Egipto/Confirmada a prisão de
jornalistas sob acusação de ligação com a Irmandade Muçulmana
Bissau, 02 Out 26 (ANG) - As autoridades egípcias
confirmaram nesta quinta-feira (1°) ter prendido os seis jornalistas da
plataforma de investigação Matsadaash, alegando ligações com a Irmandade
Muçulmana, proibida no país.
A prisão de toda a equipe editorial,
revelada na quarta-feira (30) pela própria plataforma, demonstra uma “escalada
na ofensiva contra o trabalho jornalístico” no país, afirmou Lobna Darwish,
integrante da Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR). Segundo ela,
o exercício do jornalismo no Egito se tornou “extremamente perigoso”.
Em comunicado, o Ministério do Interior do Egito declarou que a plataforma, considerada “não autorizada”, “divulga informações falsas a partir do exterior e distorce os fatos”. Segundo o ministério, o site estaria ligado aos veículos de comunicação da “organização terrorista Irmandade Muçulmana”
O ministério não apresentou nenhuma prova para sustentar as acusações, e o local onde os jornalistas estão detidos não foi informado.
O site negou qualquer vínculo com
partidos políticos e afirmou que, desde sua criação em 2018, a Matsadaash
mantém uma atuação “baseada na verificação de informações e na correção de
declarações enganosas, independentemente de sua origem”.
Especializada em verificação de fatos, a
Matsadaash costuma contestar declarações de autoridades e órgãos
governamentais. Recentemente, o site publicou uma verificação de
declarações do ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, sobre o número
de refugiados no país.
De
acordo com a EIPR, o número total de jornalistas presos no Egipto por questões
relacionadas ao exercício da profissão chegou agora a 26. O Cairo é alvo
de críticas por violações de direitos humanos e restrições à liberdade de
expressão.
Organizações de direitos humanos acusam as autoridades egípcias de manter um grande número de dissidentes detidos por sua opiniões. O governo nega essas acusações e afirma que essas pessoas estão presas por motivos previstos na legislação penal.
Mahmoud
Kamel, membro do Sindicato dos Jornalistas Egípcios, afirmou que as novas
prisões fazem parte de um “ambiente geral sufocante para as
liberdades”. “O único crime cometido pelas pessoas presas foi exercer sua
profissão de jornalista, realizando pesquisas e análises para revelar a
verdade. Esse é o papel fundamental da imprensa”, declarou Kamel à AFP na
quinta-feira. ANG/RFI/AFP

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