Médio
Oriente/Israel lembra
vítimas do 7 de Outubro de 2023
Bissau, 07 Out 26(ANG) -
Esta quarta-feira passam três anos dos ataques do Hamas no sul de Israel que
provocaram 1.221 vítimas mortais e desencadearam uma ofensiva israelita na
Faixa de Gaza que matou 74.200 pessoas.
As homenagens de hoje
acontecem em contexto de pré-campanha para as eleições legislativas, as
primeiras desde os ataques, e perante a ausência de uma investigação
independente sobre as falhas de segurança que marcaram aquele dia.
Familiares das vítimas reuniram-se em
Re’im, no local do festival de música atacado há três anos pelo Hamas e cumpriram
um minuto de silêncio às 06h29 (hora local, 03h29 GMT), hora do início do
ataque que fez mais de 360 mortos a 7 de Outubro de 2023.
Um outro momento de homenagem foi também
realizado no kibutz Kfar Aza, perto da fronteira com a Faixa de Gaza, onde 64
residentes foram mortos. E assim vai ser o dia de hoje, ritmado por várias
cerimónias para homenagear as 1.221 vítimas mortais e os 251 reféns levados
para Gaza.
As homenagens decorrem sob fortes
medidas de segurança e em contexto de pré-campanha para as eleições
legislativas de 27 de Outubro em Israel, as primeiras desde os ataques de há
três anos.
Estas são também as primeiras eleições
desde a entrada em vigor, há um ano, de um frágil cessar-fogo na Faixa de Gaza
que foi totalmente devastada pela ofensiva israelita de retaliação ao 7 de
Outubro e que resultou em mais de 74.200 mortos, segundo o Ministério da Saúde
do território palestiniano, cujos números são considerados fiáveis pela ONU.
Centenas de milhares de palestinianos ainda vivem em tendas ou abrigos
temporários.
Três anos depois, as falhas de segurança
que marcaram aquele dia ainda não foram objecto de uma investigação
independente e continuam os apelos para a criação de uma comissão de inquérito.
Hoje, o antigo primeiro-ministro Naftali
Bennett, que já tinha criticado o actual chefe do Governo, Benjamin Netanyahu,
por não ter impedido o ataque, juntou-se às pessoas em luto e falou em
"fracasso colossal do Estado de Israel".
Em
Setembro, uma extensa investigação da revista norte-americana The Atlantic revelou
que, a 26 de Setembro de 2023, o chefe dos serviços secretos egípcios, Abbas
Kamel, aterrou secretamente em Telavive para avisar Benjamin Netanyahu de
que o Hamas estaria a preparar uma ofensiva de grandes proporções.
Segundo a investigação, Kamel instou Israel a fazer concessões económicas à Faixa de Gaza para evitar que a situação se agravasse. Na mesma altura, o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, fez um apelo semelhante a Benjamin Netanyahu, segundo uma investigação do jornal Haaretz, publicada algumas semanas antes e também noticiada no New York Times.
Desde o cessar-fogo anunciado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em Outubro de 2025, o futuro político da Faixsa de Gaza permanece incerto.
Israel continua a controlar a maior
parte de Gaza e recusa-se a retirar as suas forças militares enquanto o
desarmamento do Hamas não for verificado. O Hamas, por seu lado, defende um
desarmamento progressivo, em vez de uma rendição imediata e unilateral do seu
arsenal.
Ainda na sequência do ataque do Hamas,
Israel abriu várias frentes de combate na região, como no Líbano e no Irão. ANG/RFI

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