quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Política




 
Bissau,25 Jan 18 (ANG) - O antigo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, vulgarmente conhecido por Cadogo  entregou quarta-feira à direção do PAIGC uma carta a solicitar a sua presença na qualidade de delegado,no congresso daquela força política que deverá começar no próximo dia 31, disse à Lusa fonte partidária.

Além da visita de cortesia à direção do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Gomes Júnior, regressado ao país na semana passada depois de cinco anos a residir entre Portugal e Cabo Verde, entregou pessoalmente ao líder do partido, Domingos Simões Pereira, uma carta em que solicita a sua presença no congresso.

Carlos Gomes Júnior foi presidente do PAIGC entre 2002 a 2014, ano em que foi substituído, num congresso, por Domingos Simões Pereira. Em 2012, Carlos Gomes Júnior foi deposto por um golpe militar.

Desde que o ex-presidente regressou ao país, na passada quinta-feira, a sua presença no congresso tem sido assunto de conversa entre os militantes do PAIGC. O próprio admitiu estar disponível para voltar a liderar o partido se esta fosse a vontade dos militantes.

O porta-voz do PAIGC, João Bernardo Vieira esclareceu que Gomes Júnior, está impossibilitado de tomar parte no congresso enquanto delegado, por não ser atualmente dirigente de qualquer órgão e ainda por não ter sido eleito nas estruturas de base, conforme os estatutos.

Segundo a mesma fonte, a carta do ex-líder do partido já foi analisada numa reunião da comissão permanente do bureau político, na quarta-feira, o assunto será submetido ao Bureau Político de hoje (25/01), durante a manhã, e no mesmo dia, a partir do meio-dia, será objeto de uma decisão na reunião do Comité Central.

O comité central é o órgão máximo de decisão entre os congressos do PAIGC e é onde se vai determinar se Carlos Gomes Júnior poderá ou não participar no congresso, que decorre entre 31 de janeiro a 04 de fevereiro, em Bissau.

A fonte precisou que o ex-líder solicitou, na sua carta ao partido, que lhe seja permitido tomar parte no congresso enquanto delegado com plenos direitos, isto é, poder votar e ser eleito.

O ex-presidente interino de transição, Raimundo Pereira, deposto na mesma altura do golpe militar com Carlos Gomes Júnior, vai ao congresso nas mesmas circunstâncias, juntamente com outros cinco militantes, precisou a fonte do PAIGC.

A reunião do comité central de quarta-feira deveria  determinar, de forma definitiva, a lista de delegados ao 9.º congresso do PAIGC, que tem para já, Domingos Simões Pereira, como único candidato à sua própria sucessão.

Os estatutos do PAIGC, artigo 23 prevê as seguintes  categorias de delegados:
Delegados eleitos em conferências regionais,   representantes da JAAC, UDEMU,CONQUATSA, grupo parlamentar, dos trabalhadores militantes sindicalizados, das estruturas representativas dos militantes na diáspora, eleitos nas respectivas estruturas e ainda delegados inerentes(membros do Comité Central) e do Conselho Nacional de Jurisdição.  

ANG/LUSA

Caju



“Campanha de 2017 foi um desastre”, diz vice-presidente da Associação de Exportadores e Importadores

Bissau, 25 Jan 18 (ANG) – O vice-presidente da Associação dos Exportadores e Importadores da Guiné-Bissau (AEI-GB), qualificou hoje de “desastrosa” a campanha de caju do ano findo, “apesar de o preço junto ao produtor ter atingido os mil francos cfa.
Falando em exclusivo à ANG, Fernando Flamengo disse que até agora as autoridades ainda não divulgaram a quantidade do produto  exportada.
 
“A campanha que terminou não foi nada boa, por que muitos empresários exportaram o produto demasiadamente tarde, ou seja, nessa altura o preço já não era favorável no mercado internacional, o que foi muito prejudicial para  as empresas“, salientou .

Fernando Flamengo reconheceu que os agricultores podem ter ganho muito em relação aos anos anteriores, no entanto, questionou a importância deste ganho uma vez que, ao contrário dos empresários,  não aplicaram os ganhos  em  investimentos em novas infraestruturas e criação de emprego.

“Investem ou financiam de alguma forma a economia do país?”, questionou o vice dos exportadores para de seguida acrescentar que os agricultores limitam-se apenas a fazer o uso dos benefícios em coisas supérfluas, nomeadamente em cerimónias de usos e costumes.

O também Presidente da Associação Industrial da Guiné-Bissau disse que a aparente “vida de luxo” que os exportadores mostram na praça pública é uma “mentira”, porque quase todos os seus bens estão hipotecados pelos Bancos comerciais por dívidas estrondosas, e no fundo não têm capacidades para gerir a própria exportação.

Acrescentou que são  os indianos, chineses e agora os vietnamitas que financiam as operações.

“Os nossos bancos com um pouco que têm não conseguem ter a capacidade de emprestar à todos e os juros são altíssimos por isso os exportadores estão sujeitos ao financiamento externos”, disse.

Flamengo sublinhou que, o que não percebe é que existem empresários com mais de 20 anos na fileira de caju mas que não conseguem acumular meios financeiros para autofinanciar as suas operações

O Presidente dos Importadores e Exportadores disse que o país podia ter um ganho de verdade se tivesse uma visão para o sector fazendo planos para industrialização de caju diminuindo a exportação e ter mais capacidade de transformação.

Aquele empresário disse que a próxima campanha será mais um como muitas que já passaram ou seja nada vai melhorar porque as  pessoas estão interessadas mais com a política.

 ANG/MSC/ÂC/SG



Política



Idrissa Djaló acusa Carlos Gomes Júnior de responsabilidades nos assassinatos durante seu mandato

Bissau,25 Jan 18 (ANG) - O líder do Partido da Unidade Nacional (PUN), Idrissa Djaló, acusou  terça-feira, Carlos Gomes Júnior de ser responsável político e moral pelos assassinatos que aconteceram durante a sua governação e, por isso, deve ser responsabilizado.

Djaló que falava numa conferência de imprensa realizada na sua residência em Bissau, disse que a chegada de Cadogo Júnior ao país aconteceu num momento político muito importante.

“Após três anos de luta política contra José Mário Vaz, o grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC e o Partido da Renovação Social que estavam a governar indevidamente na Guiné-Bissau e que foram derrotados pelas nossas exigências, aparece Carlos Gomes Júnior como quinta roda de carroça, elemento de apoio a esse grupo”, sublinhou.

 Aquele político disse não ter dúvida sobre qual o papel de Cadogo Júnior, porque desde que chegou ao país até ao dia 22 de Janeiro, o grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC e PRS, revelaram claramente que o objetivo da vinda do antigo ex-Primeiro-ministro é de fazer política, um direito, que reconhece, e que lhe assiste enquanto guineense.

Djaló acrescentou que o mais terrível é ouvir o porta-voz dos militares que deram-lhe golpe em 2012, Fernando Vaz, fazer elogios a Carlos Gomes Júnior.

Disse não compreender porque é que as pessoas que foram vítimas por defenderem a legalidade democrática, a vontade do povo  estão hoje a compactuar com indivíduos que orquestraram a subversão da ordem democrática.

“Actuais dirigentes do grupo dos 15 deputados expulsos do PAIGC, do PRS, incluindo Carlos Gomes Júnior e José Mário Vaz, destruíram a vida de todos os guineenses, introduzindo corrupção no sistema político do país e fizeram parte, várias vezes, na subversão da ordem constitucional, gozando assim com a vontade popular, apropriando-se do bem público para comprar apartamentos no estrangeiro”, acusou Idrissa Djaló.

Por outro lado, o Presidente do Partido da Unidade Nacional [sem expressão parlamentar],  exortou a classe castrense no sentido de continuarem equidistantes aos assuntos políticos do país, porque, segundo o político, chegou a hora de desmascarar o grupo dos políticos que anda a criar complicação no país e defraudar a expetativa do povo guineense há muitos anos. 

Carlos Gomes Júnior, ex-Primeiro-Ministro, que acaba de reressar ao país após cinco anos de exílio em Portugal, foi afastado do poder em Abril de 2012 na sequência de um golpe militar. 

Durante o seu mandato ocorreram os assassínios do ex-presidente João Bernardo Vieira “Nino”, Tagme na Waie, ex-Chefe de Estado-maior general das Forças Armadas, Baciro Dabó e Helder Proença, ambos ex-dirigentes do PAIGC. 

ANG/O Democrata



Brasil

Lula reafirma vontade de se candidatar à Presidência do Brasil
Bissau,25 Jan 18 (ANG) – Lula da Silva reafirmou quarta-feira a vontade de se recandidatar à presidência, depois de ver confirmada por um tribunal de segunda instância a sua condenação a prisão, por corrupção, ao discursar perante uma manifestação de apoiantes em São Paulo.
“Agora quero ser candidato à presidência”, disse Lula da Silva.
O antigo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha avisado que se iria bater até ao fim, qualquer que fosse a decisão dos juízes, para ser elegível na próxima eleição de Outubro, para as quais tem sido considerado o grande favorito.
Ao discursar para os apoiantes, Lula insistiu  na sua inocência, depois de a Justiça ter aumentado a sua condenação por corrupção para 12 anos, assegurando: “A provocação é tão grande, que agora quero ser candidato à Presidência”.
Em tom desafiante, perante uma praça a abarrotar com milhares de apoiantes, Lula acusou: “Fazem tudo para evitar que possa ser candidato, não é ganhar, apenas ser candidato. Mas a provocação é tão grande que agora quero ser candidato a Presidente da República”.
O político disse que, se cometeu um crime, “que lho apresentem” e que caso o façam “desiste da candidatura”.
Dilma Rousseff, que lhe sucedeu na presidência, também já reagiu, através de uma nota de imprensa que colocou na sua página na rede social Facebook.
Aí, Rousseff afirmou: “Vamos garantir o direito de Lula concorrer à Presidência da República, nas ruas e em todos os recantos e cidades do Brasil. Mesmo quando nos golpeiem, como hoje, vamos lutar ainda mais”.
No seu texto, a ex-Presidente apelou a uma reacção contra a “decisão injusta tomada pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª região, em Porto Alegre, ao confirmar a sentença absurda e facciosa que condenou o antigo Presidente Lula”.
Rousseff considerou ainda que “a inocência do ex-Presidente Lula e a perseguição política expressa na sua condenação impedem o restabelecimento da normalidade democrática e a pacificação do país”. ANG/Inforpress/Lusa