terça-feira, 4 de outubro de 2016

Comunidade internacional

União Europeia e China alertam para urgência do fim da crise na Guiné-Bissau

Bissau,04 Out 16(ANG) – Os embaixadores da União Europeia e da China, alertam que é urgente ultrapassar a crise política que afecta a credibilidade do país e o empenho dos parceiros internacionais.

Na opinião  destes dois dos principais parceiros de cooperação e desenvolvimento da Guiné-Bissau,  o dilema dos doadores, neste momento, é o problema de convivência democrática face aos desafios de combate à pobreza que assola o país.

O embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Victor Madeira dos Santos em entrevista à Rádio Difusão Portuguesa para África, RDP- África, voltou a defender que o país deve sair deste ciclo vicioso para se lançar em grandes questões do desenvolvimento, que só terão apoios da União Europeia com governos estáveis.

"Nós não podemos é pensar em lançar um apoio orçamental quando não temos estabilidade política nos ministérios, é impossível. Costumo dizer muitas vezes que a União Europeia não tem um botão stop - start, esse é o nosso dilema - de todos os doadores neste momento", afirmou o embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau.

O embaixador da China, Wang Hua, em entrevista à Rádio Nacional da Guiné-Bissau-RDN disse que o país precisa de estabilidade e de mais dinâmica governativa para recuperar o tempo perdido.

"Dentro de poucos dias, vamos ter outra oportunidade a nível de cooperação entre a China e Países de Língua Portuguesa e a Guiné-Bissau não pode perder, uma vez mais, oportunidade", descreveu o o embaixador da China.

Aponta como exemplo, o Fórum de Cooperação China África realizado no África Sul, onde se disponibilizou uma verba de 62 biliões de dólares para os países africanos em três anos.
Dos trezentos projectos apresentados até aqui, a Guiné-Bissau obteve o apoio de apenas um projecto de assistência agrícola gratuita.

Por isso, Wang Hua alertou que o país deve aproveitar o Fórum de Cooperação Económica China-CPLP, a realizar no dia 11 de Outubro, em Macau.

O Primeiro-ministro, Baciro Djá é quem vai chefiar a delegação guineense à participar no Fórum de Cooperação Económica China-CPLP. ANG/RFI

Política

Encontro entre  direcção do PAIGC e grupo dos 15 adiado sine die

Bissau,04 Out 16(ANG) - O primeiro encontro entre o PAIGC e os seus 15 deputados que se opõem à direção do partido ainda está a ser preparado e foi adiado para uma data a definir, depois de estar previsto para segunda-feira, disse à Lusa fonte daquela força política.

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) constituiu uma comissão que convidou os militantes para encontros individuais que teriam início nesta segunda-feira, mas "a metodologia de trabalho" deverá ser alterada, acrescentou.

A comissão deverá reunir-se com o "grupo dos 15" nos próximos dias, em vez de realizar encontro individuais, referiu a mesma fonte, baseando-se em contactos entretanto realizados.

Na sexta-feira, um dos deputados disse em conferência de imprensa que o grupo voltaria ao diálogo desde que fossem levantadas as sanções impostas aos seus membros e ao mesmo tempo voltou a pedir a demissão do líder do partido, Domingos Simões Pereira.

O PAIGC, vencedor das últimas eleições na Guiné-Bissau, em 2014, pretende chegar à reconciliação com o grupo de 15 parlamentares que em janeiro se juntou à oposição.

A perda da maioria na Assembleia Nacional Popular (ANP) foi uma das razões invocadas pelo Presidente da República para demitir o governo do PAIGC, em maio, e empossar um executivo que junta elementos do grupo dos 15 e do Partido da Renovação Social (PRS).

No entanto, as divisões impediram que o parlamento voltasse a funcionar, levando a um beco sem saída.

A aparente reaproximação entre o grupo opositor e o PAIGC acontece depois de uma missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ter promovido, em setembro, a assinatura de um acordo para formação de um governo de inclusão. ANG/Lusa

Política

Líder do  PUN pede cumprimento do acordo da CEDEAO 

Bissau,04 Out 16(ANG) - O líder do Partido de Unidade Nacional (PUN), disse que é importante que  o país e os actores políticos guineenses assumam as suas responsabilidades históricas perante o acordo  da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO), assinado no mês passado.

Idrissa Djalo que falava em exclusivo á Rádio Sol Mansi depois de uma visita  àquela estação emissora na segunda-feira, disse ainda que é chegada a altura de o Presidente da República suspender as suas viagens ao exterior e resolver a crise política que perdura há mais de um ano.

“ O Presidente da República é a pessoa investida para procurar soluções. O país está completamente parado, a crise política que  invocou no passado e que, no nosso ponto de vista, não existia,  hoje é uma realidade. Mas também existem crise económica e social”, lamentou o político.

Afirmou que a prioridade hoje para José Mário Vaz  deve ser a permanência no país  para a resolução dos problemas, e que caso não o fizer irá falhar, gravemente, a sua missão.
Idrissa Djaló disse ainda que o importante neste momento não é relembrar o problema mas sim encontrar formas de as resolver.

“O governo inclusivo, naturalmente, deve retomar os resultados eleitorais. Existe um partido vencedor das eleições e o poder deve ser retornado a ele ou ao povo”, defende o líder o PUN que disse ainda que o Presidente da República deve dissolver o parlamento.

Djalo exorta as outras formações políticas a se abstiverem de imiscuir nos assuntos internos de outros partidos, frisando que  o problema do PAIGC deve ser resolvido a nível interno.

“Estando na democracia deve haver respeito mútuo e isso implica abster-se absolutamente de imiscuir nos assuntos internos de outros partidos, mesmo com razão e vontade. O PAIGC tem problema e deve ser resolvido ou não por eles, e quem finalmente decide  é o povo”, aconselha.

A crise política persiste no país e não há uma data para a implementação do acordo da CEDEAO que recomenda num dos pontos, a criação de um governo de inclusão que deverá dirigir o país durante dois anos. ANG/Sol Mansi