segunda-feira, 12 de outubro de 2026


Marrocos
/Após crise migratória em Ceuta, rei Mohammed VI  defende “parceria” com Espanha

Bissau, 12 Out 26(ANG) - O rei de Marrocos, Mohammed VI, defendeu sexta-feira, uma "parceria" com Espanha na gestão dos fluxos migratórios, rejeitando qualquer tentativa de "pressão" ou "chantagem", na sequência da crise migratória em Ceuta, no final de Julho, e das críticas espanholas à gestão da migração.

Perante o Parlamento marroquino, na sessão de abertura do novo ano parlamentar, Mohammed VI afirmou que o actual modelo de cooperação migratória “atingiu os seus limites”.

O monarca defendeu uma relação de “parceria” com Espanha, sublinhando que esta deve ser “soberana e um compromisso voluntário, que não pode ser alvo de qualquer pressão, ameaça ou chantagem”.

Ao abordar pela primeira vez a crise migratória de Ceuta, que colocou à prova a relação entre os dois países, o rei rejeitou a acusação de responsáveis políticos espanhóis de que Rabat teria facilitado a entrada de migrantes no enclave espanhol, situado no Norte de África. O monarca denunciou aquilo que qualificou como tentativas de o transformar num “bode expiatório” no contexto de “acertos de contas” políticos em Espanha.

Entre 30 e 31 de Julho, mais de 70 mil migrantes terão entrado em Ceuta, a nado ou a pé, provenientes de Marrocos, num fluxo migratório de dimensão sem precedentes. Desde então, a grande maioria regressou a território marroquino, embora vários milhares tenham permanecido em Ceuta.

Mohammed VI reconheceu que a cooperação com Madrid registou “avanços significativos”, nomeadamente no combate à migração irregular, mas salientou que persistem desafios importantes. Entre estes, apontou a existência de “certas disposições legais desactualizadas”, numa aparente referência a decisões judiciais espanholas que dificultam o repatriamento de migrantes para Marrocos.

Sem avançar mais pormenores, o monarca anunciou que Marrocos irá apresentar aos seus parceiros um documento com “uma visão estratégica, clara e prática”, destinada a promover o co-desenvolvimento, a competitividade económica e a estabilidade regional.

As declarações surgem nas vésperas de uma visita dos reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, prevista para 13 de Outubro a Ceuta e, no dia seguinte, a Melilha. A última visita de um chefe de Estado espanhol aos dois enclaves espanhóis no Norte de África foi de Juan Carlos I em 2007, que desencadeou uma crise diplomática com Rabat, que reivindica a soberania sobre os dois territórios. ANG/RFI

 

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