Europa/NATO quer definir limites perante ameaça híbrida russa
Bissau,
13 Out 26(ANG) - O
comandante supremo das forças da Aliança na Europa, o general Alexus
Grynkewich, defendeu uma mensagem “clara e concisa” a Moscovo e garantiu que
qualquer ataque contra um membro da organização será neutralizado.
A preocupação está na chamada “zona
cinzenta” entre a paz e a guerra aberta. Sabotagens, incêndios,
ciberataques, espionagem, campanhas de desinformação ou outras operações
clandestinas podem causar danos importantes sem assumir a forma de uma agressão
militar convencional. É neste espaço ambíguo que torna difícil determinar
quando e como a NATO deve responder.
Por isso, Alexus Grynkewich defendeu que
os aliados discutam antecipadamente quais são os limites que consideram
inaceitáveis. “É importante que os aliados continuem a consultar-se” e
transmitam aos russos onde estão as suas “linhas vermelhas”, defendeu. A
intenção é reduzir o espaço para erros de cálculo e deixar claro que
determinadas acções, mesmo abaixo do limiar de uma invasão, podem ter
consequências.
No mesmo discurso, o general Alexus
Grynkewich apresentou aquilo a que chamou a sua “teoria da vitória”. Se
a Aliança for atacada, explicou, deve impedir o adversário de alcançar os seus
objectivos, neutralizando as forças utilizadas contra território aliado. “Se
alguém for suficientemente insensato para nos atacar, combateremos”,
declarou, acrescentando que qualquer agressão deve acabar por se revelar “totalmente
inútil”.
O conceito não pressupõe, segundo
AlexusGrynkewich, procurar uma derrota estratégica da Rússia. O objectivo é
tornar credível a dissuasão e convencer um potencial adversário de que os
custos de uma agressão seriam elevados e os ganhos nulos. O comandante afirmou
que a NATO está preparada para se defender imediatamente, mas insistiu que essa
preparação militar serve para evitar que o conflito aconteça.
Apesar da firmeza da mensagem, Alexus
Grynkewich rejeitou a ideia de que um confronto directo esteja próximo. “Não
considero que um conflito seja iminente ou inevitável”, acrescentando que a
prevenção depende também da manutenção de canais de comunicação capazes de
esclarecer intenções, evitar mal-entendidos e impedir que incidentes limitados
se transformem numa escalada militar.
Os alertas dos serviços de informações
europeus ajudam a explicar o endurecimento do discurso. Em Setembro, os serviços
militares dinamarqueses consideraram “baixo, mas crescente” o risco de a
Rússia realizar ataques militares limitados contra um país da NATO próximo das
suas fronteiras. Na Alemanha, o responsável pelos serviços de informações
internas advertiu que a ameaça russa à Europa pode prolongar-se para além da
guerra na Ucrânia. ANG/RFI

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