sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Religião



Bispos apelam diálogo, compreensão e entendimento entre  políticos guineenses 

Bissau, 17 Nov 17 (ANG) – Os “treze” Bispos de diferentes países  africanos, nomeadamente a Guiné-Bissau, Cabo-verde, Senegal, Mauritânia e de mais países, apelaram hoje ao diálogo, compreensão  e entendimento entre os políticos guineenses, no encontro efectuado com o Presidente da República, José Mário Vaz.  

Os referidos Bispos se encontram no pais no ambito de uma Conferência “Episcopal,” na qual discutem a vida religiosa nos respectivos países, iniciativa aberta segunda-feira e que termina no sabado.

Em declarações à imprensa, o Porta-voz dos “treze” Bispos, Benjamin Ndiaye disse que a única forma de pôr fim a qualquer tipo de conflito, é o diálogo, acrescentando que  só conversando é que o conflito político vigente na Guiné-Bissau conhecerá o seu fim.  

Aquele responsável religioso destacou que o povo perde aquilo que a natureza da sua terra lhe oferece, enquanto os homens recusarem sentar-se a uma  mesa para alcançarem  o mesmo objectivo. 

De acordo com Ndiaye, aproveitaram a ocasião para informar ao Presidente da República, que  “ O Bem Comum” foi o tema escolhido para discutir na Conferencia dos Bispos na Guiné-Bissau.

“Queremos com isso dizer ao PR, que nós os Bispos, queremos que toda a população guineense alcance tudo de bom para a sua vida, e  o Chefe de Estado guineense manifestou-nos a sua preocupação face ao assunto”, referiu.

ANG/LLA/SG

         

Política



 “Eu perdoei todas as pessoas que estiveram envolvidas na tentativa de me assassinar”, diz Iancuba Indjai 

 Bissau,17 Nov 17(ANG) - O líder do Partido de Solidariedade e Trabalho (PST), Iancuba Indjai disse numa entrevista exclusiva ao semanário O Democrata, que, há muito tempo, decidiu perdoar todas as pessoas que estiveram envolvidas na tentativa de o assassinar no dia 22 de outubro de 2012.
 
Disse que tomou-a  em nome de uma verdadeira reconciliação, e que desejaria  que  todos aqueles que se sentiram injustiçados ou torturados tomassem a mesma decisão.
Djola Indjai criou e dirigiu a Frente Nacional Anti Golpe (FRENAGOLPE), uma iniciativa que exigia reposição da ordem constitucional, depois do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, conduzido pelo ex-chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, General António Indjai. 

Iancuba Indjai fora sequestrado por um grupo de pessoas desconhecidas nas instalações da sede do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), onde se encontrava a reunir com os dirigentes daquela formação política, que também faziam parte da FRENAGOLPE.

Em entrevista ao  O Democrata  explicou que está a 100 por cento disponível para regressar ao país que o viu nascer.  Ndjai se encontra exilado em Portgugal.

Acrescentou que está muito bem de saúde e assegurou que o seu estado de saúde é o resultado do trabalho de muitos médicos tradicionais e modernos, desde os médicos de ECOMIB em Bissau, médicos do hospital militar de Dakar (Senegal) e por último os médicos neurologistas franceses que o trataram durante oito meses.

Assegurou ainda que na qualidade do combatente da liberdade da pátria, sente o dever de voltar à Guiné-Bissau para  dar a sua modesta contribuição para o desenvolvimento democrático e sustentável do país. 

Lembrou, neste particular, que o regresso dos exilados é o resultado da vontade popular expressa por mais de 70 mil guineenses que subscreveram a petição pública para o regresso de todos os exilados políticos.

Sublinhou por isso, que a iniciativa não é de um grupo de pessoas como se diz, mas de milhares de pessoas que, sob a coordenação do Movimento “Nó Djunta Mon pa Fidju di Guiné Riba Casa”, pedem o regresso de todos os guineenses à pátria. 

ANG/O Democrata

Marcha/Reação



LGDH exige libertação imediata de manifestantes  

Bissau, 17 Nov 17 (ANG) - A Liga Guineense dos Direitos Humanos (HGDH) exige a libertação imediata e incondicional dos manifestantes detidos na marcha de “coletivo dos partidos democráticos” realizada quinta-feira em Bissau.

A informação consta num comunicado à imprensa enviada hoje à redação da ANG.

No comunicado a LGDH considerou de triste a atuação das Forças de Segurança contra manifestantes, no âmbito da marcha organizada pelo “Colectivo dos Partidos Democráticos”, quando estes tentavam aceder à Praça dos Heróis Nacionais.

“Esta intervenção desajustada e excessivamente violenta das Forças de Segurança que resultou na detenção de 14 indivíduos, sendo quatro deles posteriormente conduzidos ao hospital devido aos ferimentos sofridos, e mais de uma dezena de feridos até ao momento contabilizados, constitui uma violação flagrante dos direitos fundamentais dos cidadãos”, refere o documento.

O comunicado de imprensa acrescenta que o acto representa igualmente
 uma ameaça à democracia e à liberdade de manifestação consignadas na Constituição da República e nas demais leis em vigor no país.

De acordo com o documento, a LGDH condena a atuação das Forças de Segurança e considera- a  uma forma de cortar as liberdades de manifestação e de expressão na Guiné-Bissau.

Exortou o Governo, em particular o Ministério do Interior no sentido de se abster da prática de actos que possam agravar ainda mais  a situação da crise política vigente no país.

A LGDH instou o Ministério Público a abertura de um inquérito transparente e conclusivo com vista ao esclarecimento cabal das circunstâncias em que ocorreu o acto acima referido, e consequente responsabilização criminal dos seus autores.

A Liga apela os atores políticos, sobretudo aos protagonistas da presente crise,uma maior contenção e moderação no que concerne as declarações públicas, capazes de pôr em causa a paz e tranquilidade que o país almeja.

 Alertou os efetivos das forças de segurança sobre eventuais responsabilidades criminais decorrentes do cumprimento de ordens ilegais. 

ANG/AALS/ÂC/SG






Dia das FARP



CEMGFA apela aos cidadãos civis para não se  interferirem  em assuntos militares

Bissau, 17 Nov 17 (ANG) – O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) apelou quinta-feira aos guineenses civis para se abdicarem de interferir em assuntos militares.

Biaguê Na Ntan que dirigia uma mensagem alusivo à comemoração do Dia das Forças Armadas Revolucionarias do Povo (FARP), que se assinala a 16 de novembro, disse que o apelo vem na sequência das recentes especulações difundidas na imprensa nacional e estrangeira segundo as quais ele teria entregado ao Chefe de Estado, José Mário Vaz um pedido de demissão das suas funções.

Referindo-se ao evento, Biagué Na Ntan afirmou que antes da criação das FARP, já existia uma força de guerrilha que desempenhava cabalmente as suas funções para que foi criada.

Informou que na dinâmica da própria guerra, o mesmo transformou-se num exército regular organizado e bem treinado cuja missão era exclusivamente combater contra o exército colonial português.

Explicou que com a existência das FARP, foram criadas condições mínimas para formação dos jovens quadros das forças armadas possuindo assim um comando organizado que permite dar respostas operativas de ponto de vista militar.

O CEMGFA referiu que foram estes homens que facilitaram o processo da independência, proclamada em 24 de setembro de 1973, em Madina de Boé, no leste do país.

Acrescentou que depois da independência, as Forças Armadas sofreram várias transformações até a abertura ao multipartidarismo em 1991, tornando-se apartidário, deixando de ser braço armado de qualquer força política.

“Apesar disso, não escapou as influências dos políticos e, como consequência, o país mergulhou numa crise político-militar em 1998, que dividiu as forças armadas até ao passado recente e  as sequelas da referida crise foram apagadas com as eleições gerais em 2014”, referiu.

Na Ntan clarificou que graças a liderança ponderada e equilibrada da atual direcçâo das Forças Armadas, o país  respira ar de alívio, que permitiu as instituições políticas desempenharem as suas funções com segurança.

Explicou que três anos após a sua nomeação para o cargo do CEMGFA os militares realizaram entre outras obras, a  reabilitação das casernas militares na Fortaleza de Amura, a restruturação das Forças Armadas, formações no exterior, capacitação dos oficiais subalternos e sargentos em Cumeré e a preparação da Escola de São Vicente para curso de promoção de quadros permanentes.

Em relação as atividades desenvolvidas, disse que transformaram o clube de Estrela Negra em Hotel Militar, reativaram os acordos com países amigos, relançaram a produção agrícola, o processo de recrutamento es novos mancebos, cuja formação está em curso.

Por sua vez. o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, Ibraima Papa Camará elogiou  o CEMFA pelo esforço e empenho que tem dado aos militares e agradeceu o Reino de Marrocos pela oferta de novo fardamento aos três ramos das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

As FARP foram fundadas em 16 de Novembro de 1964 e durante a cerimónia de comemoração da efeméride estiveram presentes os ministros das Obras Públicas, dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro Militar das Nações Unidas.

ANG/JD/ÂC/SG

CEDEAO



 Alpha Condé lamenta não ter anunciado em Conacri o nome do primeiro ministro acordado

Bissau,17 Nov 17(ANG) - Alpha Condé, presidente em exercício da União Africana, admitiu quinta-feira em Paris falhas na gestão da mediação da CEDEAO e da organização pan-africana, incapaz de pôr cobro ao impasse em Bissau .

Foto Arquivo
Em declarações a Olivier Rogez, Alpha Condé lamentou não ter anunciado em Conacri o nome do primeiro-ministro que fora acordado para a Guiné-Bissau.

Condé alegou não o ter feito para respeitar a soberania do vizinho guineense e para preservar o seu homólogo, José Mário Vaz que alega não estar a cumprir um Acordo com o qual todas as partes guineenses concordavam.

Alpha Condé é também o chefe de Estado da Guiné Conacri, um país que está em foco em Paris até esta sexta-feira com um evento sobre o financiamento do plano de desenvolvimento.

"A constituição da Guiné-Bissau é como a constituição portuguesa. O presidente não tem poderes, é um pouco como a rainha de Inglaterra ou o presidente alemão. E isto quando ele é eleito por sufrágio universal, o que já é uma contradição.

A CEDEAO falhou a oportunidade: devíamos durante a transição ter ajudado os nossos amigos da Guiné-Bissau a modificar a constituição.

Mas há acordos que foram assinados: é o partido maioritário guineense que designa o primeiro-ministro... No caso o PAIGC. Convencemo-los a prescindir deste direito e que o presidente apresentasse nomes.

Trata-se de aplicar os Acordos de Conacri que não foram aplicados pelo actual presidente da república. Ou seja é preciso voltar a este Acordo que foi aceite por todos. Admito que haja uma parte minha de culpa: para respeitar a soberania da Guiné-Bissau não quis anunciar o nome do primeiro-ministro em Conacri.

Deixei essa tarefa para o presidente. Enganei-me ao fazer isso. Se toda a gente lá se encontrava, mais valia ter anunciado o nome do primeiro-ministro.

Tanto mais que toda a gente estava de acordo com isso. Pequei por falta de vigilância, mas fi-lo por respeito para com o presidente Vaz que ainda assim é o presidente da Guiné-Bissau.


A solução passa por um regresso ao Acordo de Conacri porque este é a sequência dos acordos anteriores de Bissau, Conacri só o veio confirmar. Ou seja a solução passa por um regresso ao Acordo de Conacri."  ANG/RFI