Etiópia/União Africana lança agência de 'rating' para avaliações justas e imparciais
Bissau,08 Out 26(ANG) - A União Africana lançou quarta-feira uma agência africana de notação financeira com o intuito de garantir que os países da região são avaliados de forma imparcial, com toda a informação disponível,
"A
missão da agência africana de ‘rating’ (AfCRA, na sigla em inglês), criada para
fornecer avaliações de solvabilidade independentes, credíveis e centradas em
África, consiste em reforçar a arquitetura financeira de África, colmatar
lacunas de informação e garantir que os entes soberanos, sub-soberanos e
empresas africanas sejam avaliados de forma justa nos mercados financeiros
internacionais", lê-se na página da União Africana (UA) dedicada à AfCRA.
Os
promotores referem que a criação desta agência focada nos ‘ratings’ de países e
empresas a operar em África não se substitui às tradicionais agências de
notação financeira, que têm sido criticadas por não levarem em conta as
especificidades e o contexto africano quando atribuem os 'ratings'.
"A
AfCRA complementa as agências de notação de crédito globais existentes,
oferecendo uma perspetiva baseada em dados, conhecimentos especializados e
realidades africanas, tendo como objetivo reforçar a forma como os Estados
soberanos, as entidades sub-soberanas e as empresas africanas são avaliadas e
compreendidas nos mercados financeiros internacionais, através de melhores
dados, conhecimentos especializados e contexto sobre o risco de crédito
africano", aponta a UA.
A
atribuição de ‘ratings’ tem sido um dos temas em debate nos encontros
internacionais sobre as finanças africanas, principalmente devido à ligação que
tem com a capacidade de financiamento dos países da região nos mercados
internacionais, uma vez que muitos investidores, principalmente institucionais,
ancoram as suas decisões de investimento nestas avaliações aos países.
A
nova agência, hoje lançada, é "impulsionada pelo setor privado,
autofinanciada e independente", e não pode ser detida por governos, diz a
UA, vincando que "as estruturas de governança privilegiam a transparência,
a credibilidade e as salvaguardas contra conflitos de interesses".
Entre
as vantagens, a UA aponta que, para os governos, a agência, que terá sede em
Port Louis, nas Maurícias, poderá trazer "condições de financiamento mais
justas e melhor acesso aos mercados de capitais", enquanto para os
investidores será possível ter "análises equilibradas e específicas no
contexto sobre o risco africano".
O
custo do financiamento dos países africanos nos mercados internacionais é um
dos principais temas em debate, não só pelo elevado valor, mas também pelo
impacto que tem nas economias dos países, já que os governos, com recursos
limitados, têm muitas vezes de escolher entre servir a dívida ou investir no
desenvolvimento económico.
"O
que está em jogo é significativo: o serviço da dívida externa de África
aumentou de 61 mil milhões de dólares [54,5 mil milhões de euros] em 2010 para
163 mil milhões de dólares [145 mil milhões de euros] em 2024, com os
pagamentos de juros a excederem a despesa pública com a saúde ou a educação na
maioria dos países", insistiu a UA.
A
instituição acredita que "a AfCRA visa reduzir esses encargos, melhorando
a confiança dos investidores e a transparência do mercado". ANG/Inforpress/Lusa

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