RDC/Félix Tshisekedi aceita cessar-fogo imediato proposto por João Lourenço
Bissau, 09 jan 26(ANG) - O Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, manifestou-se esta quinta-feira, 8 de Janeiro, em Luanda, favorável a um cessar-fogo “imediato e incondicional” no leste do seu país, na sequência de um apelo lançado pelo Presidente angolano e actual presidente em exercício da União Africana, João Lourenço.
A deslocação de Félix
Tshisekedi à capital angolana acontece apenas quatro dias depois do
último encontro entre os dois chefes de Estado, revelando a urgência da
situação de segurança e humanitária no leste da República Democrática do Congo.
A região continua a ser palco de confrontos armados, com impactos importantes
sobre a população civil.
Em declarações à
imprensa, o Presidente congolês agradeceu o apoio “incessante” de João Lourenço
aos esforços diplomáticos em curso e confirmou a disponibilidade de Kinshasa
para acolher as iniciativas propostas por Angola. “Uma delas começa por um
cessar-fogo imediato e incondicional. Da nossa parte, subscrevemos totalmente
esta iniciativa”, declarou.
No final do encontro,
uma declaração lida pelo secretário do Presidente angolano para os Assuntos
Diplomáticos e de Cooperação Internacional, Vítor Lima, dá conta da “profunda
inquietação” do presidente em exercício da União Africana perante a degradação
da situação no leste congolês. O documento aponta as ameaças que este contexto
representa para os esforços internacionais desenvolvidos no âmbito do Conselho
de Segurança das Nações Unidas, com destaque para a Resolução 2773, bem como
para os processos diplomáticos de Washington e de Doha.
Segundo João Lourenço,
as iniciativas constituem “sem reserva” a única via para reduzir a tensão
persistente entre a RDCongo e o Ruanda, e para alcançar um entendimento
político duradouro entre os dois Estados. O Presidente angolano apela, por
isso, à cessação imediata de todas as hostilidades e ao cumprimento rigoroso
dos acordos assinados.
A declaração exorta
ainda os governos da RDCongo, do Ruanda e o movimento rebelde Movimento 23 de
Março a respeitarem os compromissos assumidos, colocando no centro das
negociações a protecção das populações e a procura de uma solução pacífica.
Em Dezembro de 2025,
Félix Tshisekedi e o Presidente ruandês, Paul Kagame, assinaram em Washington,
sob mediação do então Presidente dos Estados Unidos, Presidente dos Estados
Unidos da América, um acordo para pôr fim ao conflito. O acordo previa a
retirada das forças ruandesas do território congolês e o fim do apoio a grupos
armados.
Apesar desse
compromisso, Kinshasa continua a denunciar a persistência dos confrontos e o
avanço do M23 em várias localidades do leste do país.ANG/RFI

















