Tailândia/FMI vê economia da Africa subsaariana a crescer 4,5% mas alerta para encargos com dívida
Bissau, Out 26(ANG) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a previsão de crescimento da economia da África subsaariana este ano, para 4,5%, fruto das reformas levadas a cabo nos últimos anos, mas mantendo vulnerabilidades decorrentes dos elevados encargos com a dívida.
A previsão consta da Atualização das Perspetivas Económicas de África, hoje lançado no âmbito dos Encontros Anuais, que decorrem em Banquecoque, onde o FMI alerta que "o crescimento regional constante esconde experiências diferentes entre os países, com um abrandamento do crescimento nas economias não intensivas em recursos e uma resiliência contínua nas economias intensivas em recursos".
Os
esforços que os governos africanos têm feito para desenvolver as suas
economias, principalmente através de reformas que propiciam o desenvolvimento,
"ajudaram a atenuar o choque da guerra no Médio Oriente",
nomeadamente na contenção da inflação, que ainda assim deverá aumentar, de uma
média de 3,4% em 2025 para 4,3% este ano e 5% em 2027.
"O
ajustamento orçamental pré-guerra e a redução dos rácios da dívida constituem
conquistas importantes, mas os elevados encargos com juros, as baixas reservas
em muitos países, e a diminuição da ajuda deixam margem limitada para absorver
outro choque adverso", avisa o FMI.
A
média do rácio da dívida sobre o PIB deverá descer de 53% no ano passado para
51,7%, adianta, mas só o pagamento dos juros da dívida leva, em média, 12% das
receitas.
Os
principais riscos que o continente enfrenta incluem "novas perturbações no
abastecimento energético, reavaliação da dívida soberana, novas reduções da
ajuda e choques climáticos graves, especialmente o El Niño", que deverá
ser particularmente gravoso na África Austral, onde estão Moçambique e Angola.
Em
termos de recomendações, o FMI defende que as políticas "devem sustentar o
ajustamento orçamental necessário, poupar os ganhos extraordinários temporários
decorrentes das matérias-primas, direcionar o apoio às famílias vulneráveis e
conter a inflação persistente".
Neste
contexto, "proteger o investimento produtivo e possibilitar o crescimento
do setor privado são essenciais para tornar os choques futuros menos onerosos e
melhorar os níveis de vida a longo prazo", concluem os economistas do FMI.
De
acordo com o relatório do FMI, só Cabo Verde, com 5%, e a Guiné-Bissau, com
4,7%, crescem acima da média da região, cujas economias deverão expandir-se
4,5% este ano, mais 0,2 pontos percentuais que o previsto em Abril.
Angola,
com um crescimento de 4,4%, Moçambique, com 1% e São Tomé e Príncipe, com 0,4%,
estão abaixo da média da África subsaariana, o mesmo acontecendo com a Guiné
Equatorial, que mais uma vez registará uma recessão económica, desta feita de
1,7% em 2026.
ANO..................
2025.....2026....2027
Angola
............. 3,1 .....4,4......3,3
Cabo
Verde...... 6,3 .....5,0......5,0
Guiné-Bissau....
5,8..... 4,7 .....4,9
Guiné
Equatorial. –5,8.....–1,7....–1,0
Moçambique.....
–0,2.....1,0......2,0
São
Tomé e Príncipe .1,0.....0,4......1,9
Fonte:
FMI - Atualização das Perspetivas Económicas de África, Outubro de 2026. ANG/Inforpress/Lusa

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