois de comer ou usar a latrina, assim como evitar contacto directo com pessoas com sintomas do vírus.

ANG/LPG/ÂC


    



   


                       
                         TAP volta a voar para Bissau brevemente

Bissau, 25 Jul. 14 (ANG) - A transportadora aérea portuguesa (TAP), poderá retomar brevemente as suas ligações com a capital guineense, suspensa desde Dezembro passado na sequência do embarque forçado, pelas autoridades de transição do país, de 74 sírios no aeroporto de Bissau rumo a Lisboa.

Segundo a Lusa, o acordo nesse sentido vai ser assinado na segunda-feira entre o ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros Rui Machete o seu homólogo da Guiné-Bissau Mário Lopes da Rosa.

O protocolo de cooperação a rubricar, inclui igualmente a formação e capacitação nas áreas das migrações e controlo de fronteiras.

"Falta limar o acordo Estado a Estado para dar garantias de segurança nos voos, e aliás foi essa a razão da interrupção dos voos, e quando estiver concluído esse acordo, a TAP terá depois de decidir, enquanto empresa, a retoma dos voos", disse o ministro Rui Machete na Guiné-Bissau, quando participou na cerimónia de tomada de posse do novo chefe de Estado guineense.

Questionada pela Lusa sobre a ligação entre este protocolo e a retoma das ligações aéreas directas entre Lisboa e Bissau, uma fonte oficial afirmou que "a TAP neste momento não tem ainda informação oficial sobre a existência de condições a nível diplomático para retomar os voos, mas mantém a expectativa de retomar a operação logo que possível".
A companhia aérea portuguesa, acrescentou, "desde a primeira hora que voa para os países de língua portuguesa e isso faz parte da sua tradição".

Perguntada sobre quanto tempo poderá demorar até que sejam retomados os voos, a mesma fonte não quis avançar uma data, mas disse que, de uma forma genérica, o tempo que medeia entre uma decisão deste género e o início da operação costuma demorar dois a três meses, normalmente usados para criar condições técnicas, abrir os mercados e começar a receber reservas para os voos.

A TAP suspendeu os seus voos para Guiné-Bissau desde Dezembro passado, na sequência do embarque forçado pelas autoridades guineenses de 74 sírios no aeroporto de Bissau rumo a Lisboa. Na altura a TAP considerou que só retomaria os voos - que eram três semanais -, depois de as autoridades guineenses garantirem medidas de segurança no aeroporto, que a companhia considera ter sido quebrada com o incidente.


ANG/Lusa

Primeiro-Ministro garante que relações de irmandade entre Guiné-Bissau e Angola serão reactivadas brevemente

Bissau, 25 Jul 14 (ANG) – O Primeiro-Ministro Domingos Simões Pereira afirmou que o sentimento de proximidade entre a Guiné-Bissau e Angola mantém-se intacto e, num futuro próximo, as relações de irmandade entre os dois países vão ser reatadas e elevadas a níveis mais altos.

A posição do chefe do executivo guineense foi expressa aos jornalistas após uma audiência de cortesia com o vice-presidente da República de Angola, Manuel Domingos Vicente, em Dili, Timor Leste, a margem da X Conferência dos chefes de Estado e de Governo da CPLP.

 Domingos Simões disse que o objectivo do encontro com o vice angolano foi o de testemunhar e apresentar os sentimentos de gratidão por tudo aquilo que significa e representa as relações com Angola.

 Admitiu a dificuldade em governar um país não totalmente estabilizado, mas disse que é um desafio que se impôs a si mesmo.

"A governação é uma tarefa de criar ambientes de estabilidade, penso que nós não devemos pedir só que nos dêem um país com um quadro estabilizado, temos é que ser capazes de criar este quadro, que só é possível através do diálogo. E eu penso que nós guineenses somos capazes de conseguir isso", disse o novo primeiro-ministro guineense.

As relações entre angola e Guiné-Bissau conheceram um esfriamento quando a missão militar angolana (MISSANG), enviada para ajudar no processo de reforma das forças armadas guineenses, começou a ser alvo de hostilidades dos guineenses, logo a seguir ao golpe de Estado, que derrubou o governo de Carlos Gomes Júnior.

Domingos Simões Pereira tomou posse há menos de um mês, resultado da vitória eleitoral, em Junho, do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC), de que é líder.


ANG/Angop

quinta-feira, 24 de julho de 2014

CPLP


Renovada apelo a reformas no sector de segurança na Guiné-Bissau

Bissau, 24 Jul 14 (ANG) - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reafirmou quarta-feira o apoio às reformas no sector de defesa e segurança e da justiça na Guiné-Bissau durante a cimeira que assinalou o regresso do país à organização.

Os chefes de Estado e de Governo da CPLP defenderam, numa declaração conjunta, "a necessidade da reforma do sector de defesa e segurança e da justiça, enquanto elementos fundamentais de uma estratégia de estabilização eficaz e duradoura".
 

O Conselho também saudou a realização das eleições na Guiné-Bissau, a restauração da ordem constitucional e "a criação de condições essenciais para a consolidação da estabilidade política e governativa, do Estado de Direito, do desenvolvimento, da democracia e da justiça social".   


Na declaração final da cimeira, os líderes lusófonos, fazem um apelo para que as novas autoridades do país prossigam "o diálogo político, como meio de alcançar o consenso político à volta das prioridades nacionais, nomeadamente a implementação de reformas do Estado, a consolidação da estabilidade, o do Estado de direito, a revitalização da economia e a coesão nacional".


Foi recomendada uma concertação com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), procurando a estabilidade política, social e económica do país.
 

Os chefes de Estado e de Governo manifestaram a disponibilidade dos Estados membros da CPLP para estabelecer esforços na "assistência financeira ao Programa de Urgência do Governo guineense e apelar aos parceiros internacionais de desenvolvimento para concessão de ajuda ao país".  


A direcção da CPLP recomendou ao secretariado executivo do bloco lusófono e ao representante especial da organização em Bissau (o brasileiro Carlos de Alves Moura) "o acompanhamento regular da situação interna na Guiné-Bissau e a manutenção de um quadro de concertação e interacção com o Governo e os parceiros internacionais e regionais sobre a assistência internacional ao processo de normalização política e institucional do país".  


Na declaração final da X Cimeira de chefes de Estado e de governo do bloco lusófono, divulgada quarta-feira, sublinhou-se também a necessidade de acompanhamento regular pela CPLP da situação interna da Guiné-Bissau, com vista à normalização política e social do país.


Os chefes de Estado e de governo da CPLP congratularam-se com o retorno da Guiné-Bissau à organização e pela realização "das eleições gerais de 13 de Abril e na segunda volta das eleições presidenciais de 18 de Maio de 2014 e manifestaram satisfação pela contribuição da Missão de Observação Eleitoral da CPLP no acompanhamento do pleito". 


Foi recomendado, na declaração final da Cimeira, a concertação da CPLP com a CEDEAO e da CEDEAO com as demais organizações internacionais para a estabilização da situação política, social e económica da Guiné-Bissau.


A cimeira assinalou o regresso do país à organização, depois do golpe de Estado de 2012, mas também a entrada da Guiné Equatorial na CPLP.  

Angop


CPLP


Ramos Horta pede mobilização urgente de recursos financeiros para apoiar Governo da Guiné-Bissau

Bissau, 24 Jul 14 ANG (ANG) - O ex-representante Especial do Secretario geral da ONU na Guiné-Bissau apelou aos lideres da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que mobilizassem urgentemente  recursos financeiros  para apoiar o novo executivo de Bissau.

José Ramos Horta que falava perante os chefes de Estado e Governo da CPLP durante a X Cimeira da organização que terminou no dia 23 em Dili, Timor Leste, disse que a Guiné-Bissau pode ser facilmente relegado para a obscuridade, mas “se os parceiros da CPLP, a CEDEAO, União Africana e União Europeia – adoptando uma estratégia pró-ativa de mobilização de recursos podem impedir que  os poderosos e ricos releguem o povo guineense ao esquecimento”.

 O Nobel da paz destacou que Timor Leste, Brasil e Portugal, cada um integrado nas suas respectivas regiões, saberão sensibilizar e mobilizar os seus amigos e parceiros para aderirem a uma estratégia de apoio imediato à Guiné-Bissau.

“Registo aqui a minha satisfação plena pela forma célere como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e outras instituições financeiras regionais se têm desdobrado e tomado medidas concretas de apoio imediato à Guiné-Bissau”, enalteceu o ex-representante do Secretario geral das Nações Unidas.

O ex-representante do Ban Ki Moon na Guiné-Bissau acrescentou que o povo guineense deve ser compensado e primado duplamente pelo seu civismo e apego à não-violência e à tolerância.

 Afirmou que a Guiné-Bissau pode reivindicar-se de ser um “caso de sucesso”, pois foi possível repor-se a ordem constitucional pela via do diálogo.

Para justificar as suas afirmações, Ramos Horta referiu-se  as situações da Somália e Sudão do Sul onde a introdução de dezenas de milhares de “capacetes azuis “não resultou na pacificação.

Recordou que a situação da Guiné-Bissau podia ter se agravado com consequências imprevisíveis se a CEDEAO não tivesse assumido as suas responsabilidades, a todos os níveis, para incentivar o processo de retorno à ordem constitucional.

“A CEDEO revelou-se ser uma parceira verdadeiramente solidaria ao assumir a maior parte do fardo financeiro e securitário durante o período de transição na Guiné-Bissau, durante o qual o pais foi sancionado por uma boa parte dos parceiros internacionais”, referiu. 

ANG/LPG/SG 




  

Domingos Simões Pereira à RFI


“Temos que começar a reforçar as instâncias do estado e de governação”, diz Simões Pereira.

Bissau, 24 Jul 14 (ANG) – Na sua recente passagem por Bruxelas para assinalar a retoma da cooperação entre a Guiné-Bissau e a União Europeia interrompida devido ao golpe de estado de Abril de 2012 o Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira concedeu uma entrevista à secção portuguesa da Rádio França Internacional-RFI.
Dado a importância dos esclarecimentos que a entrevista proporcionou a redacção da Agência de Noticias da Guiné –ANG decidiu publicar na integra a referida entrevista conforme se segue:

RFI -O que se propõe fazer na Guiné-Bissau?

DSP- Depois de um período relativamente difícil estamos no reforço da retoma constitucional. Queremos trabalhar para que esse retorno não represente simplesmente o preenchimento das formalidades da existência das instituições ou o reconhecimento das autoridades que saíram das eleições mas que seja realmente a tradução da vontade popular no sentido de dotar o pais de uma maior estabilidade e com base nessa estabilidade poder constituir um futuro de desenvolvimento, de melhoria das condições de vida das populações, estabilidade interna e relacionamento positivo com os nossos parceiros.

RFI – Tarefa difícil?

DSP – Vamos enfrentar muitos desafios. Só espero que sejam desafios que congregam toda a população, todas as forças vivas da Nação. Todas as construções que estamos a fazer são de facto muito difíceis mas que têm um ponto de partida que é a fragilidade do estado. O estado foi-se fragilizando e chegou a um ponto onde se questiona objectivamente a sua existência. Temos que começar a reforçar as instâncias do estado e de governação. Temos que ser capazes de justificar as despesas do estado através do cumprimento de um conjunto de pressupostos. A questão da saúde é algo fundamental, o funcionamento das escolas é muito importante. Começamos por exemplo a pagar salários e queremos ser capazes de fazer disso uma normalidade. E a partir do momento em que essas questões fundamentais têm um tratamento antecipado que assegure que o estado está sério na sua abordagem, acredito que iremos resolver muitas situações numa única vez.

RFI – Como é que pretende fazer as reformas nas Forças Armadas?

DSP- A questão da reforma nas Forças de Defesa e Segurança é de facto importante e especial mas tem que ser visto num contexto de toda a reforma da Função Publica.
A questão é que, no domínio das Forças Armadas, no passado recente já produziu situações de estabilidade que puseram em causa toda a reforma. Por isso há necessidade de ter uma maior atenção com esse sector.


RFI- António Injai é acusado de ser o líder do golpe de estado de 12 de Abril e ainda acusado pelos Estados Unidos de América. Qual é a posição do executivo em relação a António Injai? O que é que vai fazer?

DSP – Não gostamos de particularizar. Em relação ao António Injai também não vamos particularizar. Todos os cidadãos guineenses sobre os quais penderem qualquer tipo de desconfiança ou de acusação terão que responder, terão que clarificar a sua situação. Contudo todos também devem ter a oportunidade de se sentir que a justiça lhes da oportunidade de provar as suas inocências se for o caso. Mencionava de forma muito especifica a questão do António Injai e devo lembrar que se nos quisermos recuar no tempo iríamos lembrar muito mais gente envolvido ou não em várias situações que complicaram a situação política interna do pais. Por isso, neste momento o mais importante não é o António Injai é a estabilidade da Guiné-Bissau. Isso não vai contrariar os princípios de que a justiça deve funcionar de forma independente e autónoma.
Eu não estou a fugir de abordar especificamente a situação do António Injai desde 12 de Abril e outras situações anteriores. Há um convencimento da Comunidade internacional de que a reforma no sector da Defesa e Segurança é uma necessidade incontornável, mas é também nesse sentido que pedimos que os nossos parceiros internacionais possam acompanhar os esforços do governo e do estado guineense para que a materialização desse pressuposto não crie outros desequilíbrios. Precisamos de equilíbrios, do diálogo e da reconciliação.

RFI – Para quando o regresso de Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior?

DSP- São cidadãos guineenses. O facto de neste momento não puderem regressar em total liberdade para o seu país é uma demonstração clara de que ainda não atingimos o tal ponto de equilíbrio, de reconciliação e de segurança interna que procuramos, como gostaria de puder amanhã dizer que já podem regressar. Espero poder dizer isso amanhã, quando ao dizer que podem regressar garantir que há, de facto, todas as condições de segurança para o exercício pleno dos seus direitos de cidadania.

Fim

Redução da mortalidade materno-infantil


Pimi assinala um ano de existência em Canchungo

Bissau, 24 Jul 14 (ANG) – O Programa Integrado para a Redução da Mortalidade Materno-Infantil (Pimi) que pretende reduzir em 25 por cento a mortalidade materno-infantil em quatro regiões da Guiné-Bissau, num período de três anos assinala hoje em Canchungo no Norte o seu primeiro ano de existência, refere um comunicado da organização.

Financiado maioritariamente pela União Europeia o chamado Programa Integrado para Redução da Mortalidade Materno-Infantil (Pimi) beneficia as mulheres grávidas e crianças com menos e cinco anos, através do programa de melhor acesso a cuidados de saúde básicos nas regiões de Biombo, Cacheu, Oio e Farim, abrangendo 530 mil pessoas, representando um terço da população do país.

A União Europeia financia 80 por cento do custo total do programa de 8,9 milhões de euros, sendo os restantes 20 cobertos por outros três parceiros: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Instituto Marquês de Valle Flôr (Portugal) e Entraide Médicale Internationale (França).

O plano de acção prevê o aumento das consultas médicas às crianças e mães, antes e depois do parto, nos centros de saúde e hospitais regionais.

No final, o programa espera capacitar em serviço, com formação e acompanhamento, cerca de 350 profissionais de saúde, bem como todos os agentes de saúde comunitária de 45 estruturas nas áreas de pediatria e saúde materno-infantil.

Está também previsto que as estruturas de saúde passem a dispor de recursos adequados à prestação de cuidados de saúde materno-infantil (infra-estruturas e equipamentos das salas de parto e de cirurgia).

  De acordo com os dados, referentes a 2010, a taxa de mortalidade infanto-juvenil (até aos cinco anos) na Guiné-Bissau é de 116 crianças por cada mil e apenas 43 por cento dos partos são assistidos por técnicos de saúde qualificados.

Os números constam dos resultados do Inquérito aos Indicadores Múltiplos (MICS), do UNICEF e organismos estatais.  


ANG/SG

Indicadores Multiplos

Resultado do Mics-5 conhecido dentro de duas semanas, diz Coordenador dos estudos

Bissau, 23 Jul 14 (ANG) – Os resultados dos estudos do quinto inquérito de indicadores múltiplos, vulgarmente conhecido por MICS-5, que vinha decorrendo desde Março do ano em curso em todo o território nacional serão tornados públicos dentro de duas semanas.

A garantia foi dada quarta-feira pelo coordenador dos estudos, Suande Camará durante uma conferência de imprensa.

 “A divulgação dos resultados do MICS-5 é extremamente importante, porque vai facilitar o governo na elaboração de políticas para o desenvolvimento do país”, estimou Suande Camará.

Já o supervisor dos técnicos que trabalharam na região de Gabú, declarou que a equipa por si dirigida conseguiu atingir 99% dos agregados familiares anteriormente seleccionados,
Orlando Lopes Vieira reconheceu terem deparado com imensas dificuldades ao longo dos trabalhos, mas conseguiram supera-las.  

Enquanto isso a sua colega para a região de Bafatá, Maria Helena Alves Marques denunciou os obstáculos com os quais a sua equipe deparou no terreno, nomeadamente a relutância dos habitantes locais em responder as questões colocadas.

“Apesar de tudo, conseguimos terminar os trabalhos com sucesso”, avaliou a concluir.


 ANG/LLA   

Viagem EUA



EUA anuncia novo processo para obtenção de visto de viagem “não emigrante”

Bissau, 24 Jul 14 (ANG) - A Embaixada dos Estados Unidos de América na Guiné-Bissau anunciou quarta-feira em Bissau, o novo processo para a obtenção de visto do tipo “não emigrante” que passa a vigorar a partir do dia 28 do mês em curso.

Em conferência de imprensa, a vice-cônsul desta representação diplomática, com sede em Dakar, informou que a partir do referido período, os candidatos a viagem àquele país estarão isentos de comprar o cartão “pré-pago com PIN” , no valor de 7.800 Francos cfa, para  o agendamento da entrevista que antecede a atribuição de vistos.

Outra novidade, segundo Tanya Brothen, a semelhança daquilo que acontece nas embaixadas da América em outros países, os residentes na Guiné-Bissau poderão contactar a missão diplomática em Dakar para pedir vistos via “on-line”, abdicando assim das viagens para o efeito.

Contudo, de acordo com a diplomata, os 160 Dólares (correspondentes a 80mil Francos CFA) fixados como valor da taxa de visto irão continuar a vigorar e devem, como de costume, ser pagos num dos bancos comerciais em Dakar, Senegal.

Para justificar estas mudanças, Tanya Brothen afirma que o novo método é “mais simples e menos custoso para os requerentes de vistos”.

Em relação as pessoas que já pagaram a taxa de visto que, no entanto, ainda estão a espera do “encontro para a entrevista” a diplomata garante que os seus direitos serão salvaguardados.

Outra informação aos que aguardam entrevista na embaixada é que devem evitar de transportar conteúdos como “sacos grandes”, “recipientes com líquidos”, “objectos metálicos”, “telefones celulares” e “comida”, quando se deslocarem para a embaixada.

Na sequência do conflito político-militar de 7 de Junho de 1998 na Guiné-Bissau, a Administração norte americana transferiu a sua representação diplomática para a República do Senegal.

E, segundo a vice-cônsul, Tanya Brothen desconhece-se, por enquanto, a data para a reabertura da embaixada dos Estados Unidos de América na Guiné-Bissau. 

Fim/ANG/QC