França/ Macron busca apoio de países do Golfo para baixar preço dos combustíveis
Bissau, 20 Out 26 8ANG) - Após
um fim de semana de violência que deixou a França em estado de choque, Emmanuel
Macron iniciou segunda-feira (19) uma viagem aos países do Golfo com o objetivo
de garantir volumes de combustíveis que permitam reduzir os preços nas bombas.
Poucas horas depois de tentar retomar o
controle da situação interna em um pronunciamento aos franceses, o presidente
chegou ao Kuwait, onde se reuniu com o emir Mechaal al-Ahmad Al-Sabah no
Palácio Bayan. Macron visitará na sequência os Emirados Árabes Unidos, o
Bahrein e o Catar até quarta-feira (21), na tentativa de reforçar
"parcerias econômicas e de defesa".
Segundo o Palácio do Eliseu, o objetivo
da viagem é obter "uma série de compromissos" sobre fornecimento de
hidrocarbonetos em um momento de forte tensão nos mercados.
Antes de partir, o chefe de Estado
prometeu ser firme contra os responsáveis pelos atos de violência durante os
protestos e mais "transparente" sobre as regras de manutenção da
ordem, que foi criticada após as cenas de caos registradas em várias cidades no
sábado.
O
presidente francês, que manteve a viagem apesar da crise, justificou a decisão
pela necessidade de "garantir nossos abastecimentos", já que os
preços dos combustíveis estão entre as principais reivindicações dos
manifestantes.
No Kuwait, as conversas giraram em torno dos estoques de querosene e diesel posicionados previamente em Omã, próximo ao estreito de Ormuz, que poderiam ser enviados a territórios ultramarinos franceses, como Reunião e Mayotte.
Os
preços da energia são impactados pelo bloqueio do estreito de Ormuz, por onde
transitava cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra com o Irã. Os
ataques dos houthis pró-Irã, no Iêmen, contra a Arábia Saudita e as tensões em
torno do estreito de Bab el-Mandeb, outra importante rota marítima que liga a
Europa à Ásia, também impactam o fornecimento.
"Os países árabes do Golfo têm grande interesse em abastecer o mundo e o mercado francês, mas é difícil assumir compromissos firmes enquanto a região não estiver estabilizada", alerta Francis Perrin, especialista em energia do Instituto Francês de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).
Perrin não acredita que a viagem do
presidente Macron terá impacto imediato sobre os preços.
"Além disso, para comprar é preciso
ter recursos, e o talão de cheques francês já não tem muitas folhas",
acrescenta Thierry Bros, professor da Sciences Po, em referência à situação das
finanças públicas da França.
Macron também discutirá com seus
interlocutores, entre eles o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed
bin Zayed Al Nahyan, e o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, formas
de proteger as rotas marítimas da região e criar alternativas aos trajetos
atualmente ameaçados.
Uma das possibilidades seria ampliar o
uso de oleodutos terrestres que atravessam o Iraque, enquanto os países do
Golfo continuam expostos a ataques iranianos desde o início do conflito.
França e Reino Unido lançaram uma missão
internacional para contribuir com a reabertura do estreito de Ormuz, incluindo
operações de desminagem após o retorno da paz. No entanto, ainda não há acordo
entre Donald Trump e o Irã.
No Kuwait, a ministra das Forças
Armadas, Catherine Vautrin, assinou uma declaração de intenções na área da
defesa com autoridades kuwaitianas. Segundo integrantes da delegação francesa,
as discussões também envolveram possíveis vendas de armamentos.
A Airbus assinou uma declaração de
intenções para acompanhar a renovação da frota da Kuwait Airways e cooperar em
manutenção e treinamento. Já a empresa francesa de inteligência artificial
Pertimm firmou acordo semelhante para organizar os dados do governo kuwaitiano,
com a expectativa de assinatura de um contrato definitivo até o fim do ano.
ANG/RFI/Com agências

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