EUA/ ONU pede que Tennessee desista de executar mulher que sobreviveu à injeção letal
Bissau, 02 Out 26 (ANG) - O Alto Comissariado das Nações
Unidas para os Direitos Humanos pediu nesta quinta-feira (1) que as autoridades
do Tennessee, nos Estados Unidos, desistam de qualquer nova tentativa de
executar uma condenada que sobreviveu ao protocolo de injeção letal.
Uma investigação foi aberta e as
execuções foram suspensas no Tennessee após o fracasso, sem precedentes nos
Estados Unidos, da execução da americana Christa Pike, de 50 anos.
"O
caso de Christa Pike evidencia várias razões pelas quais apena de morte deve
ser abolida", afirmou o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos,
Volker Türk, na rede X.
"Os longos sofrimentos, tanto físicos quanto psicológicos, provocados por várias tentativas fracassadas de execução são abjetos e cruéis. Além disso, importantes questões relativas ao respeito ao direito a um julgamento justo permanecem sem resposta", declarou.
Volker Türk também apelou às autoridades
estaduais para que renunciem a qualquer nova tentativa de executar Christa
Pike.
O alto-comissário manifestou ainda
preocupação com o aumento do número de execuções nos Estados Unidos,
acrescentando que "a pena de morte não tem lugar em nenhuma
sociedade".
Christa
Pike, condenada por homicídio em 1996, deveria se tornar a primeira mulher
executada em mais de dois séculos no Tennessee, um dos pouco mais de 20 estados
americanos onde a pena de morte continua em vigor.
Segundo testemunhas da execução e os
advogados da condenada, ela continuou respirando e roncando de forma audível
após receber duas doses de pentobarbital, que deveriam causar sua morte.
A
Suprema Corte do Estados Unidos, de maioria conservadora, autorizou na
quarta-feira a execução de Christa Pike, revertendo uma suspensão concedida na
mesma manhã por um tribunal federal de apelações.
Uma
hora antes do horário inicialmente previsto para a execução, esse tribunal
decidiu ganhar tempo para analisar a admissibilidade de um recurso da defesa
centrado nas violências sexuais sofridas pela condenada durante a infância.
O Estado do Tennessee reconheceu pela
primeira vez essas agressões em agosto, mas não alterou sua posição sobre a
execução. ANG/RFI/AFP

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