Bélgica/UE e Ucrânia chegam a acordo sobre
financiamento para Kiev, mas europeus rejeitam aumentar valor
Bissau, 02 Set 26 (ANG) - A
Ucrânia e a União Europeia chegaram nesta quinta-feira (1°) a um acordo sobre
as modalidades de financiamento de Kiev em 2026 e 2027, mas Bruxelas não
pretende se comprometer com novos valores para ajudar os ucranianos a se
defenderem dos ataques da Rússia.
O bloco concedeu um empréstimo
de € 90 bilhões para o país e espera que o valor seja suficiente,
embora reconheça um "buraco" nas contas de Kiev.
"Identificamos
os meios para cobrir as necessidades orçamentárias e de defesa da Ucrânia para
2026. Também reafirmamos as etapas necessárias para garantir a disponibilização
desses recursos em tempo hábil", indicaram as duas partes em um comunicado
conjunto.
"Concordamos com
o formato, o cronograma e as etapas necessárias para garantir uma cobertura
completa" em 2026 e 2027, afirmou, por sua vez, o presidente ucraniano,
Volodymyr Zelensky, na rede social X.
Os termos concisos
desse comunicado conjunto indicam, nas entrelinhas, que a UE não pretende mudar
de posição, seja neste ano ou no próximo, segundo informações obtidas em Bruxelas.
Apesar do aporte financeiro previsto, a Ucrânia estimou seu déficit
orçamentário deste ano em US$ 20 bilhões.
A UE, por sua vez,
destaca os recursos ainda disponíveis para 2026, no âmbito do empréstimo, e
cobra da Ucrânia a realização de reformas prometidas, antes de efetuar os
repasses. Na terça-feira, a Comissão Europeia já havia insistido neste ponto
para viabilizar os repasses previstos para 2026, recusando-se a assumir
compromissos com valores adicionais.
"Nossa mensagem
aos nossos amigos ucranianos é clara: implementem as reformas acordadas para
que possamos continuar oferecendo nosso apoio financeiro", declarou a
comissária europeia encarregada da ampliação do bloco, Marta Kos.
A situação também se
anuncia muito difícil no próximo ano para Kiev, que busca obter US$ 53 bilhões
adicionais em ajuda externa. A UE reconhece o risco de um "buraco"
orçamentário no próximo ano, mas não parece disposta a cobri-lo.
Kiev e Bruxelas
garantiram, na quinta-feira, que estão prontas para "avançar rapidamente"
no próximo ano com o pagamento da segunda parcela de € 45 bilhões,
prevista no âmbito do empréstimo de dois anos da UE. Também concordaram em
começar a "trabalhar na identificação de necessidades orçamentárias e de
defesa adicionais" para 2027.
No entanto, ambas as partes destacaram o papel dos outros países aliados da
Ucrânia em contribuir financeiramente no próximo ano. "Todas as partes
concordaram que os outros parceiros também devem honrar seus compromissos
financeiros e intensificar seus esforços diante dos grandes desafios que a
Ucrânia enfrenta", especifica o comunicado conjunto.
Além dos € 90
bilhões concedidos pela UE, os outros países aliados de Kiev foram convidados a
contribuir com € 45 bilhões. Contudo, a contribuição deles ainda está
muito aquém do necessário, reconheceu a Comissão Europeia.
Nesta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou a ideia de
uma suspensão mútua de ataques de longo alcance com a Ucrânia, que vêm se
intensificando há meses. "Nos dizem: 'Que eles parem de atacar suas
refinarias, e vocês pararão de atacar os navios deles'. Isso é simplesmente
ridículo", declarou Putin durante o fórum político de Valdai.
O presidente referia-se às propostas formuladas por Kiev e Washington neste sentido. Questionado novamente sobre a resposta russa a essa ideia, ele respondeu: “Não".
Putin também alertou
que a Rússia poderia utilizar "todos os tipos de armas", inclusive
nucleares, em caso de ataque das forças da Otan contra o enclave de
Kaliningrado. O líder russo reiterou, entretanto, que a Rússia não tem
"intenção de atacar quem quer que seja”.
"Mas, se
sofrermos uma agressão, revidaremos. E os cidadãos dos países europeus precisam
entender isso", insistiu o presidente russo. "Se chegarmos a um
ataque direto contra a Rússia, neste caso contra Kaliningrado, a questão do uso
de todos os tipos de armas de que dispomos estará na ordem do dia",
declarou Putin durante o fórum político.
O alerta ocorre em um
momento de crescente tensão em torno desse território, a antiga Königsberg da
Prússia Oriental, anexada pela URSS em 1945, que não possui fronteira direta
com a Rússia e faz fronteira com a Polónia, a Lituânia e o Mar Báltico.
Nos últimos meses,
países da Otan realizaram vários exercícios militares nas fronteiras da
região, levando Moscou a enviar-lhes um documento condenando uma
"escalada sem precedentes da atividade militar da Aliança ao longo de
nossas fronteiras ocidentais".
A aliança militar
atlântica, por sua vez, condenou a "retórica nuclear irresponsável"
da Rússia contida nesse documento. ANG/RFI/AFP

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