Cabo Verde/Comunidade da Guiné-Conacri residente realça integração e pede facilitação na regularização
Bissau,
05(ANG) – A comunidade da Guiné-Conacri residente em Cabo Verde realçou sexta-feira
a importância da integração e das relações de amizade entre os dois povos, mas
apelou à facilitação dos processos de regularização e obtenção de documentos.
A
posição foi manifestada pelo presidente da Associação dos Guineenses de Conacri
residentes em Cabo Verde, Mamadou Baldé, durante as actividades comemorativas
do 68.º aniversário da Independência da Guiné-Conacri, realizadas hoje na
Câmara Municipal da Praia.
A
Guiné-Conacri proclamou a independência de França a 02 de Outubro de 1958, após
rejeitar, em referendo, a integração na comunidade francesa.
Segundo
aquele responsável associativo, a integração da comunidade tem sido positiva,
apesar dos constrangimentos relacionados com os processos de residência e
obtenção de documentação.
“Estamos
bem integrados aqui em Cabo Verde”, afirmou, acrescentando que vive no país há
26 anos e mantém uma “boa relação” com a comunidade cabo-verdiana, que, segundo
disse, tem demonstrado respeito pelo povo da Guiné-Conacri.
O
presidente da associação defendeu, contudo, a necessidade de facilitar os
procedimentos de entrada, residência e regularização dos cidadãos africanos,
sobretudo nos casos de demora na emissão de documentos, que podem dificultar o
acesso ao trabalho e a permanência legal no país.
Mamadou
Baldé sublinhou ainda a importância da reciprocidade nas relações entre as
comunidades africanas, considerando que a experiência de cada comunidade no
país de acolhimento pode contribuir para uma melhor convivência.
Por
sua vez, o presidente substituto da Câmara Municipal da Praia, Carlos Dias,
afirmou que a autarquia pretende manter as diferentes comunidades residentes na
capital integradas no processo de desenvolvimento da cidade.
“A
Câmara Municipal da Praia, sendo um projecto de Praia para todos, procura
envolver as comunidades que vivem também na cidade e manter-nos integrados
nesse processo de desenvolvimento da cidade”, afirmou.
Carlos
Dias considerou que as actividades promovidas pelas comunidades estrangeiras
contribuem para a divulgação de diferentes manifestações culturais, como
música, dança, artesanato e hábitos culturais.
“Tudo
isso dá uma dinâmica diferente à nossa cidade”, salientou, defendendo a
participação das comunidades no desenvolvimento da Praia.
O
autarca assegurou ainda que a edilidade está disponível para receber as
comunidades e analisar as suas iniciativas, desde que enquadradas na
legalidade, incluindo propostas nas áreas da promoção social, saúde e aquisição
de terrenos para actividades de interesse comunitário.
Dados
do I Inquérito à População Estrangeira e Imigrante, realizado pelo Instituto
Nacional de Estatística (INE) e pela Alta Autoridade para a Imigração (AAI),
indicam que Cabo Verde tinha, em 2022, 10.869 estrangeiros residentes, dos
quais 319 eram cidadãos da Guiné-Conacri, sendo 188 homens e 131 mulheres.
As
relações entre Cabo Verde e a Guiné estão também associadas à circulação de
pessoas e aos movimentos anticoloniais, enquanto o associativismo das
comunidades imigrantes ganhou maior expressão no país a partir da década de
1990. ANG/Inforpress

Sem comentários:
Enviar um comentário