Dia Internacional da Menina / UNICEF aponta falta de financiamento e desafios na educação e saúde como obstáculos à melhoria da vida das crianças
Bissau, 09 out 26 (ANG) - O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na Guiné-Bissau apontou a insuficiência de recursos financeiros, os desafios no setor da educação, da saúde, nutrição e do saneamento como alguns dos obstáculos à melhoria das condições de vida das crianças no país.
Inoussa
Kaboré falava, quinta feira, em conferência de imprensa, realizada nas
instalações das Nações Unida, em Bissau, por ocasião das celebrações do Dia internacional da Menina,
sob o tema: “acabar com o casamento Infantil e investir nos direitos”.
Segundo o
responsável da UNICEF, a redução dos recursos destinados à ajuda ao
desenvolvimento, associada à situação económica internacional e às prioridades
dos grandes doadores, têm dificultado a implementação de programas de apoio às
crianças e famílias guineenses.
Considerou a
educação como uma das principais prioridades do UNICEF e do Governo da
Guiné-Bissau, sublinhando que é necessário
o reforço do acesso ao ensino e a melhoria
das condições de aprendizagem.
Disse que a
saúde constitui igualmente um desafio, sobretudo no acesso aos cuidados
primários, motivo pelo qual a organização trabalha com o Governo e os agentes
comunitários de saúde para aproximar os serviços das populações.
O responsável
salientou ainda a importância do acesso à água potável, ao saneamento e à
higiene, particularmente nas escolas e nas unidades sanitárias, para prevenir
infecções e garantir condições adequadas de atendimento e aprendizagem.
Entre os
desafios identificados, o representante mencionou as alterações climáticas e o registo de
nascimento, revelando que apenas 46% das crianças na Guiné-Bissau estão
registadas.
Neste
sentido, disse que o UNICEF está a trabalhar com os ministérios da Justiça e da
Saúde para melhorar a cobertura do registo civil infantil.
Inoussa
Kaboré defendeu igualmente o reforço das capacidades institucionais para
garantir a execução das políticas e estratégias existentes no país, dizendo
que, apesar da existência de
instrumentos de orientação, persistem limitações de recursos e de
capacidade de implementação.
Ao abordar
as suas funções na Guiné-Bissau, considerou um privilégio trabalhar com o
Governo, os parceiros de desenvolvimento e uma equipa de 59 profissionais, na
sua maioria guineenses, que conhecem a realidade local e contribuem para
encontrar respostas adequadas aos problemas das crianças.
O UNICEF
pretende continuar a apoiar iniciativas destinadas a garantir o acesso das
crianças à educação, saúde, água, ao saneamento, à higiene e à protecção
infantil, incluindo a segurança no ambiente digital.
O
responsável sublinhou ainda a importância de desenvolver programas baseados em
informações concretas sobre as necessidades da população, com especial atenção
aos adolescentes e aos jovens, que representam uma parcela significativa da
população guineense.
Apesar das
dificuldades financeiras e dos desafios de execução, o representante manifestou
confiança de que o trabalho de sensibilização junto do Governo e dos doadores
poderá contribuir para mobilizar os recursos necessários à continuidade dos
programas de desenvolvimento infantil na Guiné-Bissau. ANG/LPG//SG
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