quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Maputo

                       Assassinada a empresária Valentina Guebuza

Bissau,15 Dez 16(ANG) – A empresária Valentina Guebuza foi assassinada, pelo marido, nesta quarta-feira,14, em Maputo, escreve a imprensa moçambicana.
Valentina Guebuza
A filha do ex-Presidente moçambicano, Armando Guebuza, Valentina dirigia parte dos negócios da família.

Citando uma fonte da família do marido, Zofimo Muiuane, o Canal de Moçambique escreve que o crime ocorreu na residência do casal, numa zona nobre de Maputo.

A morte foi confirmada pela policia e está a ser largamente comentada nas redes sociais.
Há indicações de que Valentina foi atingida por, pelo menos, quatro tiros, e de tentativas frustradas de reanimação numa clínica de Maputo.

Sem confirmação, a Folha de Maputo escreve, na internet, que Muiuane foi detido pelas autoridades.

Consta que o casal vivia momentos conturbados. Casaram em Julho de 2014.

Valentina, muitas vezes citada como gestora de negócios da família Guebuza, dirigia a Startimes, empresa sino-moçambicana de tecnologia, responsável pelo processo de migração digital de rádio e televisão naquele país.
ANG/VOA

Retrospectiva

         Ano 2016: Crise social e política agravou-se na Guiné-Bissau
Bissau,15 Dez 16(ANG) - O ano de 2016 na Guiné-Bissau foi dominado pela instabilidade política - três primeiros-ministros sem orçamento de Estado e sem programa de governo aprovado no parlamento.
 
Segundo a retrospectiva do ano 2016 publicada pela Lusa, quase todos os aspetos do quotidiano no país acabaram por ser afetados pela crise política que nasceu no seio do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor incontestado das eleições gerais de 2014, mas após um congresso interno em que já se notavam as divisões.

Braima Camara
O Presidente da República, José Mário Vaz, demitiu o primeiro-ministro (e presidente do partido) Domingos Simões Pereira em agosto de 2015 e desde então não voltou a haver um governo que conseguisse pôr o parlamento a funcionar.

Foi um balde de água fria para os doadores internacionais que poucos meses antes, em março, tinham prometido mil milhões de euros de ajuda externa à Guiné-Bissau e que agora pedem governabilidade para retomar os projetos. Mas estabilidade, nem vê-la.

Florentino Mendes Pereira
O ano de 2016 foi um prolongamento da crise política semeada em 2014 e colhida em 2015, agora com crispações pessoais e políticas a chegarem ao rubro, relegando para segundo plano a grave situação social do país.

As escolas públicas estiveram fechadas durante quase todo o primeiro período devido a uma greve geral de professores, houve deterioração de equipamentos e serviços de saúde, suspensão de projetos de novas infraestruturas rodoviárias e a atividade legislativa paralisou.

Até no futebol, que os guineenses tanto amam, o campeonato foi interrompido a meio devido a alegada falta de verbas a atribuir pelo governo.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos lançou um alerta no início de dezembro: a crise tem levado a que o país deixe de contar com políticas públicas devido a “ausência de um governo legítimo” para as elaborar.

É um regresso à estaca zero do país em que nunca um governo cumpriu o respetivo mandato até ao fim.

Por outro lado, com a instabilidade há menos controlo do erário público e a Liga refere que a corrupção têm crescido no aparelho de Estado.

O Presidente Vaz e o PAIGC aprofundaram o fosso que os separa, com o chefe de Estado a demitir o veterano Carlos Correia (segundo primeiro-ministro da legislatura) e dar posse a um governo formado pelo principal partido da oposição (PRS) e 15 deputados dissidentes do PAIGC.

Mas sem o controlo da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular (nas mãos do PAIGC), esta nova maioria parlamentar nunca conseguiu por o hemiciclo a funcionar e o seu governo acabou por cair.

O terceiro primeiro-ministro do ano foi Umaro Sissoco, general na reserva aos 44 anos, figura desconhecida das lides políticas e que não gerou consenso junto dos partidos – apesar de resultar do Acordo de Conacri, mediado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para resolver a crise.

Nas ruas houve manifestações organizadas que juntaram cerca de mil pessoas a pedir a renúncia do Presidente da República, José Mário Vaz, mas acabaram por ser proibidas e até reprimidas pelo Governo da “nova maioria”, no que foi considerado pela Liga dos Direitos Humanos como um sinal de retrocesso no domínio das liberdades.

A organização chegou a falar da tentativa de impor um novo regime, com censura na Rádio Difusão Nacional e na Televisão da Guiné-Bissau, com o objetivo de silenciar a população.

Só o golo do guineense Éder que fez de Portugal o novo campeão europeu de futebol e o apuramento da Guiné-Bissau para o Campeonato Africano das Nações (CAN) parece salvarem o ano .Resta saber se a seleção terá verbas para participar na prova a partir de 14 de janeiro, no Gabão.
ANG/LUSA

CAN 2017


“São precisos cerca de dois bilhões de francos CFA para a deslocação da caravana desportiva ao Gabão”, diz José da Cunha

Bissau,15 Dez 16(ANG) – O Presidente da Comissão Nacional Preparatória do CAN2017 disse que são precisos perto de dois bilhões de francos CFA para a deslocação da caravana desportiva nacional à fase final desta competição a decorrer no próximo mês no Gabão.

José da Cunha, em conferencia de imprensa, realizada quarta-feira pediu que se disponibilize rapidamente o dinheiro para não complicar ainda mais os preparativos do CAN. 

“Apesar das promessas,  a Comissão Preparatória ainda não foi contemplada com a verba financeira que lhe permita ultimar os preparativos. Pretende-se levar adeptos, jornalistas, dirigentes desportivos, governantes, convidados especiais entre outros”, informou. 

Cunha disse que se pretende colocar urnas nas ruas de Bissau para que cada cidadão possa contribuir, na medida de possível, para que a ida ao CAN seja uma realidade. 

Ressalva que até então a Guiné-Bissau só fez reserva nos hotéis em Libreville, mas ainda não pagou.

O alerta acontece numa altura em que se encontra no Gabão, uma delegação guineense, a fim de proceder a avaliação técnica das instalações hoteleiras que vão albergar as delegações das diferentes seleções, incluindo da Guiné-Bissau.

.A Guiné-Bissau é o único país da África lusófona a marcar presença na fase final da competição, que se disputa em janeiro de 2017, no Gabão.

A seleção guineense figura na primeira posicao no  grupo E, com 10 pontos, seguida por Congo, com nove, Zâmbia, com sete, e Quénia, com cinco.

No mês passado, o Chefe do Governo, Umaro Sissoco, disse que o Executivo irá assumir as despesas da participação do país na fase final da taça das Nações Africanas de Futebol (CAN). 
ANG/Site O Golo GB

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Comunicação Social

Sindicato da Rádio Difusão Nacional insurge contra difusão de “informações tendenciosas”

Bissau, 14 Dez 16 (ANG) – O Comité Sindical de Base dos trabalhadores da Rádio Difusão Nacional (RDN), insurgiu contra o que considera de “informações tendenciosas”, difundidas nos últimos tempos naquela estação emissora e que põe em causa a paz e a estabilidade do país.
Foto arquivo
Em conferência de imprensa realizada terça-feira, o Porta-Voz desse comité, Emerson Gomes Correia disse que os profissionais daquela casa sempre pautam pelos princípios que regem a profissão.
“Neste sentido trabalhamos independentemente de qualquer pessoa  que fosse nomeado Director-geral na radio”, informou.
Aquele dirigente sindical afirmou que na passada sexta-feira, foi difundida na RDN um Magazine Informativo sobre  um  grupo de militantes do PAIGC da região de Gabú, leste do país  com conteúdos que não obedecem a linha editorial da rádio e sem  conhecimento do  Chefe de Redação, facto que motivou o pedido de demissão deste.
Gomes Correia acrescentou que o único compromisso da RDN é com o país, acrescentando que outros comportamentos adversos não podem ser compactuados com esse compromisso.
Por seu lado o presidente do Comité Sindical de Base da RDN manifestou a sua indignação face ao  comportamento da Direcção da emissora nacional, frisando que a noticia difundida na referida Magazine Informativa não ajudará na tranquilidade das populações.       
Cussa Sissé criticou o facto de o  Director-geral da RDN ser o promotor da referida Magazine, e ainda o facto desse magazine ser apresentado por, António Iaia Seidi, que não é jornalista da radiodifusão nacional.
ANG/PFC/ÂC/SG

Pequim

                           Reiterado o princípio de "Uma só China"

Bissau, 14 Dez 16 (ANG) - O Governo chinês advertiu terça-feira  o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de que, se não respeitar a política de “Uma só China”, não vai haver estabilidade nas relações entre as duas  potências.

O Ministério chinês de Relações Exteriores esclareceu que se for mantido esse princípio, pelo qual Pequim insiste que seja reconhecido como o único governo da China e que Taiwan seja considerada uma província rebelde, “o desenvolvimento estável das relações entre China e EUA estão fora de discussão”.

O Governo chinês, prosseguiu o porta-voz do ministério, “está seriamente preocupado” pelas declarações do Presidente eleito norte-americano, Donald Trump, que numa entrevista divulgada no domingo pela cadeia televisiva “Fox News” pôs em duvida que seja necessário seguir com a política de “Uma só China”, que desde 1972, sete anos antes do restabelecimento total dos seus laços diplomáticos, norteia as relações entre os dois países.


“Quero enfatizar que a questão de Taiwan é realmente um interesse central para a China. A adesão ao princípio de “uma só China” representa os alicerces políticos para o desenvolvimento das relações entre China e Estados Unidos”, referiu o porta-voz Geng Shuang.
Se  o princípio  “Uma só China” for comprometido ou interrompido, o crescimento estável das relações entre China e EUA, assim como a cooperação nas áreas mais importantes, está fora de discussão”, reiterou o porta-voz chinês.


O Governo chinês, disse Geng Shuang, pede à nova Administração americana “que admita a sensibilidade da questão de Taiwan e adira à política de “Uma só China”, assim como aos princípios estabelecidos pelos três comunicados conjuntos entre China e Estados Unidos”, e que Washington “administre este assunto de maneira adequada e prudente para que não interrompa ou danifique os interesses gerais das relações bilaterais”.

Isto, concluiu o porta-voz, “não afecta apenas os interesses fundamentais das relações entre China e EUA, mas também a paz, a estabilidade e a prosperidade da região Ásia-Pacífico e do resto do mundo”.

O jornal chinês “Global Times” advertiu que se o próximo Presidente norte-americano apoiar abertamente o processo de Independência de Taiwan e aumentar a venda de armas à ilha, Pequim pode responder com “forças hostis aos Estados Unidos”.


Referiu que tudo depende de como Washington gerir os seus interesses em Taiwan. Pequim exige o reconhecimento deste princípio a todos os países com os quais mantém relações diplomáticas. Este princípio impede qualquer Independência formal de Taiwan, separada politicamente do continente desde 1949.
ANG/JA

Função Pública


     UNTG reivindica fixação de salário mínimo em  75 mil francos CFA   

Bissau, 14 Dez 16 (ANG) - A União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (UNTG) iniciou esta terça-feira uma greve de dois dias reivindicando entre outras, a fixação do salário mínimo nacional em 75 mil francos CFA.

Secretário Geral da UNTG
Segundo o  porta-voz da Comissão de greve Júlio Mendonça citado pela  RDP África, a situação de 28 mil francos CFA que se verifica como salário mínimo actualmente na função pública da Guiné-Bissau deve-se a uma falta de vontade dos governantes, no que concerne a melhoria de situação de vida dos trabalhadores.

“Desde a independência até data presente nenhum funcionário público consegue se satisfazer com o seu salário. A situação vivida na função pública guineense é dos piores. Um funcionário público nem se quer consegue construir uma casa ou então viver bem com a sua família na base do seu salário”, lamento.

Mendonça. acrescenta que, nessas condições, vai ser difícil combater a corrupção na função pública, porque “quando uma pessoa não tem dinheiro recorre a outras vias para satisfazer as suas necessidades”.

 “Os nossos governantes pensam sempre em seus interesses pessoais, por isso, levam vida de luxo e nós somos sempre os prejudicados”,, disse Julho Mendonça.

O porta-voz da comissão da greve prevista para hoje e amanha, disse que a paralisação se realiza igualmente em solidariedade para  com os funcionários das empresas de telecomunicações Orange Bissau, MTN e Empresa de segurança “Masa”, cujos foram expulsos por exercerem os seus direitos sindicais. 
ANG/AALS/SG

UNICEF

                  Tchuma Bari nomeada nova embaixadora nacional

Bissau,14 Dez 16 (ANG) – A artista guineense Fatumata Tchuma Bari foi nomeada terça  embaixadora nacional do Fundo das Nações Unidas para Infância UNICEF, anunciou a representante adjunta da organização no país.

A nomeação foi anunciada no dia em que a  UNICEF celebra 40 anos de actividades em apoia e  defesa dos  direitos das crianças no país, sob lema: “Para cada criança, esperança”.

UNICEF justifica a escolha pelo contributo que a Tchuma Bari dá para organização em temos de produção de músicas com temas ligados a amamentação e a lavagem de mãos.

“Dado ao seu compromisso com as crianças que merecem melhores condições de vida, saúde, educação e proteção contra violência contamos que Tchuma Bari é promotor eloquente dos direitos das crianças”, considerou a organização.

Para além do título da embaixadora da UNICEF Tchuma Bari recebeu do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Cooperação Internacional e das Comunidades, Soares Sambo, um passaporte diplomático da Guiné-Bissau.

Soares Sambo reconheceu o rol preponderante da UNICEF em vários domínios na assistência às crianças, jovens e  mulheres, com particular incidência no comprimento dos objectivos do desenvolvimento de milénio.

Segundo  a Represente da UNICEF no país Christine Jaulmes 50 pessoas trabalham arduamente para assegurar o programa da organização para melhorar a vida das crianças, incluindo as que se encontram nas zonas mais remotas do país.

“Isso se reflete nos esforços conjunto com o governo e parceiros na execução de inúmeros campanhas de vacinação, distribuição de mosquiteiros, manuais escolares, construção de escolas realização de campanhas de comunicação e mobilização social, inquérito nacionais aos agregados familiares”, disse Christine Jaulmes.

Disse estar satisfeita pelos progressos verificados nas ultimas décadas no país, nomeadamente , a redução da mortalidade infantil para metade, melhoria do acesso à agua e saneamento em mais de 15 por cento, o aumento do saber sobre a prevenção do SIDA e o aumento de 160 por cento da taxa de matricula do primeiro e segundo ciclo. 

A celebração dos 40 anos contou com animação musical da Tchuma Bari com temas que incentivam as mulheres a amamentarem os filhos durante os primeiros seis meses e da prática de lavagem das mãos antes de comer e depois de sair da casa de banho.  

Tchuma Bari é filha do consagrado músico já falecido, Aliu Bari, da orquestra nacional Cobiana jazz. 
ANG/LPG/SG

Política


       PAIGC e outras forças acusam PR  de se afastar da Ordem Constitucional
  
Bissau,14 Dez 16 (ANG) - O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e outras forças partidárias acusaram terça-feira o Presidente da República guineense de se afastar, de forma perigosa, da ordem constitucional ao dar posse a um novo Governo.

Em comunicado, o Espaço de Concertação Política dos Partidos Democráticos da Guiné-Bissau exprime "profunda indignação pelo contínuo e perigoso afastamento" do Presidente em relação aos "acordo firmados" e à "ordem democrática e constitucional".

Os partidos consideram que a formação do executivo e a escolha do novo primeiro-ministro, Umaro Sissoco, contrariam o acordo de Conacri, que juntou os dirigentes políticos guineenses em outubro sob mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Segundo referem, nem o líder do executivo é de consenso, nem a equipa respeita a quota de cada força no parlamento, como acordado.

"Perante tamanha violação do acordo de Conacri e das leis da República, o Espaço de Concertação Política dos Partidos Democráticos expressa o seu  repúdio e condenação dos atos do Presidente e identifica-o como exclusivo responsável pela crise prevalecente e por todas as consequências que daí derivam", conclui o comunicado.

O PAIGC e os partidos que o acompanham criticam também o facto de José Mário Vaz ter dado posse ao Governo, apesar de haver vários apelos para que se aguardasse pela cimeira de chefes de Estado da CEDEAO, no sábado, reunião para a qual está agendado o anúncio do primeiro-ministro de consenso escolhido em outubro.

O Espaço de Concertação Política dos Partidos Democráticos é constituído pelo PAIGC e outros dois partidos com assento parlamentar, a União para a Mudança (um deputado) e o Partido da Convergência Democrática (dois deputados), além de outras três forças sem assento parlamentar: PUN, MP e PST.  
ANG/LUSA