Ébola na RDC/ Cinco meses de epidemia, mais de 9.000 casos e 4.300 mortos
Bissau,
19 Out 26(ANG) - Assinalam-se cinco meses da epidemia de ébola que tem afectado
a República Democrática do Congo, nomeadamente, o leste do país.
O
ministro da saúde, Samuel Roger Kamba, alega que o pico da epidemia já passou,
não obstante ainda se continuar a aguardar uma possível vacina e numa altura em
que a doença continua a alastrar e a matar.
A RDC declarou oficialmente a 17.ª
epidemia de Ébola da sua história em meados de Maio. No entanto, os
especialistas sao unanimes ao assinalar que o vírus, detectado tardiamente, já
tinha reaparecido no vasto país, com mais de 100 milhões de habitantes, várias
semanas ou até meses antes.
O Ébola, que se transmite através do
contacto com fluidos corporais e provoca uma grave febre hemorrágica, já causou
mais de 15.000 mortes em África ao longo dos últimos 50 anos. A epidemia mais
grave anteriormente registada na RDC provocou cerca de 2.300 mortes, num total
de 3.500 casos identificados, entre 2018 e 2020.
A actual epidemia infectou, até ao
momento, 9.066 pessoas e provocou 4.381 mortes, correspondendo a uma taxa de
letalidade de 48,3%, segundo o novo balanço do Instituto Nacional de Saúde
Pública congolês (INSP) divulgado na terça-feira, 13 de Outubro. Foram também
registadas cerca de 2.389 recuperações.
O ministro da saúde, Samuel Roger
Kamba, entrevistado por Christophe Boisbouvier, alega que o pico da epidemia já passou, não obstante
ainda se continuar a aguardar uma possível vacina e numa altura em que a doença
continua a alastrar e a matar.
Ultrapassámos os 9.000 casos e os 4.300
óbitos. Estamos com uma taxa de mortalidade em redor de 48,2%.
No pico da epidemia tínhamos atingido
cerca de 120 novos casos por dia. E tínhamos chegado aos 50 mortos por dia.
Actualmente situamo-nos em torno de entre 50 e 70 novos casos por dia.
É, por isso, que dizemos que
ultrapassámos o pico da epidemia, isto por se tratarem de dados consolidados ao
longo de várias semanas, não são dados diários.
Isto não significa que a epidemia
acabou, mas que o número de novos casos baixou, bem como o número de óbitos
diários, que continua a baixar. É por isso que dizemos que o pico foi
ultrapassado.
Com origem na província de Ituri, no
nordeste do país, a epidemia alastrou-se a sete províncias congolesas. Ituri e
Kivu do Norte, no leste, concentram a maioria dos casos identificados.
A resposta sanitária carece de recursos
nestas regiões remotas, onde a presença de grupos armados dificulta as
deslocações. Os profissionais de saúde e os trabalhadores humanitários
enfrentam também a desconfiança das populações locais, que esteve na origem de
vários incidentes nos últimos meses.ANG/RFI

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