Etiópia/Aumentam os receios de uma
guerra aberta contra a Eritreia
Bissau, 12 Out 26(ANG) - Aumentam
os receios de uma guerra aberta entre a Etiópia e a Eritreia, perante a
mobilização de tropas eritreias e a escalada verbal entre os dois países
vizinhos nos últimos dias.
Acusada por Adis Abeba de “agressão”, que justificaria o
exercício da “legítima
defesa”, Asmara pediu este sábado, 10 de Outubro, ao Conselho de
Segurança da ONU que condenasse a “declaração de guerra deplorável” da Etiópia,
advertindo que esta “desestabilizará
toda a região”.
A Eritreia sublinha que uma guerra
causaria enormes estragos entre as populações dos dois países e pede ao
Conselho de Segurança das Nações Unidas que condene a Etiópia e adopte medidas
dissuasoras. Segundo o autor do documento, Osman Saleh, ministro dos Negócios
Estrangeiros da Eritreia, a Etiópia procura justificar uma guerra de agressão contra
o seu país.
A Eritreia conquistou a independência da
Etiópia em 1993, após décadas de luta armada. Os dois países vizinhos
enfrentaram-se numa guerra sangrenta entre 1998 e 2000, na sequência de
divergências territoriais.
As relações, que tinham melhorado após a
chegada ao poder, em 2018, do primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, voltaram a
deteriorar-se nos últimos anos, com ambas as partes a acusarem-se mutuamente de
tentativas de desestabilização.
Há vários dias que tropas eritreias se
encontram no Tigré, onde uma fonte estrangeira dos serviços de segurança
estimou o seu número entre 5.000 e 8.000 homens.
Na noite de quarta para quinta-feira, as
forças federais etíopes utilizaram drones contra essas tropas em Adigrat,
cidade situada a cerca de 40 quilómetros por estrada a sul da fronteira com a
Eritreia. As forças eritreias recuaram mais para norte.
A presença de tropas eritreias no Tigré,
região fronteiriça com a Eritreia, constitui um “acto de agressão flagrante que justifica o exercício, pela Etiópia, do
seu direito inerente à legítima defesa”, denunciou o ministro dos
Negócios Estrangeiros etíope, Gedion Timothewos, numa carta enviada na
quinta-feira à representação francesa junto da ONU.ANG/RFI

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