Regime Jammeh reprime elementos da oposição
Bissau, 05 Jan 17 (ANG) - A agência de notícias africana Panapress
denunciou que o Governo gambiano lançou uma repressão massiva contra os membros
da oposição, detendo alguns, e encerrou uma estação de rádio independente, a
rádio FM Tanraga.
Segundo a fonte, o
opositor Daba Muhammed Kuyateh foi detido no domingo, na sua residência em
Bakoteh, e está actualmente encerrado na sede da Agência Nacional de
Inteligência (NIA).
A repressão segue-se à afixação de cartazes nas ruas de Banjul, a capital, e a
impressão em camisolas das palavras “GambiaHasDecided” (A Gâmbia Já Decidiu),
por membros da oposição, refere a Panapress e acrescenta que a Agência Nacional
de Inteligência ameaçou deter a equipa de campanha #GambiaHasDecided e os seus
simpatizantes.
A informação foi confirmada por fontes na cidade comercial de Serrekunda, onde
testemunhas revelaram que elementos das Forças Armadas retiraram todos os
cartazes e perseguiram jovens nas suas casas.
No primeiro dia do ano, o presidente cessante e candidato derrotado nas
últimas presidenciais, Yahya Jammeh, que após reconhecer a derrota, deu o dito
pelo não dito e agora recusa entregar o poder, acusou a Comunidade Económica
dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de fazer-lhe “uma declaração de
guerra” ao prometer “engajar todos os meios para o afastar do poder”.
Yahya Jammeh excluiu participar em diálogo da CEDEAO devido ao que considera
“parcialidade” desta organização regional da África Ocidental e reiterou
o pedido de anulação das eleições presidenciais realizadas em 1 de Dezembro.
O Presidente cessante e candidato derrotado reclama uma nova votação e já
afirmou que continua à governar até o Tribunal Supremo se pronunciar sobre o
seu recurso, que deve ser examinado em 10 de Janeiro, nove dias antes de
expirar o seu mandato, à luz da Constituição.
Além da CEDEAO, a União Africana e Nações Unidas têm apelado a Yahya Jammeh para
aceitar a derrota e abandonar o poder.
O enviado da ONU para a África Ocidental apela ao Presidente cessante a
“respeitar o veredicto das urnas e garantir a segurança do Presidente eleito,
Adama Barrow, e de todos os cidadãos gambianos”.
Yahya Jammeh afirmou que a intervenção de potências estrangeiras não vai mudar
a sua decisão e advertiu que não vai tolerar nenhuma manifestação nas ruas e,
numa decisão considerada por analistas como uma tentativa de assegurar a
lealdade da hierarquia militar, promoveu pelo menos 250 oficiais subalternos e
superiores.
O Chefe de Estado cessante da Gâmbia impediu a aterragem, no aeroporto de
Banjul, de um avião que transportava uma delegação da CEDEAO. A organização
integrada por 15 Estados africanos enviou em 13 de Dezembro à capital gambiana,
Banjul, uma missão de Chefes de Estado integrada pela liberiana Ellen Johnson
Sirleaf e o nigeriano Muhammadu Buhari, presidente em exercício da organização,
para convencer, sem sucesso, Yahya Jammeh a ceder o poder.
Após o fracasso da mediação regional, a CEDEAO admite, caso falhe a “diplomacia
preventiva”, tomar “decisões mais drásticas”, entre as quais a opção militar
para a “possível solução” da crise.
ANG/JA