França/Governo anuncia recolher obrigatório após nova noite de tensões
Bissau,
19 Out 26(ANG) - A situação em França continua tensa, com novos
episódios de violência urbana na noite de domingo e o primeiro-ministro
Sébastien Lecornu anunciou recolheres obrigatórios “parciais e muito
localizados”, após a alocução do Presidente Emmanuel Macron no domingo à noite.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu assumiu o leme da
gestão da crise, com o Presidente francês em deslocação ao Médio Oriente, e presidiu esta manhã a uma célula
interministerial de crise.
Perante a imprensa, disse que o Governo
não tem “nada a esconder”
e que as “forças da ordem fizeram um
bom trabalho”. Pediu aos governadores civis que imponham recolheres obrigatórios “parciais e muito
localizados” e pronunciou-se também sobre a possibilidade de
se decretar o estado de emergência.
Se fosse
necessário, poderíamos decretar o estado de emergência. Até ao momento, o
recolher obrigatório parece-me mais adequado à situação.
O chefe do Executivo anunciou ainda medidas para os comerciantes, como a
entrada em vigor, a partir de amanhã, do regime de layoff a 100% para os comércios afectados. Anunciou
também uma “operação judicial em
grande escala” para encontrar quem pilhou e destruiu.
Já no domingo, numa alocução aos franceses, o Presidente
Emmanuel Macron disse que sentia “raiva
e vergonha” face à destruição e às pilhagens que se sucederam às
manifestações contra o custo de vida, no passado sábado, 17 de Outubro. Pediu
também “transparência”
sobre a conduta das forças da ordem e reconheceu “falhas” na gestão destas manifestações, culpando os
delinquentes e a ultra-esquerda:
Rebeldes, oriundos de grupúsculos de ultra-esquerda, a que
se juntaram numerosos delinquentes,
entregaram-se a uma violência
desenfreada nas nossas cidades.
Contudo, disse que não se deve confundir
esta violência com as reivindicações legítimas de centenas de milhares de manifestantes.
Várias centenas de milhares dos nossos
compatriotas manifestaram-se, com a vontade
de fazer valer reivindicações legítimas. Nunca devemos confundir estes com aqueles que destruíram,
partiram e pilharam. A nossa juventude exprime uma angústia profunda, e a sua
voz deve ser ouvida.
No domingo à
noite foram registados novos incidentes em cidades como Lyon, Marselha, Nice e
Nantes, e também em Paris, onde voltaram a ocorrer tentativas de
invasão e saques. Só na capital, foram detidas
mais de 350 pessoas, afirmou o ministro do Interior.
Como sinal da gravidade da violência
urbana, o ministro do Interior, Laurent
Nuñez, apresentou a sua demissão ao Presidente, no domingo, mas esta não foi aceite devido à “necessidade
de um comando contínuo das forças da ordem”. Hoje de manhã, na rádio
RTL, admitiu “uma perda de controlo”
por parte da polícia em algumas cidades e reconheceu uma “falta de antecipação” na
mobilização das forças da ordem.
A falha
resulta do facto de ter havido uma falta de antecipação quanto às forças disponíveis, sabendo – faço questão
de corrigir algumas coisas – que mobilizámos
todas as forças móveis que estavam disponíveis no território.
A seis meses das eleições presidenciais
de 2027, marcadas por uma forte polarização, as reacções políticas foram
muitas. Jordan Bardella, o presidente
do Reagrupamento Nacional, de extrema-direita, considerou
que as palavras do chefe de Estado são uma “terrível confissão de impotência”.
O centrista Édouard Philippe, candidato à Presidência, disse que o
país precisava de “ser liderado”,
enquanto Manuel Bompard, da esquerda
radical da França Insubmissa, apelou a uma “resposta política” às reivindicações, dizendo que “é irresponsável tomar a palavra para não
dizer nada”. ANG/RFI

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