Sociedade/ IMPACT-GB alerta para impacto
da falta de escolas na exploração de crianças talibés na Guiné-Bissau
Bissau,
19 Out 26 (ANG) - O Coordenador de Informação
e Mobilização da Proteção e Ação pelas Crianças Talibé na Guiné-Bissau
(IMPACT-GB).disse que a falta de escolas em algumas localidades da Guiné-Bissau
constitui um dos fatores que contribuem para a vulnerabilidade das crianças à
exploração.
Segundo
Dautarim Costa, existem zonas do país sem qualquer estabelecimento de ensino,
situação que leva algumas crianças a se deslocarem para outras localidades,
incluindo para o Senegal, onde podem ficar expostas à diferentes formas de
exploração.
A
declaração de Costa foi feita à imprensa na conferência promovida no âmbito do
projeto IMPACT-GB, que visa aprofundar conhecimentos sobre o fenómeno das crianças
talibé, compreender as suas causas e identificar mecanismos para prevenir e
combater a exploração infantil.
O
responsável explicou que, após quase dois anos de implementação do projeto,
tornou-se necessário partilhar as principais aprendizagens resultantes da
experiência, envolvendo líderes religiosos, representantes da administração
pública e organizações da sociedade civil.
Segundo
afirmou, um dos principais desafios continua a ser a falta de dados
estatísticos fiáveis sobre o número de crianças talibés e as condições em que
vivem.
Dautarim
disse que nem todas as crianças talibés se encontram em situação de
mendicidade, e que existem também crianças protegidas e outras expostas à
situações de exploração difíceis de quantificar.
Apesar
das dificuldades, o coordenador referiu que se tem observado uma redução do
número de crianças a pedir esmolas nas ruas, sobretudo nas regiões de Bafatá e
Gabu, onde estão a ser desenvolvidas intervenções para combater o fenómeno.
Em
Bissau, acrescentou, a situação ainda não está completamente estabilizada, mas
os trabalhos prosseguem, com a perspetiva de reforçar a colaboração com
organizações islâmicas, nomeadamente a União Nacional dos Imames.
O
responsável considerou que a mendicidade infantil dentro do território nacional
pode ser combatida através de intervenções coordenadas, mas destacou que a
circulação de crianças para o Senegal representa um desafio mais complexo, que
exige medidas estruturais.
A
existência de equipamentos e serviços sociais nas comunidades, segundo Dautarim
pode reduzir a necessidade de as
crianças abandonarem as suas localidades de origem para se deslocarem para
outros países.
O
coordenador destacou ainda a importância dos oito projetos subvencionados,
apesar da curta duração e dos recursos financeiros limitados.
Segundo
explicou, estas iniciativas permitiram identificar mecanismos de intervenção
comunitária, particularmente na região de Gabu, onde estão a ser implementadas
ações através de conselhos comunitários, com potencial para serem replicadas
noutras localidades.
Contudo,
advertiu que, embora as comunidades possam apresentar soluções imediatas, a
sustentabilidade das ações depende do investimento do Estado no setor da
proteção da criança.
Acrescentou
que, a insuficiência de recursos humanos, materiais e financeiros limita a
capacidade das instituições como o Instituto da Mulher e Criança para cumprir
as suas responsabilidades.
Costa
apela , por isso, o reforço do investimento público na proteção infantil,
lembrando que o Estado tem a obrigação de cumprir os compromissos
internacionais assumidos e respeitar o quadro legal nacional.
Questionado
sobre as medidas anunciadas pela Presidência da República para combater a
mendicidade de crianças talibés, disse que essas devem ser formalizadas através
de instrumentos legais, como despachos ou decretos-leis, de modo a garantir a
sua aplicação e sustentabilidade.
A
conferência com a duração de um dia, tem
como objetivo contribuir para uma compreensão mais aprofundada da problemática
das crianças talibés, promover uma reflexão conjunta e reforçar a mobilização
de diferentes atores para uma resposta integrada, baseada no conhecimento, diálogo e na colaboração institucional.ANG/MI/ÂC//SG

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