Itália/Governo cria
novo crime para punir violência em manifestações
Bissau, 21 Out 26 (ANG) - O governo italiano aprovou um decreto com novas medidas de segurança dois dias após protestos estudantis se tornarem violentos em Milão, com saques a lojas e depredação de espaços públicos.
O pacote
inclui medidas voltadas a menores de idade, que representam a maioria dos
detidos nos atos, segundo as autoridades.
O novo pacote foi anunciado na noite de
terça-feira (20), após uma reunião do Conselho de Ministros. Uma das principais
medidas é a criação do crime de participação violenta em manifestações. Quem
participar de um grupo de cinco ou mais pessoas e, por exemplo, lançar pedras
ou bombas, poderá pegar até cinco anos de prisão e pagar multa de até 20 mil
euros. A pena aumenta se a pessoa estiver com o rosto coberto ou se alguém for
ferido.
O decreto também prevê que pais ou
responsáveis paguem pelos danos causados por menores, tanto a bens públicos
quanto privados. Outra mudança afeta a responsabilização penal de jovens de 14
a 18 anos. Agora, presume-se que pessoas dessa faixa etária são capazes de entender
seus atos, a menos que provem o contrário. A maioridade penal na Itália
continua aos 18 anos, mas, por lei, a partir dos 14, o adolescente já pode
responder na Justiça juvenil.
A detenção preventiva, que antes
valia apenas para adultos, agora também poderá ser aplicada por até 24 horas a
menores considerados um risco. Além disso, o governo decidiu enviar 500
militares a mais para Milão, que permanecerão até o fim do ano.
Manifestações vêm sendo realizadas em
várias cidades italianas, como Turim, Bolonha e Roma. Milão, porém, concentrou
os episódios de violência mais graves, com saques e danos a lojas e ao espaço
público, no último fim de semana. Segundo a Confederação do Comércio
(Confcommercio), os prejuízos devem chegar a 1 milhão de euros.
Ao anunciar o decreto, a
primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que a violência vista em Milão é
injustificável: “Não há nada de revolucionário em destruir e roubar. Destruir e
roubar não é protesto: é crime. E a resposta do Estado precisa ser firme”,
afirmou. A premiê disse ainda que entende a dificuldade dos jovens e trabalha
para enfrentar estes problemas. “O sofrimento social nunca pode servir de
desculpa para a violência. Em primeiro lugar, porque a violência aumenta esse
sofrimento, não o resolve”, completou.
Segundo Meloni, 330 pessoas foram
detidas no país entre sábado e domingo. Ela, que lidera um governo de extrema
direita com uma agenda anti-imigração, ainda fez questão de destacar que metade
dos detidos é de origem estrangeira. De acordo com dados da polícia de Milão,
dos 271 jovens levados à delegacia, 220 são menores de idade.
Os atos
na Itália começaram, de certa forma, inspirados pelas manifestações estudantis
na França, mas também têm pautas próprias. Na sexta-feira (16), estudantes
protestaram por mais recursos e melhores condições nas escolas. Também se
manifestaram contra a decisão do governo, no mês passado, de limitar o número
de estudantes estrangeiros em cada sala de aula.
Já o ato de sábado (17), em Milão, foi convocado, principalmente, com foco no alto custo de vida e para expressar a preocupação dos jovens com o futuro. A Itália está entre os países europeus com os salários mais estagnados. Segundo a OCDE, nos últimos 30 anos, os salários médios no país subiram apenas 2,3%, já descontada a inflação. Nesse contexto, aumenta a fuga de jovens, que buscam emprego em países vizinhos, com condições mais atrativas.
Além dessas reivindicações, o governo
Meloni também sofre pressão de outros setores. No sul do país, caminhoneiros
bloqueiam estradas em protestos contra o alto custo dos combustíveis. Os
bloqueios têm prejudicado o abastecimento de supermercados.
Depois dos últimos protestos, surgiu nas
redes sociais um grupo que se apresenta como “Movimento 17 de Outubro” e que
anunciou mobilizações todos os sábados, em oito cidades italianas, até a queda
do governo. Nas postagens online, o movimento diz não confiar nas instituições
nem no governo e critica a repressão.
Em Milão, as autoridades locais se
reúnem nesta quarta-feira (21) para coordenar as ações em atos futuros, em
especial para o próximo sábado (24). O prefeito Giuseppe Sala, de
centro-esquerda, afirmou que é preciso entender a origem do descontentamento
dos jovens. Hoje, ele participa de um protesto convocado por uma central
sindical com o lema “Milão não quer violência. ANG/RFI

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