quarta-feira, 7 de outubro de 2026

França/Governo suspende uso de granadas de atordoamento contra estudantes em protesto

Bissau, 07 Out 26(ANG) - O ministro do Interior, Laurent Nunez , anunciou, esta quarta-feira, a suspensão do uso de granadas de atordoamento pela polícia durante as manifestações dos alunos do ensino secundário.

A decisão surge após dias de denúncias de violência policial contra adolescentes, nomeadamente contra um aluno que perdeu a mão devido a uma granada disparada pela polícia.

Foi em declarações à estação de rádio RTL que o ministro do Interior, Laurent Nunez, afirmou que iria "suspender” a utilização deste tipo de armas no âmbito do movimento dos estudantes do ensino secundário, pelo menos – declarou - até que haja mais clareza sobre os incidentes ocorridos.

Entre eles, um estudante de 15 anos, na cidade de Lens, no norte do país, perdeu a mão quando rebentou uma granada disparada pela polícia de intervenção. Um outro, de 14 anos, no noroeste de Paris, perdeu vários dentes devido à explosão de uma granada de gás lacrimogéneo a muito curta distância.

E as redes sociais têm sido a vitrina de dezenas de episódios de violência policial contra adolescentes. Foram abertas mais 18 investigações internas da polícia perante as acusações de brutalidade contra os estudantes. Ainda assim, o governo tem negado a existência de "repressão policial" contra estes protestos, que já resultaram em mais de 6.500 detenções, a maioria de menores.

Um dia depois de mais uma jornada de manifestações em varias cidades e de aulas parcial ou totalmente suspensas em cerca de 900 das 3.700 escolas secundárias do país, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, também se vai pronunciar esta quarta-feira à noite.

Na terça-feira, perante os deputados, Lecornu acusou o partido La France Insoumise (esquerda radical) de "atear fogo à situação" e de provocar o caos no país a poucos meses das eleições presidenciais de 2027. Já esta manhã, no X, dirigiu-se antes aos alunos, disse que "a voz” deles “é valiosa e deve ser ouvida" e prometeu "um plano de acção concreto".

De um modo geral, as aulas foram retomadas esta quarta-feira na maioria das escolas, embora com alguns bloqueios. Dados provisórios do Ministério da Educação Nacional apontam que 86% das escolas abriram as suas portas esta manhã e que as aulas estão total ou parcialmente suspensas em 528 escolas, uma quebra de 41% face ao dia de ontem.

Os principais sindicatos dos estudantes do ensino secundário apelam à manutenção dos bloqueios esta quarta-feira e a novas marchas esta quinta-feira em Paris e noutras cidades.

Desde Setembro, os alunos têm manifestado para denunciar as condições precárias das escolas, as salas de aula sobrelotadas, deterioradas e inadaptadas às ondas de calor e de frio, a falta de substituição de professores ausentes, as cargas horárias excessivas e as desigualdades relacionadas com o sistema de admissão universitária Parcoursup. ANG/RFI

 

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